Carregando...

Esporte

Ex-vice-presidente revela bastidores da presença de Jorge Sampaoli no Atlético

Jorge Sampaoli ficou no comando técnico do Atlético por quase um ano, e optou por seguir no comando técnico do clube em 2021

Por Vinícius Silveira

Mal o técnico Jorge Sampaoli deixou o Atlético para assumir o Olympique de Marseille-FRA, algumas polêmicas em torno da presença do treinador no Galo foram externadas. Em sua conta pessoal no Twitter, o ex-vice-presidente do clube, Lasaro Cândido da Cunha postou um texto com uma série de revelações sobre os quase um ano de Sampaoli no alvinegro.

Entre muitas revelações, Lasaro disse que Sampaoli se isolava com seus auxiliares e pessoas de confiança, exigia premiações especiais e até pedia a demissão de um funcionário querido pelo clube e que estava lá há alguns anos.

Logo de início, mostrou seu perfil exigindo gratificações especiais, em total desarmonia com as gratificações dos jogadores, além de se isolar num grupo de "empregados" seus (sua equipe) e participar com sua turma das indicações e do processo de contratações. Chegou a exigir (e conseguir) a demissão de um antigo roupeiro da equipe profissional, com a justificativa que "falava muito alto". Trata-se de um roupeiro antigo, e muito querido no profissional e que conviveu com gerações de jogadores espetaculares que passaram pelo GALO”.

Lasaro não deixou de mencionar que Jorge Sampaoli e os membros da equipe participavam de festas e que uma delas “coincidiu” com um grande surto de Covid-19 no Atlético, deixando de fora o próprio treinador, membros da comissão técnica, jogadores e funcionários do clube. Na ocasião, com mais de um time de desfalques, o Galo perdeu pontos importantes no Campeonato Brasileiro.

Confira o texto na íntegra de Lasaro Cândido da Cunha

"Jorge Luis Sampaoli Moya foi técnico do Atlético por uma temporada (2020/2021).

Após comandar o Santos na temporada de 2019, e obter excelente participação no campeonato brasileiro (vice campeão), apesar de ter sido eliminado precocemente na copa do Brasil (oitavas) e dar vexame na copa Sul-Americana (eliminado ainda na primeira fase pelo River Plate do Uruguai), foi contratado a "peso de ouro" pelo GALO.

O técnico chegou ao Atlético trazendo quase que uma família (5 pessoas, incluindo um "gerente", cujas funções não eram bem esclarecidas).

Logo de início, mostrou seu perfil exigindo gratificações especiais, em total desarmonia com as gratificações dos jogadores, além de se isolar num grupo de "empregados" seus (sua equipe) e participar com sua turma das indicações e do processo de contratações. Chegou a exigir (e conseguir) a demissão de um antigo roupeiro da equipe profissional, com a justificativa que "falava muito alto". Trata-se de um roupeiro antigo, e muito querido no profissional e que conviveu com gerações de jogadores espetaculares que passaram pelo GALO.

Em relação a utilização dos jogadores da equipe, desprezou atletas que estavam no elenco, recomendando imediata rescisão, empréstimo etc, mas que posteriormente alguns desses jogadores passaram à titularidade da própria equipe por ele montada. Além disso, exigiu a contratação de determinados jogadores para depois dizer que não os queria no grupo, sem contar aqueles contratados por imposição do técnico e raramente utilizados na equipe.

Outras "atrocidades" praticou o técnico ao limitar a presença da equipe de auxiliares permanentes do ATLÉTICO aos treinos, além de intervir nas perguntas enviadas pelos jornalistas quando das "coletivas" do técnico. O ambiente para essas arbitrariedades, especialmente ligados à transparência das coletivas com os jornalistas, era propício em face do coronavírus e das limitações de acesso ao Centro de Treinamentos ou estádios dos jogos.

O mais grave, entretanto, el relação ao objetivo final almejado e os custos de todo o projeto, deve ser creditado ao treinador quando da participação dele e sua equipe em festas particulares, com aglomerações de dezenas de pessoas, sem os cuidados sanitários, o que dias depois "coincidiu" com o surto de COVID na Cidade do GALO.

Uma das festas ocorreu no dia 09 de novembro de 2020, seguida inclusive de uma "folga" suspeita (dia 10.11). Para o jogo do dia 18.11, no Mineirão contra o Atlético Paranaense - que o GALO foi derrotado por 2 x 0, vários jogadores tinham sido infectados e vetados para o jogo. O Clube continuou sofrendo com a ausência de alguns jogadores pela COVID no jogo seguinte dia 22.11 contra o Ceará (2x2) e instabilidade em vários jogos seguintes.

É importante realçar que até as festanças do técnico e sua equipe, devido aos cuidados sanitários praticados pelo Clube com a proteção dos atletas, inclusive em voos fretados em todos os jogos fora de BH, foram raros os casos de contaminação na CIDADE DO GALO.

De outro lado, é necessário realçar que o "modelo de jogo" praticado por Sampaoli, com o time tendo predomínio das ações em campo, há a necessária exigência de entrega absoluta dos jogadores na preparação física, psicológica e especialmente pela cumplicidade de todos do grupo ao objetivo comum. Tendo o comandante comportamento individualista e especialmente desprezo com o que exige dos jogadores, era evidente o descompasso do discurso à prática, resultando em consequência na queda subsequente de produção da equipe.

Na época das festanças do técnico, com desprezo as regras sanitárias, defendi a demissão por justa causa do técnico e sua equipe, já antevendo a queda de produção da equipe, especialmente tendo em vista o objetivo da conquista do título do campeonato brasileiro. É vidente que no modelo presidencial e estatutário do ATLÉTICO, apenas o presidente (apoiado pelos novos gestores-patrocinadores do Clube) teria essa atribuição e obviamente a responsabilidade dessa importante decisão.

Necessário também pontuar que a demissão do técnico por justa causa (e a cobrança integral da multa rescisória prevista em contrato), poderia sim ter efeito benéfico para conquista do título (os dois primeiros colocados do campeonato brasileiro foram exatamente os clubes que trocaram de técnicos no curso da competição).

Cabe, entretanto, reconhecer que os ônus da demissão do técnico, em caso até da equipe alcançar a mesma posição final na competição (3º colocado), seriam debitados quase que exclusivamente ao presidente do Clube. Aliás, na época e até hoje a maioria da torcida ATLETICANA não tem pleno conhecimento das "peripécias" do técnico, o que reforça a dificuldade da decisão radical de demissão do técnico no curso da temporada.

De qualquer forma, é difícil projetar as consequências de medidas drásticas contra o técnico e sua equipe, naquele contexto da competição. O certo é que as atitudes irresponsáveis do técnico foram decisivas para queda de produção da equipe e da perda do título.

Já no final do período da equipe de Sampaoli no ATLÉTICO, surgiram notícias de que o técnico já trabalhava informalmente para outra equipe (Olimpique de Marseille), culminando no penúltimo jogo do ATLÉTICO contra o Sport com o técnico valendo-se de artimanhas para "obter' a suspensão para o último jogo do GALO no campeonato. O capítulo final foi o técnico e seus auxiliares invadindo o campo de jogo com ameaças e palavrões.

De qualquer forma, é preciso lançar luzes sobre o jogo de cena do técnico Sampaoli e sua equipe.

Lásaro Cândido da Cunha

Fevereiro de 2021"

Enquete

Carregando...

Colunistas

Carregando...

Podcasts

Carregando...

Saiba mais