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Imagem: FIFA

Há exatos 20 anos, o Brasil comemorava o pentacampeonato mundial ao derrotar a Alemanha

O pentacampeonato mundial foi amplamente comemorado pelos brasileiros, que torceram pela chamada “Família Scolari”, nome dado ao selecionado formado por Luiz Felipe Scolari


Por Vinícius Silveira

Há exatos 20 anos, a Seleção Brasileira garantia o pentacampeonato mundial após vencer a Alemanha, por 2 a 0, no Estádio Nacional de Yokohama, no Japão. Ronaldo, artilheiro da Copa do Mundo da Coreia do Sul e do Japão, hoje sócio majoritário da SAF do Cruzeiro, marcou os dois gols canarinhos.

O pentacampeonato mundial foi amplamente comemorado pelos brasileiros, que torceram pela chamada “Família Scolari”, nome dado ao selecionado formado por Luiz Felipe Scolari. Felipão comandou o selecionado até o título da Copa do Mundo oito anos depois de garantir o tetra nos Estados Unidos.

Contudo, mesmo com o final feliz, a história da Seleção Brasileira até alcançar a quinta estrela no uniforme da camisa verde e amarela foi bem tortuosa e cheia de desconfianças.

Antes da Copa do Mundo: Pós-Copa 98 é promissora, mas Brasil passa apertado nas Eliminatórias

Para sintetizar como a trajetória de quatro anos entre as Copas do Mundo da França, em 1998, e da Coreia do Sul/Japão, em 2002, foi complicada, a Seleção Brasileira foi comandada por quatro treinadores no caminho. Começou com Vanderlei Luxemburgo, teve a interinidade de Candinho, que passou o comando para Emerson Leão e finalizou com Luiz Felipe Scolari.

Entre 1998 e 1999, a Seleção Brasileira mostrou bom futebol, com alguns remanescentes da Copa do Mundo de 1998, e ainda jovens promissores como Ronaldinho Gaúcho, destaque do Grêmio. Porém, o ano 2000 não foi tão bom como todos esperavam.

Eliminatórias: Luxemburgo é demitido após críticas

O começo das Eliminatórias para a Copa do Mundo para o Brasil gerou as primeiras críticas. A seleção não rendeu tudo o que podia com os jogadores que tinha e as atuações eram contestadas. A gota d’água foi a fracassada participação nas Olimpíadas de Sidney, na Austrália. A expectativa pelo inédito outro olímpico caiu diante de Camarões, nas quartas de final. Com isso, Luxemburgo foi demitido após a vitória sobre a Bolívia, por 5 a 0, em meio a muitas pressões.

Candinho, então auxiliar de Luxemburgo ficou para completar o ano da Seleção Brasileira, comandou interinamente o selecionado canarinho na partida contra Venezuela, com goleada por 6 a 0. Quando se especulavam os nomes de Luiz Felipe Scolari (Cruzeiro), Levir Culpi (São Paulo) e até um possível retorno de Carlos Alberto Parreira (Atlético), quem assumiu o comando foi Emerson Leão, ainda em 2000, em meio a uma ótima campanha comandando o Sport Recife na Copa João Havelange.

Era Leomar: o apelido que deram a passagem de Emerson Leão na Seleção Brasileira

A estreia de Leão foi contra a Colômbia, com vitória por 1 a 0, em outubro de 2000, mas ainda em meio a campanha do Sport na Copa João Havelange, que o treinador comandava. Com a exclusividade para a Seleção após deixar o Leão da Ilha, o ano de 2001 mostraria um técnico que queria mostrar serviço, mas sem entregar os resultados esperados. Derrota inédita para o Equador e o empate com o Peru, em pleno Morumbi, acionou o gatilho de críticas.

Para aumentar a chuva de contestações, Emerson Leão convocou o volante Leomar, destaque no trabalho do treinador no Sport. Jogadores experientes como Cafu, Roberto Carlos, Rivaldo eram deixados de lado.

A chance para aliviar as pressões seria a disputa da Copa das Confederações na Coreia do Sul e no Japão. Emerson Leão causou espanto mais uma vez, e jogadores como Leomar, Carlos Germano, Fábio Costa, Zé Maria, Júlio Baptista, Robert, Ramon Menezes, Washington e Magno Alves, que se destacavam em seus clubes, ganharam uma chance.

O resultado da investida de Emerson Leão foi desastroso: eliminação nas semifinais e derrota para a Austrália na decisão do terceiro lugar. A demissão do cargo aconteceu logo depois da Copa das Confederações.

