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Imagem: Festa do Divino São Bartolomeu - Foto Ane Souz

Festa do Divino: homenagens, cores, músicas e muita fé

Agosto é o mês do Divino. Nesta época do ano, os moradores das pequenas cidades começam os preparativos para a grande festa popular


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Daniel Magalhães Junqueira

Coluna de Turismo assinada por Daniel Magalhães Junqueira - Presidente do Instituto Estrada Real


Na Festa do Divino, os devotos fazem pedidos e promessas ao Divino Espírito e também, agradecem pelas bênçãos, colheita e fartura. As quermesses, comidas e bebidas típicas de cada cidade e região, são preparadas pela comunidade, dão um toque a mais nas festividades.

No século 14, a Festa do Divino foi estabelecida pela rainha Isabel (1271-1336) por ocasião da construção da igreja do Espírito Santo, na cidade de Alenquer. A devoção difundiu rapidamente e se tornou uma das mais intensas e populares em Portugal. No Brasil, foi introduzida no início da colonização. Há documentos que atestam a realização da festa do Divino em diversas localidades brasileiras desde os séculos 17 e 18.

Em São Bartolomeu, distrito de Ouro Preto, a Festa do Divino é Patrimônio Cultural municipal protegido. O distrito que um dia foi ponto obrigatório de passagem dos Bandeirantes no final do século XVII, é uma das localidades mais antigas da região do ciclo ouro. Ali se celebra também a tradicional festa do padroeiro do distrito de mesmo nome e do Divino Espírito Santo desde o século XVIII.

Festa do Divino São Bartolomeu - FOTO: Ane Souz (Flickr)

As comemorações começam com a folia do Divino, que percorre a região durante os meses de junho e julho, pedindo prendas e contribuições para a realização da festa. A novena dedicada ao Santo acontece entre os dias 15 e 23 de agosto. O festejo continua, até o dia 26 do mesmo mês, com diversas atrações, como o famoso cortejo do imperador do Divino Espírito Santo, a tourada de São Bartolomeu e a Folia do Boi de Manta. A festa é para agradecer, e quem está de fora assistindo, agradece também, por tantos sorrisos e manifestações de alegria.

Em Lavras Novas, a Festa do Divino e da padroeira Nossa Senhora dos Prazeres, que acontece geralmente no segundo final de semana de agosto, o Divino é homenageado através da marujada. A marujada é um tipo de congado, considerada uma manifestação popular muito rica por ser uma mescla da religiosidade negra com poemas ibéricos. A programação conta com cortejo da alvorada pelas ruas da localidade, descida e troca do reinado.

Celebração do Divino Espírito Santo, em Lavras Novas - FOTO: Prefeitura Municipal de Ouro Preto

Em Itambé do Mato Dentro a Festa do Divino acontece no final de Agosto, e é abrilhantada também pela guarda dos marujos, com levantamento da bandeira do divino Espírito Santo, cortejo trazendo os festeiros, procissão luminosa com a imagem do Divino Espírito Santo com as Guardas de Marujos e espetáculo pirotécnico.

Cavalhada também é elemento marcante nos festejos da Festa do Divino, mas tem suas representações únicas. As cavalhadas são representações teatrais com base na tradição europeia da Idade Média. Uma antiga celebração que há mais de 300 anos encanta moradores e visitantes em Caeté. Realizada sempre em agosto, ela representa a luta entre cristãos e mouros pelo domínio do continente europeu. A tradição foi trazida de Portugal e é repetida em várias cidades brasileiras, mas a de Caeté, mais especificamente no distrito de Morro Vermelho, é a mais antiga do Brasil e nunca foi interrompida.

Celebrada em agosto e setembro, a Cavalhada de Nossa Senhora de Nazareth começa com um desfile de mascarados, que percorrem a cidade expulsando os males e pedindo paz para os dias de festejo. O apogeu do evento é a encenação da conversão dos mouros, com atores ricamente fantasiados.

Outras cidades da Estrada Real também festejam o Divino Espirito Santo, porém em datas diferentes. Destaque para Diamantina, onde a festa secular tem forte participação popular, e também é registrada como Patrimônio Imaterial pela prefeitura municipal.

A Festa do Divino Espírito Santo de Diamantina ocorre anualmente no domingo de Pentecostes, cinquenta dias depois da Páscoa.

A cultura é uma das maiores riquezas da Estrada Real. As festas são momentos de reviver, festejar e reverenciar a memória e preservar vivos os patrimônios intangíveis. Estrada Real: Uma estrada, seu destino!


* Esta coluna tem caráter opinativo e não reflete o posicionamento do grupo.
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