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Ação contra corrupção em cadeias: delegado, policiais e advogados são presos em MG

Investigação da Força Integrada de Combate ao Crime Organizado de Minas Gerais (FICCO-MG) revelou esquema de facilitações em cadeias mineiras

Por João Henrique do Vale - Cidades08/10/2020
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A operação da Força Integrada de Combate ao Crime Organizado de Minas Gerais (FICCO-MG) contra a corrupção dentro de presídios mineiros terminou com o cumprimento de 29 mandados de prisão. Entre os presos, estão um delegado da Polícia Civil, policiais penais e agentes públicos. 

De acordo com as investigações da FICCO, que é coordenada pela Polícia Federal e composta pela Polícia Civil, Polícia Penal e Departamento Penitenciário Federal, a organização criminosa negociava vendas de vagas em unidades prisionais, vagas em determinados pavilhões, a entrada de objetos não permitidos.

"Mediante contato dos advogados, os presos tinham acesso a essas facilidades e negociavam quantias em dinheiro para que fossem beneficiados dentro das unidades. Os benefícios eram ser transferidos para pavilhões onde podiam ficar mais tranquilos, onde podiam sair das celas, pavilhões de trabalho, lugares onde teriam acesso mais fácil a celulares. E a investigação apurou, até, que houve facilitação de fuga dos detentos neste tempo", explicou o delegado Samuel Ribeiro, um dos responsáveis pelas investigações. 

De acordo com o delegado, os servidores públicos mudavam até regras internas das penitenciárias. Como por exemplo, reduziam o nível de periculosidade de presos, classificando o detento com baixa periculosidade. Assim, esse preso poderia ter benefícios dentro das cadeias. 

As investigações apontaram que um dos servidores presos durante a operação teria recebido aproximadamente R$ 2 milhões com o esquema criminoso. 

A operação 

A operação, chamada de Nelson Alegria, nome em alusão à forma jocosa como os membros da organização criminosa referiam-se ao Complexo Penitenciário de Segurança Máxima Nelson Hungria, aconteceu em 15 cidades: Belo Horizonte, Betim, Contagem, Fervedouro, Francisco Sá, Lagoa Santa, Matozinhos, Muriaé, Ouro Preto, Passo, Patrocínio, Ribeirão das Neves, Uberaba, Uberlândia e Vespasiano.

Foram cumpridos 29 mandados de prisão preventiva e 45 mandados de busca e apreensão. Foram presos seis advogados, cinco servidores públicos, ex detentos que se beneficiaram do esquema e familiares deles. Outros 13 mandados foram cumpridos de penitenciárias contra pessoas que estão presas. 

Por meio de nota, a Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp) e o Departamento Penitenciário de Minas Gerais (Depen-MG), afirmaram que não compactuam com quaisquer desvios de conduta de seus servidores. "A secretaria tem atuado, com prioridade e dentro do que prevê a lei, no combate a ações criminosas e no flagrante e investigação de posturas inadequadas com a conduta esperada de um profissional da segurança pública.