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Esporte Nacional

Imagem: Lucas Figueiredo/CBF

A nova ordem de grandeza do futebol brasileiro

Clubes com mentalidade do passado vão ficando para trás em processo que foi acelerado pela pandemia e "novos grandes" já se preparam para tomar o posto

Esporte

Vinícius Grissi

Comentarista Esportivo


A pandemia da Covid-19 acelerou um processo que já estava em curso no futebol brasileiro: a mudança na ordem de grandeza dos clubes. Com menos receitas de maneira repentina, aqueles que já vinham de décadas aumentando o endividamento e empurrando para o futuro as cobranças viram a bola de neve crescer mais rápido. Na direção contrária, equipes pequenas e médias que se estruturaram na última década dão sinais cada vez mais fortes de que vão aumentar a competitividade (seja no mercado, seja em campo).

O início do Campeonato Brasileiro de 2021 é um exemplo forte, ainda que tenhamos um longo caminho a percorrer e muitas mudanças na tabela certamente vão acontecer. Clubes do nordeste como Fortaleza, Ceará e Bahia ocupam a metade de cima da tabela mesmo com orçamento bem inferior a muitos dos concorrentes que iniciam a competição atrás. Fruto da organização, que deixa a impressão que fazem mais com menos quando na verdade fazem mais porque muitas vezes "sobra" mais dinheiro. Outros como o América colecionam muitos anos de organização mas ainda sofrem para dar o passo adiante.

Na outra ponta, Cruzeiro, Vasco e Botafogo estão fora do G-4 da Série B com mais de um terço da competição disputada. O mineiro, na segunda temporada consecutiva na divisão de acesso, ainda está entre as maiores folhas salariais da disputa mas segue incapaz de se aproximar das primeiras posições. Joga para evitar mais um rebaixamento em campo e contra as contas que não param de chegar fora dele.

O futebol nacional cresceu em torno do chamado G-12. Estavam em cidades com mais dinheiro, maior capacidade de exposição à mídia e colheram os benefícios por décadas. Mais torcida, melhores cotas, patrocínios mais caros, logo, mais dinheiro. Nunca precisaram fazer tanta força para se sobressair frente aos outros porque tinham o mecanismo a seu favor. Mas enquanto o mundo mudou e o jogo também, a mentalidade de muitos destes clubes seguiu no passado. Desrespeitando processos e planejamento, pensando apenas em vencer o próximo jogo, não viram a distância encurtar. E muitos ainda não perceberam que já foram ultrapassados.

Alguns dos grandes clubes enxergaram melhor as mudanças. O Flamengo fechou a torneira enquanto era tempo e se aproveitou do maior orçamento do país para colocar a casa em ordem. O Grêmio também tem sido exemplo de capacidade de gestão, assim como o Athletico Paranaense. Palmeiras e Atlético vão tentando se arrumar ainda que apoiados em mecenas. Certamente estariam longe da competitividade atual sem eles.

É evidente que por se tratar de um esporte onde as partidas são incertas como o futebol, ainda é possível vermos nos próximos anos times devendo salários, aumentando dívida, atropelando o planejamento e ainda assim vencendo. É também claro que os clubes dos maiores centros podem se reestruturar com mais velocidade justamente por terem orçamentos maiores. Mas a nova ordem de grandeza do futebol brasileiro é para breve. Ainda é tempo de mudar ou ficar de vez para trás...

* Esta coluna tem caráter opinativo e não reflete o posicionamento do grupo.
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