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Cruzeiro

Imagem: Gustavo Aleixo/Cruzeiro

O Cruzeiro vai para algum lugar?

Manter chama acesa até o fim é desafio difícil para um time que parece mais próximo de repetir o fracasso de 2020 do que de arrancar na Série B.

Esporte

Vinícius Grissi

Comentarista Esportivo


Após mais um empate (o 11º em 22 jogos) na Série B, Luxemburgo mostrou que já tem em mãos as contas e os planos para a reta final da competição e para colocar o Cruzeiro na briga por uma vaga no G-4. Projetou dez vitórias contra "adversários que não estão indo para lugar nenhum". Difícil é entender para qual lugar um time que não consegue decolar pretende ir.

A temporada 2021 tem muitas semelhanças com a estreia na segunda divisão. O Cruzeiro repetiu os erros e até aqui vai repetindo os resultados também. Dificuldades financeiras, erros de avaliação em contratações, entra e sai de jogadores e funcionários, técnicos com bom histórico na competição mas pouco respaldo colocando o time em situação delicada, contratação de um medalhão como aposta para salvar e melhora nos resultados para escapar do rebaixamento. O cenário até aqui é idêntico. E parece mais próximo de seguir assim até o fim da competição do que de uma arrancada repentina que possa mudar os rumos.

Pelos números e pelo desempenho. O Cruzeiro melhorou com Luxemburgo. Compete mais, erra menos e parece uma equipe mais confiável. É carta fora do baralho numa briga contra o rebaixamento ainda que siga perigosamente próximo do Z-4. E parece capaz de enfrentar de igual para igual as melhores equipes da competição como fez nos empates fora de casa contra CRB e Goiás, ainda que com pouco brilho. Mas ainda parece incapaz de conseguir o suficiente para pagar a conta dos pontos perdidos no início da competição. São nove jogos de invencibilidade mas com apenas 15 dos 27 pontos conquistados nesse período.

Com cinco vitórias em 22 partidas, é difícil imaginar que a Raposa vai conseguir cumprir a meta do treinador. Possível não é provável. Mesmo que alcance as 10 vitórias nos 16 jogos restantes, ainda não terá garantia de acesso. Os últimos anos mostram que é preciso pelo menos 61 pontos para terminar entre os quatro primeiros e o Cruzeiro tem apenas 26 até aqui. A missão é dura e Luxemburgo vai precisar de resultados melhores e um bom trabalho de vestiário para não repetir o erro de Felipão.

A conta apertada tende a ficar mais dura a cada rodada. O objetivo falado por todos dentro do clube desde o ano passado vai escapando entre os dedos a cada tropeço e a capacidade de mobilização vai se tornando cada vez menor. Natural. E foi o que aconteceu em 2020. Faltando mais de cinco rodadas para o fim da Série B já estava claro que não havia mais o que disputar e a acomodação veio de forma natural.

Manter alguma chama acesa (com bons resultados e alguma aproximação da parte de cima da tabela) é um objetivo fundamental para o treinador celeste e é mais palpável que conseguir ficar entre os quatro primeiros colocados. Assim, mesmo que o acesso não venha, o Cruzeiro pode deixar algum caminho para a temporada seguinte e indicar um norte mais animador para o futuro.

A impressão, no entanto, é que o Cruzeiro caminha para o mesmo lugar que os adversários que o seu treinador pretende vencer. Ou para lugar nenhum.

* Esta coluna tem caráter opinativo e não reflete o posicionamento do grupo.
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