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Polícia

Sociedade, parlamentares e STF reagem a assassinato de homem negro no Carrefour

No Dia da Consciência Negra, reações de revolta em relação ao caso tomaram conta das redes sociais

Por Da redação

No Dia da Consciência Negra, mensagens nas redes sociais traçam um paralelo entre a celebração da data e a indignação provocada pelo caso do homem negro que foi espancado até a morte por seguranças de um supermercado Carrefour de Porto Alegre, na noite de desta quinta-feira (19).

No Twitter, o assunto está entre os mais comentados no Brasil. Entre os dez Trend Topics da rede, sete são relacionados ao tema Já o termo "Carrefour" alcançou o primeiro lugar dos assuntos mais comentados no mundo.

Ministros do Supremo Tribunal Federal foram as redes sociais declarar indignação com o caso. Para Alexandre de Moraes "o bárbaro homicídio praticado no Carrefour escancara a obrigação de sermos implacáveis no combate ao racismo estrutural". Na mesma linha, Gilmar Mendes, que aderiu a hashtag "#vidasnegrasimportam", publicou que "o episódio só demonstra que a luta contra o racismo e contra a barbárie está longe de acabar."

Em um intervalo de poucas horas, as mensagens em tom positivo sobre o Dia da Consciência Negra, de luta contra o combate ao racismo, deram lugar às manifestações de revolta de parlamentares após a repercussão da morte de João Alberto Silveira Freitas, que foi espancado até a morte por seguranças no estacionamento do supermercado Carrefour na capital do Rio Grande do Sul.

No inicio da manhã, enquanto os governadores da Bahia, Rui Costa (PT), e do Maranhão, Flávio Dino (PCdoB), publicavam em suas contas pessoais no Twitter mensagens em alusão ao Dia da Consciência Negra, as repercussões do caso da morte de João Alberto começavam a tomar forma.

Uma das primeiras manifestações foi a do governador do Estado, Eduardo Leite (PSDB), que lamentou a morte e declarou o compromisso com a investigação rigorosa do caso "para que haja consequência deste ato lamentável". Também no Twitter, o correligionário João Doria (PSDB), governador de São Paulo, declarou que o caso "causa repulsa e indignação", destacando que "estas cenas de racismo demonstram o quanto precisamos evoluir para termos uma sociedade mais justa e igualitária."

O caso também foi repercutido pelo deputado Bohn Gass (PT-RS), que no Twitter disse que a data é de "revolta no lugar de celebração". Na mesma linha, Gleisi Hoffmann (PT-PR) publicou que "combater o racismo é condição para construir uma sociedade justa e igualitária. Vidas negras importam sim. Não pode ser só discurso. Quantas vidas mais serão perdidas?". Já a deputada federal Tarília Petrone (PSOL-RJ) publicou que "são tempos que nos exigem cada vez mais radicalidade na ação. Seguimos em luta até que mais nenhum de nós seja vítima da barbárie e do racismo!"

Durante a manhã no Twitter, o termo "Carrefour" ficou entre os assuntos mais comentados do mundo. No Brasil, quatro dos cinco assuntos mais comentados da rede é relacionado ao tema.

Boicote

O caso enfureceu cidadãos nas redes sociais, que passaram a defender boicote à rede varejista e organizar protestos em frente a unidades da companhia nesta sexta-feira (20) Dia da Consciência Negra.

Os usuários do Twitter rechaçaram a nota oficial do Carrefour Brasil com explicações sobre as medidas tomadas após o ocorrido. Até o começo da tarde, havia cerca de 3,5 mil comentários com xingamentos e acusações pelo novo episódio de violência nas imediações da companhia.

As manifestações de revolta partiram de perfis variados nas redes sociais. O ator e comediante Leandro Ramos (do grupo Choque de Cultura) sugeriu um boicote ao Carrefour, numa postagem com 10 mil curtidas na rede social. "Então, como é que a gente vai fazer pra organizar um boicote sério ao Carrefour?", escreveu Ramos.

O fundador da MRV, maior construtora residencial do País, Rubens Menin, também condenou o ocorrido, porém sem citar nomes. "Deprimente caso da morte de homem negro por seguranças no supermercado do RS, exatamente no dia da consciência negra. Até quando???", postou o empresário.

O perfil Favelado Investidor, do jovem Murilo Duarte, que também é bastante conhecido na comunidade do fintwit, fez postagem com xingamento à rede varejista e teve mais de 2 mil curtidas.

O ex-juiz e ministro da Justiça Sergio Moro lamentou que em pleno Dia da Consciência Negra o destaque do noticiário é o espancamento e morte de um cidadão negro em um supermercado. "A violência racial não pode mais ser tolerada. Que os assassinos sejam punidos com rigor. Minha solidariedade aos familiares e amigos", postou Moro.

A crescente repercussão negativa nas redes sociais pode vir a impactar o desempenho no Carrefour no Brasil, faltando uma semana para a Black Friday, uma das datas de maior movimento para o varejo nacional.

No fim da manhã, representantes de movimentos sociais e vereadores negros eleitos para a Câmara Municipal de Porto Alegre se reuniram para uma manifestação em frente à unidade do Carrefour onde o caso de violência aconteceu. Mais protestos estavam sendo convocados nas redes para o mesmo local.

A candidata do PCdoB que está no segundo turno da corrida eleitoral na capital gaúcha, Manuela D'Ávila, se manifestou dizendo que não é possível se calar diante do racismo e apoiou o protesto que cobrava responsabilização do Carrefour e prestava solidariedade à família da vítima.

Com Estadão Conteúdo

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