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Economia

Setor produtivo reivindica medidas para PBH frear a Covid-19 na capital

Lista inclui 10 medidas a serem implementadas pelo Executivo Municipal no combate à pandemia

Por Lucas Rage

As entidades representativas do setor produtivo de Belo Horizonte lançaram, nesta quarta-feira (10), uma lista com reivindicações direcionadas à Prefeitura da capital, visando frear a pandemia e o caos econômico que assola o município.

O documento lista dez demandas, e é divulgado 5 dias após o prefeito Alexandre Kalil decidir fechar mais uma vez os serviços não essenciais em BH.

“A população de Belo Horizonte precisa do empenho da Prefeitura na implantação de outras medidas e políticas públicas para combater o avanço da pandemia em nossa cidade e seus impactos”, afirma o grupo, em documento. Veja as demandas:

Ampliação do número de leitos 

O grupo critica a lentidão da PBH na criação de novos leitos de combate à Covid-19. Segundo ele, esta foi uma das principais reivindicações das entidades, em um ano de pandemia.

“No primeiro fechamento do comércio, que durou mais de dois meses, havia a promessa de que aquele período de paralisação era necessário para que a Prefeitura pudesse preparar o sistema de saúde para atender a população. No boletim da última terça-feira, 9 de março, tínhamos apenas 364 leitos de UTI e 868 de enfermaria na Rede do Sistema Único de Saúde no município. É necessário lembrar que em agosto tínhamos 424 leitos de UTI e 1.115 de enfermaria. Atualmente, outras capitais com poder econômico bem menor que o nosso possuem mais leitos do que a capital”, afirma

Intensificação da fiscalização

Outra reivindicação por parte das entidades é a intensificação e melhoria da fiscalização sobre quem não está respeitando os protocolos, em especial para evitar as aglomerações. 

“Lamentavelmente, as aglomerações estão acontecendo em espaços públicos. Quase todos os dias, veículos de comunicação registram aglomerações que estão acontecendo com recorrência em conhecidos locais da cidade. Hoje, ao se realizar uma denúncia pelo telefone de atendimento da Prefeitura, o serviço apenas garante que o local será vistoriado em um prazo de cinco dias. Entendemos que a fiscalização precisa ser feita no momento da denúncia, para que a aglomeração denunciada possa ser reprimida e seus promotores sejam devidamente penalizados”, declara. 

Realização de campanhas de conscientização 

O grupo pede ainda que verbas da comunicação da Prefeitura sejam destinadas a campanhas de conscientização contra a Covid-19.

“As entidades já realizam campanhas neste sentido e reiteradas vezes se colocaram à disposição da administração municipal para auxiliar no que se fizesse necessário”, afirma. 

Exigir das empresas de transporte coletivo mais ônibus 

Uma das maiores críticas por parte da população, a situação do transporte coletivo da capital também foi incluída na carta escrita pelas entidades do setor produtivo. 

Segundo o grupo, “a Prefeitura precisa exigir das empresas que operam o sistema de Transporte Coletivo em Belo Horizonte mais veículos para atender os usuários. É inegável que um ônibus lotado é cenário perfeito para a propagação do vírus. As empresas já receberam ajuda da Prefeitura e não podemos permitir que o número de ônibus seja novamente reduzido”, completa.

Esforços para garantir mais agilidade na vacinação 

Principal arma no combate à Covid-19, a vacinação é outro item incluído nas reivindicações. Segundo as entidades, é necessária a preparação de toda a logística necessária, e o esforço para a busca de vacinas para a população. 

Conexão com a região metropolitana 

As entidades fazem coro com a Associação de Prefeitos da Grande BH (Granbel), e solicitam maior interação e diálogo da PBH com municípios da Região Metropolitana. 

“Hoje, vemos cidades vizinhas adotando procedimentos diferentes para conter o avanço da doença. E todos nós sabemos que não existe fronteira para esse vírus”, explica. 

Essa semana, um encontro da Granbel buscou firmar esse diálogo entre Poderes Executivos. 21 cidades da região metropolitana participaram do encontro, que não teve a participação de Belo Horizonte.

