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Imagem: Foto: Pedro Souza / Atlético

Copa Libertadores do Brasil?

Distância econômica para os principais rivais do continente pode transformar competições continentais em área de lazer para os brasileiros

Esporte

Vinícius Grissi

Comentarista Esportivo


Atlético, Palmeiras e Flamengo cumpriram a expectativa de favoritismo na Copa Libertadores e chegaram às semifinais da competição. O Barcelona, do Equador, é o intruso inesperado após eliminar o Fluminense e impedir que apenas clubes brasileiros disputassem o título. Uma realidade que deve virar tendência para as próximas temporadas e pode ser explicada por diversos fatores. E que pode exigir uma atitude da Conmebol para que seus torneios não percam a atratividade no médio prazo.

A verdade é que a Libertadores já vem sendo uma competição onde o título tende a ficar entre brasileiros, Boca Juniors e River Plate. Nos últimos quatro torneios, o único clube fora desta lista que chegou às semifinais foi justamente o Barcelona em 2021. Mas é improvável que os equatorianos estejam em campo no dia 27 de novembro, em Montevidéu. Pelo segundo ano consecutivo, devemos ter duas equipes do Brasil disputando o troféu.

Nas últimas sete edições, pelo menos um brasileiro chegou às semifinais. Foram sete times diferentes: Grêmio, Palmeiras (três vezes), Flamengo (duas vezes), Atlético, Santos, São Paulo e Internacional (uma vez). No mesmo período, a Argentina levou River (cinco vezes) e Boca (quatro vezes) com frequência mas só conseguiu emplacar mais um clube, o Lanus em 2017. O Equador tem o Barcelona pela segunda vez e também chegou com o Dell Valle em 2016. Tivemos ainda os mexicanos (que não disputam mais a competição) do Tigres e os paraguaios do Guarani em 2015. Ou seja: 15 equipes ficaram entre as quatro melhores do continente nos últimos sete anos e representamos praticamente a metade.

O fator econômico é o que mais ajuda a explicar. A distância financeira da liga brasileira para as demais do continente (até a Argentina) é enorme e tende a ficar maior pela situação econômica dos países. Um estudo do livro "O futebol como ele é", do jornalista Rodrigo Capelo, mostra que a tendência é que os clubes que gastam mais vençam mais vezes. Entre 2012 e 2019 no Campeonato Brasileiro, o time com maior folha salarial venceu pelo menos 41% dos jogos (em 2019 o número chegou a 51%) contra o máximo de 31% de vitórias das equipes que pagam menos salários. A distância parece pequena mas representa um abismo que fica claro se olharmos para a Libertadores. Clubes de menor orçamento dificilmente chegam.

Além disso, se antigamente era improvável que os clubes brasileiros captassem os destaques dos países vizinhos, isto tem se tornado cada vez mais comum. Os nossos adversários continentais perdem seus melhores jogadores para os mercados europeus e agora também para o Brasil. Exemplo claro foi o próprio Atlético, indo a um dos clubes mais fortes da América do Sul nesta temporada e comprando um de seus principais jogadores. Era raro. Mas deve deixar de ser.

Para evitar que o abismo transforme suas competições em versões diferentes da Copa do Brasil, a Conmebol vai precisar agir. Existem soluções possíveis mas todas elas são difíceis politicamente. A primeira seria voltar atrás no aumento das vagas aplicado recentemente. Hoje o Brasil tem sete vagas garantidas e pode chegar a nove clubes em uma mesma edição. Com menos vagas e uma competição mais enxuta, o equilíbrio tende a aumentar e a variedade de países chegando às fases decisivas também. Outra alternativa seria se unir à Concacaf e criar uma grande Libertadores da América com mexicanos e americanos, clubes de potencial financeiro igual ou maior aos brasileiros. Subiria o nível do torneio, a atratividade e a disputa. Mas causaria um grande problema logístico com o calendário atual, um impacto que precisa ser colocado na balança.

Certo é que medidas precisarão ser tomadas. Enquanto isso, brasileiros devem seguir fazendo da Libertadores a sua área de lazer.

* Esta coluna tem caráter opinativo e não reflete o posicionamento do grupo.
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