Felipão assume, fracassa na Copa América, mas classifica a Seleção para a Copa do Mundo

Luiz Felipe Scolari deixou o Cruzeiro após conquistar a Copa Sul-Minas pelo time celeste e seguiu para a Seleção Brasileira onde foi anunciado quase um ano antes do título mundial. A missão não seria das mais simples e panorama era desfavorável.

A estreia foi na derrota para o Uruguai, por 1 a 0, em Montevideo. Porém, a situação piorou com o fracasso na Copa América e a eliminação para Honduras, após derrota por 2 a 0, nas quartas de final. Naquele selecionado, alguns jogadores que viriam a ser campeões do mundo com Felipão estavam presentes, casos de Marcos, Belletti, Roque Junior, Denilson e Dida. Outros jogadores como os atacantes Guilherme e Jardel, o meia Alex e o volante Eduardo Costa ganharam uma chance, mas não foram ao Mundial.

Passada a Copa América, a missão era classificar a Seleção para a Copa do Mundo. Mesmo com derrotas para Argentina e Bolívia, fora de casa, o Brasil fez o dever de casa, derrotando Paraguai, Chile e garantiu a vaga ao vencer a Venezuela, por 3 a 0.

Felipão forma a “Família Scolari” e conquista o pentacampeonato

Classificação garantida é hora de montar a Seleção Brasileira. Para chegar aos 23 convocados, o Brasil fez sete amistosos em cinco meses e com ótimo rendimento: seis vitórias e um empate. Nomes como Gilberto Silva, Kleberson, Anderson Polga despontaram. Ronaldo, que conviveu com gravíssimas lesões no joelho entre 2000 e 2001, também foi convocado e ele seria decisivo.

Na hora da convocação final, os torcedores e a imprensa pediam por Romário. O meia Alex, que trabalhou com Felipão no Palmeiras, também pedia passagem. Djalminha, que se destacava no La Coruña-ESP tinha grandes chances, mas um ato de indisciplina contra um companheiro de clube o tirou da Copa.

Luiz Felipe Scolari não cedeu as pressões, tomou a medida impopular de deixar Romário de fora, e convocou os 23 jogadores para a Copa do Mundo. Porém, a lista sofreu uma alteração que impactou a todos. O volante Emerson sofreu uma luxação no ombro direito e foi cortado. O meia Ricardinho foi chamado para o lugar.  

A campanha não poderia ser mais bem sucedida. Com atuações consistentes e uma seleção entrosada do goleiro ao atacante, o Brasil venceu os sete compromissos que teve na Copa do Mundo: Turquia, China e Costa Rica na primeira fase. Bélgica, Inglaterra, Turquia e Alemanha. O atacante Ronaldo foi o artilheiro com oito gols, e só passou em branco contra Turquia e Inglaterra. 

Curiosamente, o goleiro Oliver Kahn foi eleito o melhor jogador da Copa do Mundo antes da final contra o Brasil. Kahn, a época, com 33 anos, só havia sofrido um gol no Mundial até então. Quis o destino que ele sofresse dois gols na decisão contra a Seleção Brasileira, dentre eles, uma falha incrível no primeiro gol canarinho.

A festa no Brasil foi completa, com torcedores que passaram o domingo festejando o pentacampeonato mundial. Na chegada ao solo brasileiro, valeu até uma cambalhota de Vampeta na rampa do Palácio do Planalto, frente ao então presidente Fernando Henrique Cardoso.

Uma história que ficou marcada e que merece ser exaltada em ano de Copa do Mundo no Catar, no final deste ano. 

Campeões do mundo:

Goleiros: Marcos (Palmeiras), Rogério Ceni (São Paulo) e Dida (Corinthians)

Laterais: Cafu (Roma-ITA), Belletti (São Paulo), Roberto Carlos (Real Madrid-ESP) e Junior (Parma-ITA)

Zagueiros: Lúcio (Bayer Leverkusen-ALE), Edmilson (Lyon-FRA), Roque Junior (Milan-ITA) e Anderson Polga (Grêmio)

Meio-campistas: Gilberto Silva (Atlético), Kleberson (Athletico-PR), Ronaldinho Gaúcho (Paris Saint-Germain-FRA), Vampeta (Corinthians), Ricardinho (Corinthians), Juninho Paulista (Flamengo) e Kaká (São Paulo)

Atacantes: Ronaldo (Internazionale-ITA), Rivaldo (Barcelona-ESP), Denilson (Bétis-ESP), Edilson (Cruzeiro) e Luizão (Grêmio).

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