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Olimpíadas

Imagem: Lucas Figueiredo/CBF

O espírito Olímpico e as lições que o futebol deveria aprender

Jogos de Tóquio mostraram imagens marcantes de espírito esportivo mas os medalhistas de ouro no futebol finalizaram a campanha mostrando o quão estão a parte

Esporte

Vinícius Grissi

Comentarista Esportivo


As madrugadas viradas assistindo os mais variados esportes vão ficar na memória por muitos anos e a saudade da Olimpíada de Tóquio não demorou uma semana para bater. Acompanhamos uma competição histórica e marcada pelos problemas e dificuldades impostos pela pandemia. Foi duro, mas também bonito. E marcante para o Comitê Olímpico Brasileiro que com as suas 21 medalhas, sendo sete de ouro, teve a sua melhor campanha em todos os tempos e terminou em 12º mesmo sendo um país que investe pouquíssimo nos esportes.

No futebol masculino, o gol de Malcom na prorrogação contra a Espanha garantiu o bicampeonato olímpico. A tão sonhada medalha de ouro na modalidade preferida dos brasileiros demorou para chegar mas veio pela segunda vez consecutiva no Japão. E a comemoração mostrou que o futebol por aqui ainda tem muito a aprender com o espírito olímpico. Orientados pela cúpula da CBF, todos os atletas subiram ao pódio sem o agasalho do COB, expondo a marca da Nike e não da Peak. A única modalidade entre as 21 medalhistas que ignorou o acordo, fundamental para atletas que não recebem as mesmas benesses financeiras e que lutam diariamente para conseguir competir no nível mais alto sem o mesmo apoio. Nem mesmo a convivência na Vila Olímpica serviu para estourar a bolha.

Outros esportes também deixaram lições bonitas que podiam melhorar o ambiente e a convivência no futebol. Quem não se emocionou com os homens, mulheres, garotos e garotas do skate se abraçando aos adversários após cada exibição? Rindo de seus erros e vibrando com as conquistas dos outros na modalidade estreante? É claro que estão ali para competir e assim fizeram, mas mostraram ao mundo que é possível se divertir e aceitar as próprias falhas além de perceber que as derrotas e vitórias fazem parte do esporte, seja ele qual for.

Foi possível ver também o respeito com o qual outras atletas e boa parte da comunidade esportiva reagiu aos problemas de saúde mental escancarados pela ginasta multicampeã Simone Biles. Tratamos do assunto no Arena 98 da última semana, mas o fato é que dada a importância do tema, os debates precisam ser mais frequentes e claros. O choro de Thiago Silva na Copa do Mundo de 2014 foi tratado como um simples ato de fraqueza e tudo que vem por trás da situação mental de atletas é normalmente ignorado dia após dia por torcedores e nós, da imprensa.

Por conta da preparação dificultada pela pandemia, esta não foi uma Olimpíada dos grandes recordes e grandes vencedores como Michael Phelps ou Usain Bolt. Pelo contrário. Lendas perderam e mostraram que no mais alto nível cada pequeno detalhe pode ser fatal. Não há vexame na derrota precoce da anfitriã Naomi Osaka no tênis nem no ippon sofrido pelo bicampeão olímpico Teddy Riner no judô. Como não haveria em uma possível derrota da seleção brasileira de futebol, mas esta provavelmente seria tratada como fracassada se não voltasse com o ouro. Como se fosse simples conquistar. Bruno Fratus demorou três ciclos para conseguir sua medalha na natação. Ana Marcela Cunha brilhou na maratona aquática mas também precisou de outras duas tentativas.

A Olimpíada de 2024, em Paris, já começou. É preciso dar mais apoio e visibilidade para outros esportes para que possamos seguir ampliando o nosso recorde na competição. Para o futebol, Tóquio deixou lições esportivas e humanas que podem tornar o ambiente menos tóxico e mais divertido. Para quem compete, para quem torce e para quem assiste.

* Esta coluna tem caráter opinativo e não reflete o posicionamento do grupo.
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