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Sociedade, parlamentares e STF reagem a assassinato de homem negro no Carrefour

No Dia da Consciência Negra, reações de revolta em relação ao caso tomaram conta das redes sociais

Por Da redação - Polícia20/11/2020
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No Dia da Consciência Negra, mensagens nas redes sociais traçam um paralelo entre a celebração da data e a indignação provocada pelo caso do homem negro que foi espancado até a morte por seguranças de um supermercado Carrefour de Porto Alegre, na noite de desta quinta-feira (19).

No Twitter, o assunto está entre os mais comentados no Brasil. Entre os dez Trend Topics da rede, sete são relacionados ao tema Já o termo "Carrefour" alcançou o primeiro lugar dos assuntos mais comentados no mundo.

Ministros do Supremo Tribunal Federal foram as redes sociais declarar indignação com o caso. Para Alexandre de Moraes "o bárbaro homicídio praticado no Carrefour escancara a obrigação de sermos implacáveis no combate ao racismo estrutural". Na mesma linha, Gilmar Mendes, que aderiu a hashtag "#vidasnegrasimportam", publicou que "o episódio só demonstra que a luta contra o racismo e contra a barbárie está longe de acabar."

Em um intervalo de poucas horas, as mensagens em tom positivo sobre o Dia da Consciência Negra, de luta contra o combate ao racismo, deram lugar às manifestações de revolta de parlamentares após a repercussão da morte de João Alberto Silveira Freitas, que foi espancado até a morte por seguranças no estacionamento do supermercado Carrefour na capital do Rio Grande do Sul.

No inicio da manhã, enquanto os governadores da Bahia, Rui Costa (PT), e do Maranhão, Flávio Dino (PCdoB), publicavam em suas contas pessoais no Twitter mensagens em alusão ao Dia da Consciência Negra, as repercussões do caso da morte de João Alberto começavam a tomar forma.

Uma das primeiras manifestações foi a do governador do Estado, Eduardo Leite (PSDB), que lamentou a morte e declarou o compromisso com a investigação rigorosa do caso "para que haja consequência deste ato lamentável". Também no Twitter, o correligionário João Doria (PSDB), governador de São Paulo, declarou que o caso "causa repulsa e indignação", destacando que "estas cenas de racismo demonstram o quanto precisamos evoluir para termos uma sociedade mais justa e igualitária."

O caso também foi repercutido pelo deputado Bohn Gass (PT-RS), que no Twitter disse que a data é de "revolta no lugar de celebração". Na mesma linha, Gleisi Hoffmann (PT-PR) publicou que "combater o racismo é condição para construir uma sociedade justa e igualitária. Vidas negras importam sim. Não pode ser só discurso. Quantas vidas mais serão perdidas?". Já a deputada federal Tarília Petrone (PSOL-RJ) publicou que "são tempos que nos exigem cada vez mais radicalidade na ação. Seguimos em luta até que mais nenhum de nós seja vítima da barbárie e do racismo!"

Durante a manhã no Twitter, o termo "Carrefour" ficou entre os assuntos mais comentados do mundo. No Brasil, quatro dos cinco assuntos mais comentados da rede é relacionado ao tema.

Boicote

O caso enfureceu cidadãos nas redes sociais, que passaram a defender boicote à rede varejista e organizar protestos em frente a unidades da companhia nesta sexta-feira (20) Dia da Consciência Negra.

Os usuários do Twitter rechaçaram a nota oficial do Carrefour Brasil com explicações sobre as medidas tomadas após o ocorrido. Até o começo da tarde, havia cerca de 3,5 mil comentários com xingamentos e acusações pelo novo episódio de violência nas imediações da companhia.

As manifestações de revolta partiram de perfis variados nas redes sociais. O ator e comediante Leandro Ramos (do grupo Choque de Cultura) sugeriu um boicote ao Carrefour, numa postagem com 10 mil curtidas na rede social. "Então, como é que a gente vai fazer pra organizar um boicote sério ao Carrefour?", escreveu Ramos.

O fundador da MRV, maior construtora residencial do País, Rubens Menin, também condenou o ocorrido, porém sem citar nomes. "Deprimente caso da morte de homem negro por seguranças no supermercado do RS, exatamente no dia da consciência negra. Até quando???", postou o empresário.

O perfil Favelado Investidor, do jovem Murilo Duarte, que também é bastante conhecido na comunidade do fintwit, fez postagem com xingamento à rede varejista e teve mais de 2 mil curtidas.

O ex-juiz e ministro da Justiça Sergio Moro lamentou que em pleno Dia da Consciência Negra o destaque do noticiário é o espancamento e morte de um cidadão negro em um supermercado. "A violência racial não pode mais ser tolerada. Que os assassinos sejam punidos com rigor. Minha solidariedade aos familiares e amigos", postou Moro.

A crescente repercussão negativa nas redes sociais pode vir a impactar o desempenho no Carrefour no Brasil, faltando uma semana para a Black Friday, uma das datas de maior movimento para o varejo nacional.

No fim da manhã, representantes de movimentos sociais e vereadores negros eleitos para a Câmara Municipal de Porto Alegre se reuniram para uma manifestação em frente à unidade do Carrefour onde o caso de violência aconteceu. Mais protestos estavam sendo convocados nas redes para o mesmo local.

A candidata do PCdoB que está no segundo turno da corrida eleitoral na capital gaúcha, Manuela D'Ávila, se manifestou dizendo que não é possível se calar diante do racismo e apoiou o protesto que cobrava responsabilização do Carrefour e prestava solidariedade à família da vítima.

Com Estadão Conteúdo

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