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Saída de Moro causa reações de autoridades, panelaço e divisão entre apoiadores

Veja as principais manifestações logo após a demissão de Sérgio Moro nesta sexta-feira

Por Fernando Motta - Política24/04/2020
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Várias lideranças do país repercutem a saída de Sérgio Moro do Ministério da Justiça nesta sexta-feira (24).

Pelo Twitter, o governador de Minas, Romeu Zema, lamentou o pedido de demissão. "Lamento profundamente a saída de Sérgio Moro do Ministério da Justiça. Manifesto minha admiração por tudo que Moro representa ao país no combate à corrupção, seja como juiz ou ministro. O Brasil agradece o trabalho e dedicação daquele que trouxe mais esperança para o nosso povo", escreveu Zema.

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Luís Roberto Barroso, disse que a demissão representa o arrefecimento do esforço de transformação do Brasil. A afirmação de Barroso foi feita durante uma transmissão ao vivo organizada pela XP Investimentos que transcorria ao mesmo tempo em que o agora ex-ministro Sergio Moro fazia seu pronunciamento de desligamento da pasta.

"Sergio Moro representou a face da Operação Lava Jato, que transcendeu o fato de ser uma operação policial e judicial e passou a ser um símbolo", disse Barroso. A Operação Lava Jato, de acordo com o ministro do STF passou a ocupar um espaço no imaginário social brasileiro, que é a superação de uma velha ordem em que era legítimo a apropriação privada do Estado e desvio de dinheiro público

O presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Felipe Santa Cruz, afirmou que a instituição irá analisar os indícios de crimes apontados pelo ex-ministro Sergio Moro durante o pronunciamento. O ex-juiz da Lava Jato afirmou que deixava o cargo após o presidente Jair Bolsonaro declarar que pretende interferir no comando e na autonomia da Polícia Federal.

As lideranças do Podemos comentaram em nota a saída de Sergio Moro do cargo de ministro da Justiça e Segurança Pública. No texto, o partido afirma que a saída do ex-juiz é "a derrota da ética". O Podemos afirma que o desligamento de Moro representa o afastamento do governo Bolsonaro do "sentimento popular e do combate à corrupção".

"Esperamos e estaremos atentos para que as mudanças não coloquem em risco os avanços obtidos e que o Brasil seja um país mais igual e justo", diz o texto assinado pela deputada federal Renata Abreu, presidente nacional do Podemos; pelo senador Álvaro Dias, líder do partido no Senado Federal, e também pelo deputado federal Léo Moraes, líder do partido na Câmara dos Deputados.

O governador de São Paulo, João Doria (PSDB), iniciou a coletiva diária do governo estadual que trata das atualizações sobre a pandemia do novo coronavírus lamentando o pedido de demissão. Segundo Doria, a saída de Moro representa um "golpe na justiça, liberdade e democracia do Brasil". Ao dirigir solidariedade ao ex-ministro, Doria elogiou sua atuação à frente do Ministério. Ele agradeceu Moro pela relação "republicana" com as autoridades da Justiça e Segurança Pública de São Paulo e afirmou que o ex-ministro "cumpriu seu papel brilhantemente" enquanto esteve na pasta. Doria ainda completou afirmando que o ex-ministro "mudou a história do País" durante a época que era juiz da Operação Lava Jato.

Panelaços

A demissão de Sérgio Moro gerou protestos. Enquanto Moro anunciava a demissão, transmitida por TV, rádio e internet, e ao final das declarações, pessoas foram às janelas para gritar contra o governo Jair Bolsonaro.

Houve relatos de gritos e panelaços em Belo Horizonte, São Paulo, Brasília, Rio de Janeiro, Recife, Florianópolis e Fortaleza.

Divisão nas redes sociais

Apoiadores influentes do presidente Jair Bolsonaro tiveram diferentes reações nas redes sociais: houve quem criticasse Moro, quem reafirmasse apoio ao presidente e quem dissesse que estava deixando de sustentar o governo.

Entre os que escolheram a fidelidade ao presidente da República está o deputado Daniel Silveira (PSL-RJ), que publicou na Quinta-feira em seu Twitter que uma demissão de Moro não aconteceria. "Me garantiram que não pediu demissão e foi verdade Ontem, não pediu. Hoje é outro dia. #FechadoComBolsonaro". Usuária seguida no Twitter pelo próprio Bolsonaro, Angel Brasil disse que deixa de seguir Moro e atribuiu o pedido de demissão a "puro capricho". Não é superman, não. Decepção", tuitou Angel.

Outro perfil bolsonarista seguido por Bolsonaro, Tony Stark Patriota classificou como "estranhas" as declarações de Moro. "Nunca vi um juiz sair atirando assim. Muita vaidade envolvida. Estou muito triste com a saída do Moro, mas votei no Jair Bolsonaro".

O blogueiro bolsonarista Ítalo Lorezon tuitou que "quem abandonar Bolsonaro não o trocará por Moro, mas por Mourão", em referência ao vice-presidente da República, constantemente alvo de ataques por parte dos simpatizantes do presidente. Lorenzon também escreveu que "Moro já está em campanha".

A advogada da família Bolsonaro, Karina Kufa, escreveu aos seus quase 40 mil seguidores no Twitter que pode afirmar que "Jair é honesto e quer o bem do País". O deputado federal Carlos Jordy (PSL-RJ) lamentou a decisão de Moro, mas escreveu que "mais lamentável ainda é a maneira como saiu".

Apoiador influente de Bolsonaro, o escritor Xico Graziano foi lacônico: "Se o Sergio Moro sai, saio junto", tuitou, marcando o usuário do agora ex-ministro da Justiça. Depois, escreveu que Moro "será o próximo presidente da República" por ser o "candidato da união nacional contra a corrupção e pela decência na vida pública".

O pastor Silas Malafaia criticou Bolsonaro. Disse que apesar de ser "aliado do presidente", não é "alienado" e que faltou a Bolsonaro "habilidade política nessa hora". "Sei que é atribuição do presidente nomear diretor da PF, só que ele deu a Moro carta branca. Inadmissível", publicou o líder evangélico.

(Com Agência Estado)

(Foto: Marcello Casal Jr. Agência Brasil)

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