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Turismo

Imagem: Estrada Real / Divulgação

Conhecendo as Folias: sagrado folclore, profanas festas

Minas Gerais já soma quase 6 mil bens culturais reconhecidos presentes em todo o estado, entre materiais e imateriais.

Notícias

Daniel Magalhães Junqueira

Coluna de Turismo assinada por Daniel Magalhães Junqueira - Presidente do Instituto Estrada Real


Quando o assunto é o patrimônio imaterial, usamos o termo “registro” para indicar o seu reconhecimento. Podem ser considerados bens imateriais práticas importantes da identidade de grupos sociais ou indivíduos, normalmente transmitidos de geração a geração. 

Os festejos religiosos ao longo dos caminhos da Estrada Real contribuíram, e ainda contribuem consideravelmente para a formação cultural, social e política de Minas Gerais e do Brasil. Para os moradores, as festas são momentos de reviver, festejar e reverenciar a memória e preservar vivos esses patrimônios intangíveis. 

Para os turistas, é uma ótima oportunidade de embarcar na história por meio de sons, danças e costumes típicos. 

Em Minas as Folias: manifestações culturais-religiosas cujos grupos se estruturam a partir de sua devoção aos santos, são bens registrados como patrimônio imaterial.

Folia de Reis em Matias Barbosa

Festa religiosa de origem portuguesa que reproduz a viagem dos Reis Magos. Todo fim de ano, grupos de cantadores percorrem a cidade entoando versos: “Ó de casa, ó de casa / Alegra esse moradô / Que o glorioso santo Reis / Na sua porta chegô”

Jubileu do Bom Jesus

No Caminho dos Diamantes, as festividades acontecem em todos os períodos do ano. Em Milho Verde, a Folia de Reis também faz visitas às casas, decoradas com presépios, em um belo cortejo musical. 

No mesmo mês, São Sebastião é homenageado no Serro, enquanto em junho, a festa de Santo Antônio toma conta de Santo Antônio do Norte

Junho também é o mês do Jubileu de Bom Jesus de Matosinhos, que leva milhares de fiéis para Conceição do Mato Dentro.

A Vesperata de Diamantina

Diamantina é a cidade das serenatas. A mais famosa manifestação musical da cidade é a Vesperata. Dois sábados por mês, de março a outubro, as sacadas dos casarões no largo da Quitanda se transformam em palcos para a Banda de Música do 3º Batalhão de Polícia Militar e para a Banda Sinfônica Mirim Prefeito Antônio de Carvalho Cruz. A plateia assiste da rua o espetáculo com a música vindo de todas as direções. Quase que confundido com o público, fica o maestro, que do meio da multidão rege a apresentação. 

O Congado

O Congado vem do termo congo, que significa congar, dançar. É a Festa de Reinado, de tradição afro-brasileira com devoção a Nossa Senhora do Rosário. Minas tem a maior concentração de congadeiros do país, segundo a Federação dos Congados do Estado, sendo que o primeiro registro do evento data de 1711. Entra-se no Ciclo do Rosário no princípio de agosto, ainda que algumas manifestações aconteçam em períodos diferentes, como no Serro — final de junho — e em Conceição do Mato Dentro, no começo de janeiro.

Mito de Chico Rei

Segundo a tradição, Chico Rei era o rei de uma tribo do Congo e foi trazido como escravo para o Brasil. Conseguiu comprar sua alforria e a de outros conterrâneos graças a seu trabalho. Assim, ele tornou-se "rei" em Ouro Preto. 

No primeiro dia do ano, o Congado de Nossa Senhora do Rosário e Santa Efigênia ergue suas bandeiras. O encerramento acontece com um grande cortejo que vai da Igreja de Santa Efigênia à Mina de Chico Rei, onde os reis coroados são homenageados. 

Outras cidades também mantém viva a tradição do Congado, dentre elas Couto Magalhães, São João Del Rei e Tiradentes.

Semana Santa e o festival dos tapetes

Em abril, as ruas são cobertas por tapetes feitos com serragem colorida e decorados com flores. São os moradores que criam os tapetes e os turistas são convidados a completar a confecção deles. Em Junho, no Corpus Christi, as ruas também são cobertas pelos tapetes de serragem e novamente se transformam em palcos das celebrações. Nos distritos próximos também acontecem celebrações, como as cavalhadas de Amarantina, na Festa de São Gonçalo — um dos ricos marcos do patrimônio imaterial do município.  

Candombe

Candombe, no dialeto africano quimbundo, significa sala de reuniões, reza em forma de canto. Não confundir com Candomblé (o Candomblé é uma religião de matriz africana que cultua os orixás. O termo candomblé vem da junção das palavras quimbundo candombe (dança com atabaques) + iorubá ilê (casa), que significa casa da dança com atabaques)

Em Jaboticatubas, a tradição do Candombe é vista na comunidade quilombola do Açude Cipó, onde vivem várias famílias descendentes dos escravos. 

Na Estrada Real temos catalogadas 80 comunidades quilombolas

As comemorações, geralmente no último sábado de Maio e no segundo sábado de Julho e de Setembro, são regadas a muita música — com caixas de percussão, denominadas tambu, confeccionadas por antigos moradores no final do século XIX. 

Nas festividades, orações são repetidas várias vezes para agradecer a Nossa Senhora do Rosário por todas as bênçãos concedidas à comunidade. Antes do Candombe começar, deve-se fazer a reza, obrigatória, ao som de violas e cavaquinho. Qualquer pessoa, mesmo quem não pertence à comunidade do Açude, pode entrar na roda e participar. É servido bolo de fubá para os convidados e a tradicional cachaça mineira.

* Esta coluna tem caráter opinativo e não reflete o posicionamento do grupo.
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