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Imagem: Alaide Butiquim / Reprodução

Cinco mulheres que fazem a Gastronomia de BH

Na semana em que se celebra o Dia Internacional da Mulher, te apresento cinco guerreiras que seguram a batata quente (literalmente) nos butecos da capital!


Entretenimento

Nenel Neto

Entusiasta dos botecos, apresentador do Buteco 98 e jornalista do perfil Baixa Gastronomia no Instagram


Na semana em que se comemora o Dia Internacional da Mulher, o tema desta coluna não poderia ser outro. 

Muitas delas são responsáveis pelas delícias que comemos nos botequins cidade afora e não recebem a devida atenção. 

São incontáveis os bares batizados com os nomes de seus proprietários. Na maioria das vezes, eles levam a fama, mas, na prática, quem segura a batata quente, literalmente, são suas esposas, filhas e funcionárias. 

É claro que o dono do boteco tem a sua importância. Eles, certamente, fazem a diferença no atendimento, no “tête-à-tête” com a clientela. Mas não podemos, jamais, deixar no ostracismo estas mulheres. 

Hoje, várias delas empreendem os seus próprios negócios. E que bom! Se tem algo que gosto no mundo moderno é a luta pela igualdade em todas as esferas da vida.

São muitas as mulheres que merecem destaque. Mas, como o espaço aqui é limitado, homenageio cinco figuras femininas que fazem a diferença na nossa gastronomia. Vamos a elas!

Alaíde Carneiro (Alaíde Botequim)

Alaíde Carneiro é um fenômeno da nossa culinária que merece maior reconhecimento em âmbito nacional.

À frente do botequim que leva o seu nome, aqui em Beagá, ela fez fama no Rio de Janeiro, onde por mais de 30 anos foi uma das mais queridas cozinheiras da cidade. De 1984 a 2008, Alaíde esteve à frente da cozinha de um dos botecos mais famosos do Brasil, o Bracarense, localizado no Leblon, na Zona Sul da Cidade Maravilhosa. 

Depois ela se aventurou em seu próprio bar, em sociedade com o garçom mais popular do Braca, chamado Chico. O Chico e Alaíde também era no Leblon e atraiu moradores do entorno, turistas e globais. 

No segundo semestre de 2018, Alaíde veio de mala e cuia para Belo Horizonte. Mineira de Pirapora, ela abriu um pequeno e humilde botequim no bairro Planalto, na Região Norte da capital mineira. Devido ao grande sucesso, o bar se mudou, pouco depois, para um imóvel de esquina, mais amplo, no mesmo bairro.

A merecida fama do botequim se deve aos incríveis bolinhos que ela prepara, tanto é que a apelidei de Alaíde “Mãos de Fada”. Os meus preferidos são os de feijoada, de bacalhau, de caruru com vatapá, de carne seca com abóbora e de aipim com camarão e requeijão, batizado de bolinho da Alaíde. 

E ainda tem o choquinho, que é um camarão grande, frito com requeijão e coberto com batata palha caseira. 

O Alaíde Botequim fica na Avenida Doutor Cristiano Guimarães, 1389, no bairro Planalto.

Alfa Mota Martins (Bar do Zezé)

Um dos botecos mais conhecidos de Beagá é o sensacional Bar do Zezé, que fica na região do Barreiro

O simpático e bom de prosa José Batista Martins, o Zezé, é facilmente encontrado circulando entre as mesas do bar, que oferece um cardápio delicioso. 

Os destaques são os bolinhos de carne e o de milho com bacalhau. Ainda tem o jiló recheado com bacon e o “encontro marcado”, que é o prato com este mesmo jiló acompanhado por deliciosa carne de panela e angu com queijo. 

A criação e a execução destes pratos ficam por conta da esposa de Zezé, Alfa Mota Martins, a dona Alfa, que é cozinheira de mão cheia. 

O Bar do Zezé é um daqueles botecos em que você vai se dar bem ao pedir qualquer coisa do cardápio.

É a união perfeita entre a comida da dona Alfa e o atendimento do Zezé. 

Anote o endereço aí: Rua Pinheiro Chagas, 406, no Barreiro

Mariana Gontijo (Roça Grande)

Outra grande mulher da gastronomia local é Mariana Gontijo, que surgiu para os holofotes ao abrir o Roça Grande, onde prepara comida da roça, como entrega o nome do restaurante. 

Comida da roça com técnica, esmero e produtos de primeira linha vindos de pequenos agricultores. 

A galinha e o porco são caipiras. As verduras são orgânicas. Tudo é feito na banha. Como antigamente. Mas não se engane, a comida é super leve. 

Ela serve um prato feito a cada dia da semana, respeitando sempre a sazonalidade dos ingredientes. A única opção fixa semanal é a comida de reinado, composta por arroz, tutu tonto (leva um pouco de cachaça na receita), macarrão, carne de boi cozida e maionese, servida sempre às sextas-feiras.

A coxinha de galinha caipira dela também é excelente. 

O Roça Grande fica na Rua dos Timbiras, 1944, na divisa do Lourdes com o Centro. 

Eliane Assis (Tropeiro do 13)

Durante décadas, o Bar 13 serviu o feijão tropeiro mais gostoso e tradicional do Mineirão

Quem comandava a cozinha era a Dona Vina. Da chapa saiam os bifes de lombo e das panelas o tropeiro e seus acompanhamentos. 

Quem ficava no caixa era sua filha, Eliane Assis, que é quem comanda hoje o restaurante Tropeiro do 13, aberto em 2005 no bairro Planalto

O Bar 13 funcionou até 2010 no velho e saudoso Mineirão. O Mineirão do povo. O Mineirão da geral

Hoje, no restaurante, você encontra o mesmo tropeiro de antigamente, acompanhado de arroz, ovo frito, torresmo, molho de tomate e couve, além do bife de porco, é claro. Tudo sob os cuidados da Eliane. 

Anote o endereço aí: Avenida General Olímpio Mourão Filho, 190.

Dona Edna (Bar do Caixote)

De uma simpatia ímpar, dona Edna é uma cozinheira de mão cheia. É ela quem comanda a cozinha do sensacional Bar do Caixote, no São Geraldo

A divisão de trabalho no botequim funciona assim: dona Edna na cozinha e o Jorge, que é marido dela, no atendimento deste bar familiar. 

Dona Edna prepara diariamente um delicioso feijão tropeiro, além de um ótimo espaguete à bolonhesa e de um bolinho de carne de respeito. 

O Bar do Caixote fica na Avenida Itaité, 249.

* Esta coluna tem caráter opinativo e não reflete o posicionamento do grupo.
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