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Material apreendido em operação sugere que Backer sabia de vazamento

Documentos foram apreendidos na sede da empresa nesta terça-feira

Por João Henrique do Vale e Carol Torres - Cidades04/08/2020
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Documentos apreendidos na sede da Cervejaria Backer, no Bairro Olhos D'água, em Belo Horizonte, podem indicar que a empresa já sabia sobre o vazamento que terminou na contaminação da cerveja. Em operação conjunta nesta terça-feira, equipes do Ministério Público de Minas Gerais e da Polícia Civil apreenderam mais de mil fichas com anotações de produção. A intoxicação provocou a morte de 10 pessoas.

De acordo com a promotora de Justiça, Vanessa Fusco, da esfera criminal, essas fichas serviam para controle interno de produção e traziam anotações de “vazamento de glicol”. O material digitalizado já estava em posse do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento. Segundo a promotora, as datas das fichas apreendidas coincidem com a época em que vítimas foram intoxicadas.

A promotora ressaltou que os documentos mostram uma "desorganização no processo fabril". Também foram encontradas anotações que indicam o "vazamento de glicol", não sendo especificado se era monoetilenoglicol ou dietilenoglicol. "Essa é a grande questão. Até que ponto esse conhecimento vai levar a responsabilização penal”, afirmou Vanessa Fusco.

Todos os documentos apreendidos serão analisados pela Polícia Civil de Minas Gerais. Depois desse exame, o Ministério Público vai se manifestar sobre o caso.

Investigação

O inquérito policial aponta 29 vítimas intoxicadas por dietilenoglicol após o consumo de cervejas da Backer. Dez pessoas morreram. Perícias realizadas na empresa constataram vazamento em um tanque e diversos outros focos de contaminação.

A Polícia Civil indiciou 11 pessoas. Entre os indiciados estão: uma testemunha que mentiu no depoimento, o chefe da manutenção, responsáveis técnicos da fábrica, e três sócios da Backer. Esses últimos, responderão por intoxicação de produto alimentício.