98 Live - Logo
  1. News
  2. Cidades
  3. 'Valores oferecidos pela Vale não correspondem ao que é devido', diz procurador

'Valores oferecidos pela Vale não correspondem ao que é devido', diz procurador

Jarbas Soares Júnior, procurador-geral de Justiça, disse que não se pode "abrir mão de que a Vale faça ressarcimento completo". Mineradora tem até o dia 29 para efetivar proposta

Por Da redação - Cidades25/01/2021
  • whatsapp
  • facebook
  • twitter

Dois anos depois da tragédia de Brumadinho, as audiências de negociação entre a Vale, o Ministério Público de Minas Gerais (MPMG), e o Governo de Minas foram encerradas na última quinta-feira (21) sem um acordo pelos danos socioeconômicos causados pelo rompimento da barragem.

Não houve consenso em relação aos valores que deveriam ser pagos pela mineradora e foi dado à empresa o prazo até a próxima sexta-feira (29) para que uma nova proposta seja efetivada.

O procurador-geral de Justiça, Jarbas Soares Júnior, afirmou que os valores oferecidos pela Vale "não correspondem ao que é devido ao povo mineiro".

Ele ressaltou que o montante apresentado pelas instituições de Justiça e pelo Governo de Minas leva em conta os prejuízos acarretados para o Estado, como queda de arrecadação, assoberbamento dos serviços públicos e também de reparação às vítimas e à coletividade da bacia do Rio Paraopeba.

“Não podemos abrir mão de que a Vale faça o ressarcimento completo de todo o dano resultante da tragédia, ou seja, reparação integral do meio ambiente, o ressarcimento ao Estado e o atendimento aos atingidos. Se os valores não forem suficientes não serão aceitos”, disse.

Jarbas Soares, no entanto, salientou que e a união entre as instituições e o Governo foi reforçada durante o processo de negociação do acordo e que esse fator será fundamental para que a atuação no sentido de que a Vale arque com as consequências seja ainda mais exitosa.

“A partir do momento em que a empresa não se valeu da oportunidade proporcionada para que ela assumisse sua total responsabilidade pela tragédia humana, econômica e social, a decisão será do Poder Judiciário, no qual sempre confiamos e que tem dado respostas à altura do que as circunstâncias exigem. Acreditamos que a solução consensual traria uma solução adequada e célere, mas estamos prontos para buscar nos tribunais o que a população mineira merece como compensação pelo que foi submetida”, conclui o procurador-geral de Justiça.

Caso a Vale não apresente uma proposta até o dia 29, o Tribunal de Justiça remeterá, no dia 1º de fevereiro, as Ações Civis Públicas referentes ao caso para que sejam julgadas em primeira instância.