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Imagem: Acervo / Estrada Real

Os casos e “causos” da Estrada Real

Da origem de Milho verde ao sino condenado, histórias e memórias que permeiam a maior rota turística do Brasil


Entretenimento

Daniel Magalhães Junqueira

Coluna de Turismo assinada por Daniel Magalhães Junqueira - Presidente do Instituto Estrada Real


Histórias e memórias permeiam cada canto da Estrada Real. Os caminhos são ricos não só das histórias que contam nos livros, mas daquelas que são passadas no boca a boca por gerações.

As histórias e estórias contadas viram “causos” e por meio da repetição deles que um povo preserva e transmite seus conhecimentos e experiências através das gerações.

No Brasil e pela Estrada Real, os “causos” receberam a influência dos indígenas, dos africanos e dos portugueses e representam uma importante fonte de identidade cultural e social, simbolizando a perpetuação de uma tradição e preservação da memória.

Hoje iremos trazer causos curiosos de algumas localidades da Estrada Real:

A origem do nome Milho Verde

Há duas versões sobre a história de Milho Verde. Uma delas conta sobre a passagem de bandeirantes na região. Depois de muito andar, alguns deles com fome pararam na casa de um habitante local. Este habitante, Sr. Modesto, ofereceu a eles abrigo e a única coisa que tinha como alimento: milho verde.

Em outra versão, contam que apareceu na região, por volta de 1711, um português natural da Província do Ninho. Seu nome, Rodrigues Milho Verde. Esse português veio à procura de ouro e diamante, abundantes nas regiões próximas. Por meio dele, várias pessoas vieram com o mesmo objetivo, formando assim o povoado.

A mulher da rua Direita

Na cidade de Mariana, uma alma penada de uma mulher é vista perambulando pela cidade à noite. Moradores e diversos turistas juram já ter visto a assombração na Rua Direita. Segundo os relatos, a mulher aparece como uma andarilha, de roupas sujas e esfarrapadas. Mas, ao se aproximarem do vulto, a figura se transforma em uma senhora bem vestida e cheia de jóias. Pesquisadores do folclore da cidade creem que a mulher possa ser o fantasma de uma senhora rica do século 18.

A lenda da Igreja Nossa Senhora do Rosário

Em Sabará, conta a lenda que a Igreja do Rosário estava no meio de sua construção quando a Princesa Izabel assinou a Lei Áurea e libertou os escravos. Com medo da princesa se arrepender e dos senhores não os deixarem ir embora, os escravos saíram correndo em busca da tão sonhada liberdade, deixando a igreja inacabada. Os senhores ricos da época tentaram prosseguir a construção da igreja, mas não conseguiam.

Eles ordenavam que subissem algumas paredes durante o dia e as almas dos escravos que haviam morrido durante os 118 anos gastos na construção dessa igreja derrubavam tudo durante a noite.

Cabelos dourados

Conta-se que os escravos, quando trabalhavam na extração do ouro, escondiam parte do pó dourado em seus cabelos. Para retirar o ouro, colocavam os cabelos numa bacia com água e o ouro lá se depositava. Dizem que, dessa forma, muitos escravos compraram a sua liberdade e que Chico Rei conseguiu financiar a construção da Igreja Santa Efigênia, no Alto da Cruz, em Ouro Preto.

O sino condenado

Todos os sinos de São João del Rei têm nome. Em 1930, o Jerônimo, um sino, foi preso e condenado à fundição, porque matou o sineiro com uma pancada. De seu bronze nasceu o Francisco, que badala na Igreja de São Francisco de Assis.

Esses causos são apenas um pedacinho da riqueza cultural da Estrada Real. Venha ouvir e vivenciar essa história! Estrada Real: Uma estrada, seu destino!


* Esta coluna tem caráter opinativo e não reflete o posicionamento do grupo.
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