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“Retaliação”, diz ex-chefe da BHTrans sobre retirada de cobradores dos ônibus

Em fala à CPI da Caixa-Preta na Câmara, Célio Bouzada afirmou que redução no efetivo foi resposta das empresas de ônibus ao não aumento das tarifas na capital

Por Lucas Rage - Política09/06/2021
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(PBH / Divulgação)

O ex-presidente da BHTrans, Célio Bouzada, apresentou uma resposta para a ausência de cobradores nas linhas de ônibus de Belo Horizonte. Segundo ele, a demissão dos profissionais foi uma “retaliação” das empresas contra a decisão da Prefeitura de BH de não conceder o reajuste de tarifas do transporte público municipal.

Bouzada é o segundo a depor na CPI da Caixa-Preta, comissão especial da Câmara Municipal de BH que investiga os contratos das empresas de ônibus da capital. De acordo com o ex-chefe da BHTrans, as empresas retiraram os cobradores das linhas diante da ausência de um reajuste na passagem dos ônibus de BH. Veja os principais pontos do depoimento de Bouzada.

Contratos defasados

Ainda segundo Bouzada, os contratos com as concessionárias — em vigor desde 2008 — não previram as mudanças tecnológicas no transporte coletivo municipal. A defasagem contratual já havia sido abordada por seu sucessor na presidência da BHTrans, Diogo Prosdocimi, em fala à CPI.

Conforme ele, há necessidade de revisão dos contratos, para que se adequem à nova realidade do município.

Sem ilegalidade

O ex-presidente da BHTrans negou a existência de qualquer ilegalidade entre a empresa e as concessionárias, bem como a existência de cargos privilegiados no quadro de servidores do órgão. 

O presidente descartou também irregularidades no não pagamento de multas. Segundo ele, o processo judicial é lento e segue a lei. E que multas não pagas são incluídas na dívida ativa

Auditorias

Questionado pelos vereadores, Bouzada ressaltou a necessidade de se fazer uma auditoria nas empresas, para saber se elas realmente tiveram prejuízos em face à pandemia. 

Segundo ele, houve uma queda de 60% no movimento de passageiros, em decorrência da aplicação de regras de distanciamento social no município.

“Pavão vaidoso”

O clima da reunião esquentou durante questionamentos feitos pelo presidente da comissão, vereador Gabriel Azevedo (Sem Partido). Segundo o parlamentar, Bouzada teria recebido recursos do Sindicato de Empresas de Transporte de Passageiros de Belo Horizonte (SetraBH) para ministrar curso em uma universidade de BH, em 2017. À época, Bouzada já era presidente da BHTrans.

Bouzada afirmou não saber o valor recebido, e disse ter sido “ingênuo” em aceitar dar aulas em um curso patrocinado pelas empresas de ônibus. A resposta desagradou Azevedo, que chamou o ex-presidente da BHTrans de “pavão vaidoso”.