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BH tem recorde de casos de Covid-19 em 24h; Dr. Carlos Starling avalia surto

Cidade registrou 199 novos casos, nesta segunda-feira; para médico infectologista, momento é de calma

Por Lucas Rage - Saúde04/05/2020
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Belo Horizonte registrou, nesta segunda-feira (04), o maior pico de casos confirmados de Covid-19 em 24 horas. 

Boletim divulgado pela Secretaria de Estado de Saúde aponta 825 registros do novo coronavírus, na capital mineira. O número representa uma alta de 199 confirmações, em comparação com os 626 casos confirmados no domingo (03).

Para o médico infectologista, Doutor Carlos Starling, a disparada nos casos pode ser creditada a vários fatores:

“Os dados epidemiológicos vão sofrer essas variações mesmo. Em função de notificações que são feitas. Às vezes uma instituição faz um número maior de notificações em um dia. A segunda-feira pega os dados acumulados do fim de semana, além do número de testes ter aumentado, e vai continuar aumentando. A cada dia chegam mais testes para serem aplicados. E também têm casos antigos, com o material armazenado, que vão sendo testados. Com isso temos uma flutuação positiva dessa curva, afirma.

O integrante do Comitê de Enfrentamento à Covid-19 em BH alerta que a alta, entretanto, não é indicativa de que Belo Horizonte tenha alcançado o pico para a pandemia. 

Não há uma tendência de aumento abrupto. Isso pode vir a acontecer sim — como vem acontecendo em outros locais”, disse ele.

Starling alertou para a política de relaxamento do isolamento social que vem sendo adotada por outros municípios, e como isso pode afetar os números de BH.

“Nós vivemos em uma metrópole, então tá tudo interligado. Se você adota uma política um pouco diferente em um município desse, isso afeta dados de Belo Horizonte, com certeza. Então nós podemos, sim, ter identificação de muitos mais casos nos próximos dias”.

BH inicia testagem amostral

Em entrevista ao Programa Central 98, Starling explicou como serão utilizados os novos testes que chegaram a BH nos últimos dias.

“Eles vão ser aplicados de acordo com um critério amostral, que reflita todas as regiões e diferentes classes sociais da cidade. Tem que ser algo semelhante a uma pesquisa eleitoral, como diz o Prefeito. É preciso fazer um inquérito para saber qual porcentagem da população está com uma resposta imunológica a esse vírus”

O infectologista voltou a reforçar a importância do isolamento social, nesta etapa da pandemia. “A quarentena, o isolamento social, é fundamental. Para nos aproximar de medidas mais efetivas de tratamento. Além de nós, com o tempo, irmos convivendo com o vírus com diferentes passagens no ser humano. Com isso nós tendemos a conviver com um vírus menos agressivo”, explica. 

Situação dos leitos em BH

Ainda segundo o membro do comitê de enfrentamento à Covid, BH ainda enfrenta uma situação confortável, no que diz respeito a leitos hospitalares destinados à doença.

Até o final da semana tínhamos, no máximo, 30, 35% desses leitos ocupados. É uma situação de um conforto preocupante. Não é algo para relaxarmos, sair todo mundo pra rua. Não é isso. A epidemia é um dia após o outro”, conta. 

O especialista toma o exemplo de estados vizinhos para elevar o alerta do combate à doença em BH. “O número de casos deu uma aumentada nesse novo boletim, então é hora de ficar muito atento a esses dados. Temos visto o que tem acontecido com os nossos vizinhos: São Paulo, Rio de Janeiro. Então nós devemos tomar um cuidado extremo, reitera.

Flexibilização

Conforme o médico, o comitê formado pela Prefeitura com o objetivo de retomar a economia já tem discutido medidas de flexibilização do isolamento social. “É importante deixar muito claro que, desde o início do isolamento social e o fechamento de boa parte das atividades de comércio e não essenciais, isso já vem sendo pensado e discutido. Criamos ferramentas novas para que a população entenda o que está sendo proposto”, conta.

“É uma nova normalidade. É um novo jeito de nos relacionarmos. Com distanciamento social, com uso de máscaras, com uma série de cuidados que são absolutamente necessários para que essa epidemia não fique indo e voltando”, completa.

Segundo Starling, o comitê estuda uma forma intermitente de conduzir o isolamento e o distanciamento social, em conjunto com as atividades comerciais da cidade. “O comitê tem uma preocupação enorme com o retorno à normalidade. Entretanto, não pode ser uma coisa feita à revelia. Estamos vivendo um momento delicado, em que todo cuidado é pouco”.

Velocímetro Covid-19

O médico infectologista ainda explicou o funcionamento do velocímetro Covid-19, ferramenta de monitoramento da doença que será anunciada hoje pela Prefeitura. 

“É uma maneira da própria população ir entendendo se é o momento de se flexibilizar ou não. (...) São ferramentas de comunicação com a população. Tentando traduzir da forma mais clara o possível o momento da epidemia”

Para o médico, o velocímetro vai oferecer à população variáveis que possibilitam — de maneira didática — os pormenores do novo coronavírus. “[A ferramenta vai mostrar] onde nós estamos: podemos relaxar ou podemos pisar no freio? Essa é a ideia: transmitir de uma forma muito simples os dados epidemiológicos. Como está a situação dos hospitais, se estamos com risco de exaustão dos leitos destinados aos pacientes, os leitos de Terapia Intensiva. Enfim: como está a situação da cidade. São criados mecanismos e formas simples de explicar esses dados epidemiológicos, esses indicadores. Essa é a intenção: comunicar de uma forma mais clara o momento da epidemia”.

Hospital de Campanha

O Doutor Carlos Starling avaliou o Hospital de Campanha construído no Expominas como uma “reserva técnica” no combate à Covid-19. “Que serve não só para Belo Horizonte, mas para o Estado inteiro. Recebemos pacientes de um raio de 300 km. São pessoas que vem para cá para serem atendidas, uma vez que não é toda cidade no interior que tem capacidade para atender um número maior de pessoas. Principalmente no que diz respeito à síndrome respiratória”. 

Segundo ele, os mais de 700 leitos de terapia intensiva instalados no local vão servir como um plano de contingência. “Isso tudo tem sido pensado para que a epidemia seja manejada com o mínimo de sofrimento para a população”.

Abertura de covas em BH

Por fim, o Doutor Starling analisou a medida tomada pelo prefeito Alexandre Kalil, de abrir 1,9 mil covas nos cemitérios municipais de BH. Para ele, a medida é cabível. “Se não tivermos até mesmo esse tipo de cuidado, nós podemos ter problemas em um futuro breve com enterros. Estamos vendo isso acontecer em Manaus, em Belém, em outras cidades. Precisamos trabalhar com o melhor e o pior cenário. Torcendo para ficar com o melhor cenário.

“Não podemos simplesmente achar que está tudo bem e não nos preocupar com o pior cenário. Precisamos pensar em tudo”, finaliza.