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Imagem: Pixar / Reprodução

'Red: Crescer é uma fera': animação da Pixar quebra tabus e avança fase independente do estúdio

Ao narrar o amadurecimento de Mei Lee, Red deixa de vez as amarras da Disney e aproxima o público de temas delicados


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Rodrigo James

Publicitário, especialista em marketing digital e produção audiovisual. Crítico de música e cinema e DJ. Colunista do RadioCast e da Rádio CDLFM.


Se você pegar a lista de filmes de animação premiados com o Oscar nos últimos 20 anos, verá que praticamente todos foram produzidos pela Pixar/Disney. A empresa de animação, que causou furor quando apresentou “Toy Story” para o mundo e, de certa forma, mudou este mercado, é um sinônimo de qualidade e garantia de bons filmes. Ou pelo menos era.

Nos últimos anos, a Pixar vem experimentando alguns fracassos, mesmo que estes não sejam propriamente fracassos de bilheteria, mas de idéias. Por conta das críticas direcionadas à criatividade destes filmes, a empresa precisou se movimentar e abrir um pouco mais seu espectro, saindo um pouco das amarras da Disney e propondo temas que façam os espectadores pensarem. “Luca” e “Soul” são dois ótimos exemplos disso.

Red: Crescer é uma Fera” é talvez o passo mais à frente neste processo e, por isso mesmo, tem causado estranheza em parte do público e até mesmo na crítica. Nele, acompanhamos a história de Mei Lee (voz original de Rosalie Chiang), uma garota de 13 anos dividida entre continuar sendo uma filha obediente e o caos da adolescência. Ming (voz original de Sandra Oh), sua mãe superprotetora e um pouco autoritária, nunca está longe dela. E como se as mudanças em seus interesses, relações e em seu corpo não bastassem, sempre que passa por fortes emoções – o que acontece praticamente sempre – ela se transforma em um panda vermelho gigante.

Não é muito difícil entender do que se trata o filme: da adolescência, puberdade e das mudanças que esta fase traz ao corpo e à mente das meninas. E por tratar abertamente deste assunto, “Red: Crescer é uma Fera” já ganha inúmeros pontos. Entretanto, um detalhe desta abordagem é que tem colocado o filme na ordem do dia: pela primeira vez, um filme de animação, teoricamente voltado para crianças e pré-adolescentes, fala abertamente de menstruação e de como as mães e filhas devem tratar deste assunto.

Pode parecer pouco, mas não é. Não para um filme da Pixar. A estranheza que ele tem causado mostra exatamente isso. Ainda é um tema tabu, em especial se colocado em um filme cujo público alvo é (teoricamente) as crianças. Por isso mesmo, “Red: Crescer é uma Fera” merece ser conhecido. Se não por isso, que seja pela ótima música de Finneas e Billie Eilish, emulando uma boy band, venerada pelas adolescentes do filme.

Em exibição no Disney+.

Ficha técnica

RED: CRESCER É UMA FERA (Turning Red)

Direção: Domee Shi

Elenco: Rosalie Chiang, Sandra Oh (vozes originais)


* Esta coluna tem caráter opinativo e não reflete o posicionamento do grupo.
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