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Imagem: UEFA

A Eurocopa e o jogo que queremos

Principal torneio de futebol do ano escancara a distância que temos que percorrer para jogar no Brasil o jogo que realmente queremos para o futuro

Esporte

Vinícius Grissi

Comentarista Esportivo


Os emocionantes confrontos da Eurocopa 2020 (disputada em 2021 por causa da Covid-19) até aqui tem atraído olhares atentos dos amantes do futebol pelo mundo todo. Como as seleções sul-americanas não vencem uma Copa desde o penta do Brasil em 2002, é possível afirmar sem medo que o torneio é o mais importante da temporada no futebol mundial. E causa inveja em quem começa as tardes assistindo ótimos jogos e é obrigado a entrar a noite com o Campeonato Brasileiro na TV. Parece outro esporte. E é.

As diferenças não passam apenas pelas questões técnicas e táticas. Até porque, ao contrário do que acontecia até algumas décadas atrás, os melhores times do mundo hoje estão nos clubes e não nas seleções. Ainda que os treinadores possam reunir os melhores jogadores de cada país, é impossível criar padrões de comportamento, organização e mentalidade com tão pouco tempo de treinamento. Mas a qualidade que salta aos olhos de quem assiste vai muito além e está em detalhes que parecem pequenos mas fazem enorme diferença.

A começar pelo campo de jogo. Gramados impecavelmente cuidados e molhados. Este fator somado ao comportamento dos árbitros que não trabalham com o apito na boca marcando qualquer contato como faltoso, fazem o jogo fluir melhor. Mais tempo de futebol, que é o que busca quem está assistindo. O jogo fica mais acelerado e mais emocionante. Alguns deles deixam a impressão que as partidas por aqui são disputadas em câmera lenta. Pelo menos metade dos estádios utilizados na Série B, por exemplo, oferecem condições muito abaixo do mínimo aceitável. No último fim de semana o atual bicampeão nacional foi obrigado a jogar uma partida de Polo Aquático em Caxias do Sul contra o Juventude.

Outro ponto fundamental que também tem influência direta na velocidade e fluência do jogo passa pelo melhor uso da tecnologia e o comportamento dos jogadores em campo. Enquanto escrevo esta coluna, assisto Bélgica e Itália. Minutos atrás os italianos tiveram um gol anulado por impedimento pelo VAR. Tudo decidido com precisão em menos de 20 segundos. No Brasil, soma-se à insegurança dos árbitros, jogadores que querem pressionar e atrapalhar qualquer decisão. Cada falta, pênalti, impedimento ou gol é motivo para um bolo de atletas em cima do juiz, minutos de reclamação e muita demora para que a partida recomece.


Nem usarei este espaço para falar da inveja que sinto vendo os estádios europeus recebendo torcedores porque acredito que ainda não é o momento para o Brasil e também porque acredito que nossa hora está perto de chegar. Mas é inegável que a presença da torcida nas cadeiras ou arquibancadas também melhoram o ambiente e as sensações de quem joga e de quem assiste.

Todos os detalhes, por menores que pareçam, tem impacto no produto final. Não adianta pagar altos salários e conseguir contratar jogadores que fizeram sucesso nos gramados da Europa se não oferecemos a eles as mesmas condições de jogo quando estão aqui. E enquanto isso não acontecer, vamos continuar jogando outro esporte, as vezes não muito parecido com futebol.

* Esta coluna tem caráter opinativo e não reflete o posicionamento do grupo.
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