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Ernesto Araújo conversa com secretário dos EUA para tentar fortalecer relações

Itamaraty disse que os dois "identificaram ampla agenda de ação conjunta em temas comerciais e de investimentos, na defesa e promoção da democracia, na questão do clima e meio ambiente, em direitos humanos e no enfrentamento da Covid, entre outros"

Por Da redação - Política11/02/2021
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O chanceler Ernesto Araújo e o secretário de Estado americano, Antony Blinken, conversaram nesta quinta-feira, 11, pelo telefone. A ligação foi o primeiro contato de alto escalão entre os governos de Jair Bolsonaro e Joe Biden, desde que o democrata tomou posse, no último dia 20.

Segundo o Itamaraty, os dois "confirmaram o compromisso com o contínuo fortalecimento das relações" entre os dois países e "identificaram ampla agenda de ação conjunta em temas comerciais e de investimentos, na defesa e promoção da democracia, na questão do clima e meio ambiente, em direitos humanos e no enfrentamento da Covid, entre outros". O Departamento de Estado americano ainda não divulgou informações sobre o conteúdo da conversa.

A vitória de Joe Biden na eleição americana e o início do governo do democrata representam um desafio para a política externa adotada pelo Brasil nos últimos dois anos. Bolsonaro fez declarações públicas de admiração ao republicano Donald Trump e disse apoiar a reeleição do ex-presidente contra Biden. O presidente brasileiro demorou a parabenizar Biden pela vitória na eleição - foi o último líder do G20 a fazê-lo - e optou por enviar uma carta ao americano após a posse. Até agora, os dois presidentes não conversaram pelo telefone - algo que Biden americano já fez com aliados próximos, como os presidentes do México e Canadá, e também com líderes de países com quem os EUA têm relações delicadas, como Vladimir Putin, da Rússia, e Xi Jinping, da China.

Nesta semana, o governo Biden afinou o discurso sobre a futura relação com o Brasil. Em entrevistas, representantes da Casa Branca e do Departamento de Estado ressaltaram a parceria de dois séculos entre os dois países e disseram que a cooperação será valorizada. A agenda comum em torno de temas econômicos servirá para abrir caminho para discussões delicadas, como agenda ambiental e proteção de direitos humanos, segundo porta-vozes do governo Biden. Nos bastidores, Itamaraty e Planalto também têm feito movimentos de aproximação do novo governo americano, que tem promovido uma guinada na política externa adotada por Trump, de quem Bolsonaro se dizia aliado.

A preocupação com a questão ambiental é um eixo da política externa de Biden. Durante a campanha eleitoral, o democrata disse que iria "reunir o mundo" para oferecer um fundo de US$ 20 bilhões para proteger a Amazônia e afirmou que o Brasil sofreria consequências econômicas caso não se comprometesse com a preservação da floresta. No primeiro ano do governo Bolsonaro, as manchetes de jornais internacionais destacaram o aumento das queimadas na Amazônia, o afrouxamento da regulação ambiental no Brasil e as falas do presidente e de Araújo, com críticas ao que classificavam como um "alarmismo climático".

Na semana passada, o governo Biden recebeu um relatório de ativistas e integrantes de ONGs internacionais, além de acadêmicos, com críticas ao governo Bolsonaro, inclusive na parte ambiental. A pauta do democrata contrasta com a visão defendida por Bolsonaro sobre meio ambiente. Mas o governo americano, segundo analistas e assessores da Casa Branca, buscará a cooperação no âmbito internacional, mesmo que haja divergências com Bolsonaro. No segundo mandato de Obama, Biden ficou encarregado da relação com a América Latina, como vice-presidente. Desde então, é visto como um político com conhecimento e interesse sobre o Brasil.

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