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Atlético

Imagem: Pedro Souza / Atlético

Atlético percebeu que o gol custa caro

Chegada de Diego Costa mostra percepção certeira da diretoria após sucesso de Hulk: para ter jogadores decisivos é preciso colocar a mão no bolso

Esporte

Vinícius Grissi

Comentarista Esportivo


Após a entrada dos mecenas e a remontagem do time iniciada na última temporada, o Atlético mostrou disposição para mudar seu patamar na disputa dos torneios nacionais e internacionais. Investiu muito para reformular a equipe e colheu resultado de imediato com uma boa campanha no Campeonato Brasileiro que deixou o time a uma vitória do título e classificado para a Libertadores. Chegou a 2021 como candidato a tudo. O que faltava? Poder de decisão.

Não foram poucos os jogos na temporada passada onde o Galo dominou amplamente os adversários mas fraquejou na hora de resolver. As boas jogadas do time de Sampaoli caíam em pés imprecisos e os resultados escapavam entre os dedos. Enquanto isso o Flamengo, que acabou com o título, viu Arrascaeta, Bruno Henrique, Éverton Ribeiro e Gabriel Barbosa resolverem partidas mesmo em jornadas coletivas ruins. Ter esse tipo de jogador custa muito, mas costuma garantir pontos essenciais para conquistar títulos. Não basta ter um ou dois craques para conquistar mas em meio a tantos times repletos de jogadores comuns como no nosso continente, faz toda a diferença. É o que afasta os bons elencos dos ótimos times.

Disse algumas vezes entre o fim da última temporada e o início desta que o próximo passo para o Atlético era aumentar o poder de fogo. Com o elenco montado, não seria mais necessário contratar muito e sim, contratar bem. Foram menos reforços para 2021 mas são eles que fazem a diferença até aqui.

Nacho Fernadez não era um jogador de números expressivos em assistências e gols no River Plate mas sua chegada transformou o setor ofensivo alvinegro. O meia de 31 anos não custou barato mas já entregou oito gols e seis assistências em 28 partidas pelo clube. Hulk está entre os atletas mais bem pagos do continente mas também dá grande retorno. Com 17 gols e 10 assistências em 39 partidas, é o jogador entre todos os times da Série A com o maior número de participações diretas em gols (ao lado de Gabigol). As ótimas campanhas até aqui passam diretamente pelo desempenho individual dos dois. Diego Costa chegou nesta semana também com custo elevado. Parece uma percepção da diretoria de que este tipo de atleta custa caro mas que vale a pena investir neles. Em um esporte de poucos "pontos", um gol a cada um ou dois jogos fazem enorme diferença.

É claro que nenhum jogador tem certificado de garantia. Diego Costa está sem clube desde o fim de 2020 e enfrentou alguns problemas de lesões nas últimas temporadas. Mas se não é mais o mesmo de alguns anos atrás, enfrentará por aqui desafios e defensores que também não são os mesmos da elite europeia aos quais ele se acostumou a enfrentar.

O encaixe com Hulk não me parece ser um problema. Apesar de ser o centroavante, o atual artilheiro do Atlético tem boa capacidade de mobilidade e leitura de espaços. Por muitas vezes faltou ao time alguém que pudesse aproveitar melhor os espaços gerados por suas movimentações para receber a bola mais próximo do meio-campo. Em muitos jogos Hulk precisou ser o arco e a flecha. Não deve precisar mais. Além disso, Diego Costa me parece o "casamento perfeito" para o modelo do treinador que gosta de jogadores mais físicos e de atacantes concentrados na zona central do campo.

Os impactos financeiros da chegada de Diego Costa, por conta da pouca transparência dos clubes de futebol, só começaremos a saber no ano que vem quando for divulgado o balanço desta temporada. Os impactos técnicos também vamos precisar de tempo para observar e digerir. Mas a chegada do atacante me parece um passo certeiro de um clube que percebeu a diferença que faz ter jogadores com poder de decisão. E os custos que eles geram também.

* Esta coluna tem caráter opinativo e não reflete o posicionamento do grupo.
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