Diálogo com o governo do Estado 

O documento pede diálogo, não só com os municípios da Grande BH, mas também com o governo do Estado.

“Além de ser a capital e maior cidade do Estado, Belo Horizonte recebe muitos pacientes vindos do interior. A pandemia do coronavírus é um inimigo sem precedentes no mundo contemporâneo. Se atuando em conjunto, de forma coordenada, já seria difícil a cidade enfrentar essa tragédia, atuando de maneira isolada o desafio é ainda maior”, explica.

Previsibilidade 

A determinação de datas definidas para o retorno e fechamento do município é outro item apontado como primordial pelo setor econômico de Belo Horizonte. No documento, o grupo critica a falta de previsão de data de retomada das atividades em BH.

“Essa falta de previsibilidade gera ainda mais insegurança em todos os empresários do comércio de bens, serviços e turismo da capital. É preciso que o Poder Executivo Municipal defina, em comum acordo, uma data para o retorno do funcionamento do comércio. Assim, os empresários e a população poderão se programar e se adequar às necessidades exigidas pelo momento”.

Apoio efetivo às empresas

“A preocupação das entidades ainda se estende na falta de medidas efetivas de socorro às empresas, tais como os subsídios do governo federal, em especial, ao programa que permitia a suspensão de contratos de trabalho e a redução de salários”, explica a carta.

O grupo pede medidas mais efetivas de auxílio nos níveis municipal, estadual e federal, para que se mantenham ativas durante a pandemia.

Diálogo com a sociedade civil organizada 

Por fim, as entidades reiteram a necessidade de a Prefeitura estabelecer “um canal permanente de diálogo para garantir também a transparência das ações”.

“Nesse fechamento que passou a vigorar a partir de sábado, todos foram pegos absolutamente de surpresa, uma vez que a postura da Prefeitura mudou radicalmente de quarta para sexta-feira. O aviso de um novo fechamento em menos de 24 horas causou ainda mais prejuízos ao nosso já tão combalido comércio. Por outro lado, esse diálogo também permite que possamos colaborar onde se fizer necessário, como, por exemplo, na contratação de profissionais de saúde e na logística da vacinação. Além disso, permite também que tenhamos um mínimo de previsibilidade de retorno das atividades”, elucida.

Assinam o documento as seguintes entidades:

  • Associação Brasileira de Bares e Restaurantes - Seccional Minas Gerais (Abrasel/MG);  
  • Associação dos Comerciantes do Hipercentro de BH; 
  • Associação Comercial do Barro Preto (Ascobap);
  • Associação Mineira de Empresas de Moda (Instituto AMEM);
  • Associação Mineira de Supermercados (Amis);
  • Associação dos Revendedores de Veículos no Estado de Minas Gerais (Assovemg);
  • Belo Horizonte Convention e Visitors Bureau (BHC&VB);
  • Câmara de Dirigentes Lojistas de Belo Horizonte (CDL/BH);
  • Câmara do Mercado Imobiliário de Minas Gerais e Sindicato do Mercado Imobiliário de Minas Gerais (CMI/Secovi/MG);
  • Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de Minas Gerais (Fecomércio/MG);
  • Federação das Indústrias de Minas Gerais (Fiemg);
  • Sindicato dos Barbeiros e Cabeleireiros e Institutos de Beleza e Similares (Sindbeleza/MG);
  • Sindicato do Comércio Atacadista de Tecidos, Vestuário e Armarinhos de Belo Horizonte (Sincateva/BH);
  • Sindicato do Comércio Varejista de Automóveis e Acessórios de Belo Horizonte (Sincopeças/BH);
  • Sindicato do Comércio Varejista de Derivados de Petróleo no Estado de Minas Gerais (Minaspetro);
  • Sindicato dos Estabelecimentos de Natação, Ginástica, Recreação e Cultura Física de Minas Gerais (SENAGIC/MG);
  • Sindicato das Indústrias de Panificação do Estado de Minas Gerais e Associação Mineira da Indústria de Panificação (Amipão);
  • Sindicato dos Transportadores de Escolares da Região Metropolitana de Belo Horizonte (SINTESC).
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