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Cruzeiro não paga dívida na FIFA e estreará na Série B com menos seis pontos

Prazo para pagar dívida envolvendo a contratação do volante Denilson expirou na última segunda-feira (18) e por isso, o clube celeste perdeu seis pontos na Série B

Por Vinícius Silveira/Adroaldo Leal - Esporte19/05/2020
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Foto: Washington Alves/Light Press/Cruzeiro

O Cruzeiro iniciará a Série B do Campeonato Brasileiro com seis pontos negativos. A agremiação celeste não conseguiu pagar o valor do empréstimo envolvendo o volante Denilson, na época, pertencente ao Al-Wahda, dos Emirados Árabes, em 2016. Ao processo não cabe mais recursos.

O valor do pagamento era de 850 mil euros, na cotação atual, mais de cinco milhões de reais. O Cruzeiro chegou a abrir negociação com o Al-Wahda, mas até o momento não conseguiu chegar a um acordo com o clube dos Emirados Árabes.

Em 14 de maio de 2018, o Cruzeiro foi julgado na Corte Arbitral do Esporte e intimado a pagar o valor ao Al-Wahda. Em 20 de fevereiro deste ano, o time celeste foi notificado pela FIFA para quitar o débito e tinha 90 dias para efetuá-lo. O prazo expirou na última segunda-feira (18).

Após a divulgação da informação, o Cruzeiro emitiu nota em seu site oficial, alegando não ter recebido nenhuma notificação por parte da FIFA sobre a punição. Confira a nota oficial.

“O Cruzeiro Esporte Clube segue trabalhando firmemente para evitar as consequências do não pagamento ao Al-Wahda de mais de 5 milhões da dívida pelo empréstimo do volante Denilson, contratado em 2016. O prazo venceu nesta segunda-feira, 18. E por causa deste processo, que não cabe mais recursos na Fifa, o clube celeste pode sofrer a punição de seis pontos na Série B do Campeonato Brasileiro. No entanto, a direção do Clube ainda não recebeu nenhuma comunicação oficial, e o Cruzeiro está finalizando a negociação com o clube dos Emirados Árabes.

As tratativas com o Al-Wahda vinham se desenvolvendo positivamente nas últimas semanas, embora a troca iminente na direção do clube, com as eleições para presidente na próxima quinta-feira, 21, também tenham colaborado para dificultar as negociações. Outra dificuldade, além da falta de receitas da Raposa, que teve seus recursos ‘varridos’ na antiga administração, é o atual momento, com a pandemia da Covid-19, o coronavírus.

“Estamos negociando com o Al-Wahda e vamos seguir até o último minuto, aguardando um desfecho positivo, para que o Cruzeiro não seja penalizado com a perda de pontos. Estamos vivendo um momento de exceção, em que o mundo está sofrendo com as consequências desta crise com o Coronavírus. Todos sabem da falta de recursos do Cruzeiro e o Clube teve suas receitas ainda mais comprometidas pela situação de pandemia”, explicou Sandro Gonzalez, CEO do Conselho Gestor, falando sobre as negociações com o clube árabe.

“Vínhamos tentando um adiamento para o segundo semestre, mas os dirigentes do Al-Wahda foram taxativos. Eles disseram que o processo corre há mais de quatro anos na Fifa e ninguém do Cruzeiro, nenhum dirigente neste período todo, procurou o Al-Wahda para buscar um acordo. Eles disseram que se sentiram frustrados e descrentes, e que por isso não poderiam facilitar nada para o Cruzeiro neste momento. Nós explicamos a eles que o clube também foi uma vítima de tudo o que aconteceu nos últimos anos, que agora são outras pessoas que estão à frente da instituição, e que temos a total intenção de resolver. Já tínhamos tratativas avançadas desde a semana passada, e vamos fazer de tudo para evitar qualquer tipo de punição ao Cruzeiro”, ressaltou Sandro.

Os dois pré-candidatos à presidência do Cruzeiro foram comunicados sobre a situação deste processo na Fifa”.

O Cruzeiro ainda tem mais dois débitos a serem pagos na FIFA. A contratação do zagueiro equatoriano Caicedo, do Independiente Del Valle, no final de 2016, e a aquisição do atacante Willian, em 2014, que na época pertencia ao Metalist Kharkiv, da Ucrânia. No entanto, com o desmembramento do clube ucraniano, a dívida ficou a ser paga para o Zorya FC. O prazo para pagar o Zorya vence no dia 29 deste mês.

No final de janeiro, a direção do Cruzeiro revelou que entre 2020 e 2022 teria mais de 80 milhões de reais para pagar à FIFA.