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Esporte Nacional

Imagem: Divulgação / Site STJD

STJD: mais uma jabuticaba do futebol brasileiro

Tribunal volta a se tornar o centro das atenções em meio a disputa do campeonato mais importante do país com suas decisões controversas

Esporte

Vinícius Grissi

Comentarista Esportivo


Acompanho as notícias ligadas ao futebol desde que me entendo por gente. Com o avanço da internet, já são muitos anos com acesso fácil às novidades do futebol internacional. Claro que o nível de informações a respeito dos campeonatos de outros países é menor, mas são raros os momentos em que me lembro da justiça desportiva em pauta de forma controversa e gerando profundos debates. Neste assunto, o Brasil também é a exceção.

Entra ano e sai ano e em algum momento, o nosso tribunal chega ao centro das atenções. São decisões controversas relacionadas às mais diferentes instâncias do jogo. A bola da vez: a presença de público nos estádios em meio à pandemia, rachando os clubes das Séries A e B e mostrando que a criação de uma Liga com pensamento coletivo ainda é um sonho distante para o nosso futebol.

Na semana passada conversamos no Arena 98 com o diretor de futebol do Internacional, Paulo Bracks. Ele, que foi auditor da justiça desportiva antes de se tornar dirigente classificou a liminar inicialmente concedida ao Cruzeiro e posteriormente a outros clubes como "uma chancela a uma violação do regulamento". Me parece claro que se foi decidido pelos clubes e pela CBF em conselho técnico que a volta do público se daria quando todos os clubes pudessem contar com a presença de torcedores, não deveria caber ao tribunal conceder liminares liberando a venda de ingressos para apenas alguns poucos times. A isonomia já foi quebrada na Série B (onde o Cruzeiro era o único time que começou a competição com uma punição de portões fechados a ser cumprida e é, também, o único que já contou com torcedores em seus jogos). E está prestes a ser quebrada também na Série A com o Flamengo.

Ontem, também no Arena, conversamos com o colega Rodrigo Capelo. Entre muitos debates importantes sobre as finanças dos clubes mineiros (vale a pena ver a entrevista completa, disponível aqui), também perguntei sobre os impactos financeiros da insegurança jurídica do nosso futebol, assunto importante em um momento que se fala muito na criação de clubes-empresas. E ele disse muito bem que por aqui "você nunca sabe o que vai ser". As regras de hoje não são as mesmas de amanhã e tudo pode mudar a qualquer momento com uma simples canetada. Isso afasta o interesse e, por consequência, o dinheiro de possíveis investidores.

É evidente que a decisão monocrática do presidente do STJD quebra o equilíbrio do Campeonato. E pode trazer diversos outros problemas como o adiamento dos jogos em um calendário já apertado. Decisões que precisariam ser tomadas em consenso por clubes e pela CBF não podem ser atropeladas por um juiz. A justiça desportiva é necessária mas é fundamental que ela se atenha apenas ao cumprimento das regras das competições e não a outros interesses, principalmente os individuais.

* Esta coluna tem caráter opinativo e não reflete o posicionamento do grupo.
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