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Severa com isolamento, Nova Zelândia zera casos de covid-19 e anuncia reabertura

De acordo com a primeira-ministra Jacinda Ardern, todas as restrições restantes sobre pessoas e empresas, exceto os controles de fronteira, serão encerradas à meia-noite de segunda, abrindo caminho para uma retomada da vida normal

Por Estadão Conteúdo - Internacional08/06/2020
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 A Nova Zelândia não tem mais nenhum caso ativo do novo coronavírus. Autoridades do país anunciaram nesta segunda-feira, 8, que o último paciente que estava em isolamento social recebeu alta. O país agora se prepara para o fim das últimas restrições de isolamento, que devem acontecer imediatamente.

De acordo com a primeira-ministra Jacinda Ardern, todas as restrições restantes sobre pessoas e empresas, exceto os controles de fronteira, serão encerradas à meia-noite de segunda, abrindo caminho para uma retomada da vida normal.

A nação do Pacífico Sul relatou anteriormente que o último de seus pacientes com coronavírus se recuperou, tornando-o um dos poucos países do mundo a erradicar com sucesso o vírus e o primeiro entre os que sofreram um surto considerável.

"Nós nos unimos de maneiras sem precedentes para esmagar o vírus", disse Ardern em uma entrevista coletiva em Wellington. "Nosso objetivo era sair do outro lado o mais rápido e seguro possível. Agora temos uma vantagem em nossa recuperação econômica."

Em vez de tentar apenas suprimir a transmissão do vírus, a Nova Zelândia adotou uma estratégia de eliminação. O país aplicou regras severas de isolamento social, impedindo a circulação de pessoas e permitindo apenas que serviços essenciais funcionassem. Embora uma das consequências da medida possa ser uma recessão econômica, o governo espera que o fim da pandemia permita que a economia se recupere mais rapidamente do que em outros países.

O levantamento das medidas de distanciamento social, que vieram mais cedo do que o esperado, impulsionaram ainda mais os 50 principais índices de ações do país. Apenas nesta segunda-feira, houve aumento de 3,2%, tornando-se a primeira grande referência na Ásia-Pacífico a acabar com as perdas no fechamento do mercado

O lockdown de sete semanas na Nova Zelândia terminou em 14 de maio e, sem novos casos por mais de duas semanas, o gabinete decidiu nesta segunda que era seguro baixar o nível de alerta do país para 1.

Isso significa que não haverá limitações em negócios, viagens domésticas, reuniões públicas ou eventos esportivos. As pessoas só serão solicitadas a registrar onde estiveram para ajudar no rastreamento da doença, em caso de uma nova onda do vírus.

Retomada, impactos políticos e planos pós-coronavírus

Por sua capacidade de gerir a crise, Ardern ganhou elogios dentro e fora do país. O apoio à primeira-ministra e ao seu Partido Trabalhista aumentou nas pesquisas de opinião recentes, forçando o principal partido da oposição a substituir seu líder em menos de quatro meses das eleições gerais. Não chega a ser uma conclusão precipitada dizer que Ardern chegará à vitória na votação de 19 de setembro, mesmo com a expectativa de que o desemprego suba nos próximos meses.

A fronteira fechada está afetando pesadamente o setor de turismo, que era a maior fonte de receita cambial do país antes da pandemia. Atualmente, apenas residentes em retorno - e alguns trabalhadores estrangeiros com habilidades especializadas às quais foi concedida uma isenção - são atualmente permitidos no país, e todos devem atender a uma quarentena de 14 dias.

Ainda assim, a remoção das regras de distanciamento social dará um "impulso significativo" à economia da Nova Zelândia, alimentando a confiança, disse Stephen Toplis, chefe de pesquisa do Bank of New Zealand, em Wellington. "A confiança tem um enorme impacto nos gastos dos consumidores e nas atividades de investimento. E já existem evidências de que os gastos das famílias superam nossas expectativas", afirmou.

E há sinais iniciais de que o status da Nova Zelândia como um paraíso livre de vírus funcionará a seu favor. O ministro da Educação disse que o país pode se tornar um destino ainda mais desejável no futuro para estudantes estrangeiros, mesmo que precisem servir uma quarentena de duas semanas na chegada.

A Nova Zelândia também está em negociações com a Austrália para abrir a chamada bolha de viagens, embora Ardern tenha dito hoje que "precisará agir com cautela", já que a Austrália ainda tem transmissão comunitária do vírus.

"Devemos permanecer atentos à situação global e à dura realidade de que o vírus estará em nosso mundo por algum tempo", disse ela "Estamos confiantes de que eliminamos a transmissão do vírus na Nova Zelândia por enquanto, mas a eliminação não é um ponto no tempo, é um esforço sustentado."

A teoria por trás da estratégia de eliminação da Nova Zelândia é que a covid-19 tem um período de incubação mais longo que a gripe - uma média de cinco a seis dias e duas semanas, em comparação com apenas dois a três dias da gripe. Isso significa que as autoridades têm tempo para identificar e isolar aqueles que estiveram em contato com uma pessoa infectada antes que eles próprios se tornassem infecciosos.

A Nova Zelândia registrou um total de 1.504 casos confirmados e 22 mortes. Não há um novo caso há 17 dias.