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Um mês de Covid-19 em BH: cidade tem curva estável e desafios

Nessa quinta-feira (16), Belo Horizonte completa um mês de combate à Covid-19 com 383 casos confirmados e 7 mortes

Por Fernando Motta - Saúde16/04/2020
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Belo Horizonte completou nesta quinta-feira (16) um mês desde a confirmação do primeiro caso da Covid-19. De acordo com o último balanço divulgado pela Secretaria de Saúde do Estado, a capital mineira contabiliza sete mortes e 383 casos da doença.

A 98 FM preparou um panorama mostrando a evolução dos casos de coronavírus em Belo Horizonte (veja os gráficos abaixo), as opções de tratamento, comportamento da doença no organismo dos pacientes e os principais desafios enfrentados pelos profissionais de saúde.

O Central 98 conversou com o doutor Marcelo Lopes Ribeiro, gestor em saúde pública e especialista em emergências médicas e atendimento a múltiplas vítimas, que contou como tem sido o trabalho nas unidades de saúde (confira os tópicos abaixo e o vídeo ao final da matéria).

Os gráficos abaixo mostram o crescimento do número de casos confirmados e mortes pela Covid-19 neste primeiro mês:

Pacientes têm chegado com sintomas leves

De acordo com o doutor Marcelo Lopes Ribeiro, um levantamento feito pela Associação Médica de Minas Gerais (AMMG) mostra que cerca de apenas 10% dos pacientes que chegam buscando atendimento são graves.

"As pessoas estão chegando com sintomas iniciais da enfermidade e com isso a gente está podendo tratar ela um pouquinho melhor. Alguns pacientes que ficaram mais graves, foi mais no início deste mês, pensando que era apenas uma gripezinha e não a Covid", explicou.

Segundo ele, um grupo da AMMG tem feito reuniões quase diariamente para mapear a situação dos pacientes que entram nos hospitais em Minas.

Tratamento é individualizado

Segundo o médico, a forma de tratamento da doença tem sido a maior dúvida da população. Ele afirma que a Associação Médica tem sido bem enfática em dizer que o tratamento é individualizado, já que o vírus causa reações diferentes em cada organismo. "Não existe receita de bolo. Eu tenho que entender como que está o nível da enfermidade para saber com qual medicamento tratar. É uma enfermidade totalmente nova. Ela muta completamente diferente em cada um. Se eu pego dois pacientes com os mesmos dias de evolução, ela reage de forma diferente no organismo de cada pessoa", explicou.

Como tem sido o tratamento

O doutor Marcelo Lopes Ribeiro deu alguns exemplos de opções para tratamento da Covid-19 nos hospitais.

Segundo o médico, um tratamento inicial já com intubação tem demonstrado bons resultados. "O paciente reage muito melhor do que se eu ficar esperando", disse.

Ribeiro afirmou que a cloroquina tem uma ação anti-inflamatória e parece atordoar o vírus. "Alguns pacientes a gente antecipa isso, se ele tiver alguma alteração laboratorial", disse.

Ele afirmou ainda que os corticoides têm demonstrado eficácia, se bem administrados. "No início, corticoide estava contraindicado porque altera um pouco a imunidade. Mas a gente fazendo doses pontuais de pulsoterapia com corticoide, a gente consegue amenizar e acelerar um pouco mais", explicou.

O médico citou também um medicamento usado para tratamento de piolhos, que em breve poderá ser uma opção. "Existem trabalhos também falando de uma medicação chamada Ivermectina, que a gente usa para piolho, para você ter uma ideia. Na Austrália, alguns tratamentos tiveram benefício com isso e melhorou um pouco a sintomatologia", avaliou.

Falta de EPIs

Um dos maiores problemas enfrentados pelos profissionais de saúde foi a falta de Equipamentos de Proteção Individual (EPIs). "Ficamos desguarnecidos, principalmente no serviço público. Faltou muito EPI. Houve sim uma falha muito grande do poder público nesse sentido. Nós médicos sentimos muito isso na pele. Eu mesmo, na segunda-feira, internei um colega meu e uma colega enfermeira na CTI do Hospital Vera Cruz", contou.

Queda de atendimentos

Apesar dessa época do ano favorecer o aumento de casos de doenças respiratórias, o médico disse que o isolamento fez cair também o atendimento desses casos.

"As pessoas não indo para as escolas e locais de grande aglomeração, também diminuiu isso. A gente teve uma queda gigantesca no atendimento das gripes, pneumonias e asma. Isso nos deu um alívio maior"

A menor circulação nas vias públicas causou também uma diminuição dos registros de outros casos nos hospitais. O Hospital de Pronto-Socorro João XXIII, segundo o médico, teve queda de 2/3 dos seus atendimentos. "Diminuiu questão de tiro, faca, assaltos, acidentes de trânsito. Com isso, o hospital acabou ficando um pouco mais protegido. Com isso, abriu a possibilidade de ter mais leitos para pacientes com infecções respiratórias", disse.

Boa recuperação em BH

"Em Belo Horizonte, nós tivemos uma ação diferente dos outros locais. Nosso índice de recuperação é o melhor do país", afirmou o médico. Segundo ele, isso se deve ao trabalho do comitê criado pela Prefeitura de Belo Horizonte para o enfrentamento do Covid-19.


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