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Cidades

MPF e PF investigam suposta vacinação de políticos e empresários em Minas

Grupo teria recebido a primeira dose da vacina da Pfizer em uma empresa de ônibus. A denúncia foi feita pela Revista Piauí

Por João Henrique do Vale

Um procedimento criminal foi aberto pelo Ministério Público Federal (MPF) para investigar a denúncia de irregularidades na vacinação contra a Covid-19 cometidas por um grupo de políticos e empresários. O grupo teria tomado na terça-feira a primeira das duas doses da vacina da Pfizer, em Belo Horizonte. A denúncia foi feita pela Revista Piauí. A Polícia Federal (PF) afirmou que também vai apurar o caso.

Segundo a publicação, os políticos e empresários, a maioria ligada ao setor de transporte de Minas Gerais, compraram o imunizante por iniciativa própria e não repassaram ao Sistema Único de Saúde (SUS). A segunda dose está prevista para ser aplicada nas cerca de cinquenta pessoas daqui a trinta dias. As duas doses custaram a cada pessoa R$ 600, ainda de acordo com a reportagem.

Segundo pessoas que se vacinaram na ocasião, os organizadores foram os irmãos Rômulo e Robson Lessa, donos da viação Saritur. Uma garagem de uma empresa do grupo foi improvisada como posto de vacinação. Entre os vacinados, segundo a Revista, estão o ex-presidente da Confederação Nacional do Transporte (CNT) e ex-senador da República, Clésio Andrade, e o deputado estadual mineiro Alencar da Silveira (PDT).

Crimes investigados 

De acordo com o MPF, caso fique comprovada a vacinação, os envolvidos podem responder criminalmente pelo ocorrido. Se a aquisição das vacinas se deu antes da data da aprovação da vacina da Pfizer pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), eles podem ser enquadrados no o crime de previsto no artigo 273, parágrafo 1º-B, I, do Código Penal. A pena é de 10 a 15 anos de reclusão e multa. 

Se a vacinação foi feita depois da aprovação da Pfizer, pode ser o crime de descaminho (art. 334-A). Neste caso, todos os que foram vacinados podem responder pelo crime de receptação. 

O que dizem os envolvidos?

Por meio de nota, a Pfizer negou qualquer venda ou distribuição de sua vacina contra a COVID-19 no Brasil fora do âmbito do Programa Nacional de Imunização. “O imunizante COMIRNATY ainda não está disponível em território brasileiro”, afirmou. A Pfizer e a BioNTech fecharam um acordo com o Ministério da Saúde contemplando o fornecimento de 100 milhões de doses da vacina contra a COVID-19 ao longo de 2021.

Já Clesio Andrade afirmou que desconhece o assunto e que está no Sul de Minas em quarentena. 

A Rádio 98 entrou em contato com o deputado estadual Alencar da Silveira e aguarda um posicionamento sobre o caso.

A empresa Saritur enviou nota dizendo que os empresários citados na reportagem "não fazem parte do corpo societário do grupo e a garagem citada não pertence à Saritur". A nota informou ainda que a diretoria da Viação Saritur desconhece o assunto.

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