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Imagem: Lucas Rage / Rede 98

Quatro razões para perder a paciência no buteco!

Do sachê de ketchup ao palitinho individual, listei as coisas que me tiram do sério antes mesmo de pedir a gelada no barzinho


Entretenimento

Nenel Neto

Entusiasta dos botecos, apresentador do Buteco 98 e jornalista do perfil Baixa Gastronomia no Instagram


Seja na lanchonete ou no botequim, algumas coisas me tiram do sério. Simplesmente porque não fazem o menor sentido. Para coroar, ainda poluem este planeta que já pede socorro há um bom tempo.

É mais fácil proibir do que fiscalizar. Sem falar no velho lobby da grande indústria, que quer estar o tempo todo em todos os lugares.

Abaixo, listo alguns absurdos cada vez mais comuns, sejam por força de lei ou por total falta de noção.

Sachês de ketchup, maionese e até de molho de pimenta

Fala sério, quem é que, em sã consciência, é capaz de defender o uso dos horripilantes sachês?

A bagunça que se faz para abrir aquilo não vale o esforço. Sem contar que quase todo mundo abre os sachês com os dentes. Mas antes de meter a boca lá, essa geringonça já passou por várias mãos, pode ter certeza. Já vi pessoas desistirem de usá-la, às vezes porque pegaram mais unidades do que o necessário, e depois a devolverem para a caixinha, que fica exposta no ambiente. Acredite se quiser, em certa ocasião, um sujeito usou um destes sachês para limpar a sujeira entre os dentes e depois o devolveu, ainda fechado, para o pote em que ele estava sobre a mesa. Presenciei isso em um boteco de Belo Horizonte.

E a quantidade de lixo produzido por estes aparentemente inofensivos sachês? Precisamos realmente disso?

O ideal seria que a Vigilância Sanitária capacitasse os responsáveis por lanchonetes, carrinhos e restaurantes a utilizarem e acondicionarem bem as bisnagas. E fiscalizassem o bom uso delas, afinal, não há nada tão prazeroso quanto molhar o sanduíche com aquele molho rosé maravilhoso vindo da bisnaga. Basta ela estar limpa e bem acondicionada.

Portanto, não seja o idiota que enfia o bico da bisnaga dentro do sanduíche.

Pra finalizar, se um boteco utiliza sachê de molho pimenta, fuja para a birosca mais próxima dali.


Batata frita industrializada e congelada

Uma das comidas mais universais que existem é a batata frita. Trata-se de um dos poucos alimentos capazes de ser amado por veganos e carnívoros. Afinal, quem é que não gosta dela?

No entanto, as batatas fritas congeladas e industrializadas levam, além da própria batata, mais de 15 ingredientes, incluindo açúcar. Isso acontece também com o tubérculo servido nas grandes redes de comida rápida.

As batatas em questão tomaram lanchonetes e restaurantes de assalto não pela qualidade, mas pela praticidade. Elas são de péssima qualidade e, ao mastigá-las, nos fazem lembrar mais um isopor do que qualquer outra coisa. Aquilo pode ser tudo, menos batata de verdade.

Com algumas exceções – incluam aí cozinhas minúsculas e equipes muito reduzidas –, fritar batata industrializada e congelada é coisa de cozinheiro preguiçoso.

O azeite que não é azeite

Que atire a primeira pedra quem nunca se sentiu passado para trás em algum bar ou restaurante em relação à qualidade do azeite.

Não estou generalizando, até porque a maioria dos comerciantes é honesta. Mas a fraude dos vidros de azeite é amplamente conhecida, já que eles podem ser facilmente reutilizados. Enfim, coloca-se um produto de baixa qualidade e o oferece dentro de uma garrafinha com o rótulo de uma respeitada marca de óleo de oliva.

Esse tipo de fraude acontece muito também com aquelas azeiteiras, inclusive em restaurantes “bacaninhas”.

É por isso que sou totalmente a favor do tradicional azeite em lata, já que não é fácil encher uma lata vazia de azeite bom com outro mais barato.

Sachê de sal e plástico que cobre palito por palito

O que dizer dos sachês de sal? Péssimos, para ser bem polido neste espaço. Você tenta jogar o sal sobre a comida e ele cai todinho no mesmo lugar. É impossível distribuí-lo igualmente. E não me venha dizer que é por questão de saúde que o saleiro não fica na mesa. Dezenas de pequenos sachês deste tempero natural estão ao alcance das mãos dos comensais em bares e restaurantes pela cidade afora. Muitos deles são abertos e o restante do sal que fica dentro do papel nem utilizado é. E, a exemplo dos sachês de ketchup e companhia, tem gente que utiliza os dentes para abrir o papelzinho de sal. E o lixo, minha gente? E o lixo que isso gera? Já pararam pra pensar nisso?

Para fechar, falemos da completa insanidade que é oferecer palito por palito dentro de um plástico individual. Um absurdo total. É como se o planeta estivesse em perfeito estado de conservação e sem plástico algum nos oceanos. Quem obriga bares e restaurantes a fazer isso é, no mínimo, sem noção da realidade.

Então, deixo aqui o meu clamor: pela volta urgente dos saleiros e paliteiros!

* Esta coluna tem caráter opinativo e não reflete o posicionamento do grupo.
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