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Imagem: Baixa Gastronomia / Instagram / Divulgação

Desvendando o PF: origem, diferenças e erros comuns quando o assunto é prato feito

Como identificar, apreciar e valorizar um tradicional pêefe. Vem comigo!


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Nenel Neto

Entusiasta dos botecos, apresentador do Buteco 98 e jornalista do perfil Baixa Gastronomia no Instagram


Nos últimos 20 anos, o pêéfe foi sumindo dos restaurantes de Belo Horizonte, muito por culpa dos estabelecimentos de comida a quilo. Mas há muita, muita gente que não abre mão de um bom prato feito. E é isso que faz com que ele resista bravamente.

O fato de o prato chegar montado à mesa nos remete ao carinho de mãe, de avó. A sensação de que ele foi montado para você é ótima! Geralmente, tem o frescor e o sabor da comida caseira. É o prato que as pessoas comem em casa, com ingredientes comuns, mas bem preparados.

Os botecos e pequenos restaurantes não costumam oferecer muitas opções de pratos feitos. E eu gosto disso, pois menos é mais, ou você acha que todas aquelas 50 opções de salada do restaurante a quilo estarão bem feitas? 

É comum que as casas ofereçam o prato do dia, que muda de segunda a sexta.

De acordo com Paula Pinto e Silva, doutora em Antropologia Social pela Universidade de São Paulo, “o prato do dia (fixo) é a comida de casa colocada na rua, em um restaurante”. Ela afirma que, ao se estipular uma escolha do cardápio relacionada a um dia da semana, existe aí uma forma de vínculo de quem precisa comer fora com a comida. 

Em BH, você encontra feijoada em quase todos os lugares às sextas-feiras. Em São Paulo, ela é servida na quarta. Em muitos locais daqui, quinta é dia de feijão tropeiro. Se você não comer esta semana, poderá comer na outra. 

O prato do dia é a escolha que a sua região faz por você. O pêéfe é uma pequena definição do que é a gastronomia popular local. No Rio Grande do Sul, tem o “a la minuta”, que é bife, ovo e batata frita, mas que muitas vezes chega com salada, maionese de batata e feijão à parte. 

No Rio, come-se quase sempre com feijão preto. No Norte do país, se usa muita farinha e molho de tucupi com pimenta. Em Minas, não abrimos mão de uma verdurinha refogada.

Que beleza!

(Prato feito de feijoada do Bar do Futrica, em Juiz de Fora / crédito Nenel Neto)

A origem do prato feito

O prato feito é uma tradição popular do Brasil, e surgiu junto com a industrialização do país e com a urbanização das cidades. 

O objetivo era ter uma comida rápida, mas substanciosa e nutritiva, que alimentasse a massa de trabalhadores. Os primeiros restaurantes e hotéis serviam pratos à francesa para os ricos e, por outro lado, casas mais simples, botecos e botequins serviam aos operários uma comida caseira, feita geralmente pela cozinheira e esposa do dono. Eram chamadas de casas de pasto e serviam geralmente homens solteiros no intervalo do trabalho. 

(Prato executivo do Restaurante da Léia, em BH / crédito Nenel Neto)

Prato feito (comercial) X prato executivo (refeição)

No prato feito, os itens chegam arrumadinhos no prato. Às vezes o bife em vasilha separada. No prato executivo (também chamado de “refeição”), a carne e as guarnições chegam em vasilhas separadas e você mesmo se serve. Muitas vezes dá para duas pessoas.

Muitos restaurantes usam erroneamente o termo “prato executivo” para o pêéfe. Não sei se por falta de conhecimento ou para “gourmetizar”, para deixar o nome mais chique. Ah, o prato feito é também conhecido como comercial. Na próxima semana, listarei cinco belos pratos feitos para você comer em Belo Horizonte

Até lá!


* Esta coluna tem caráter opinativo e não reflete o posicionamento do grupo.
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