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Saúde

Vacinação contra a Covid-19: entenda as etapas de cada imunizante no Brasil

A Rádio 98 fez o levantamento com base nas informações divulgadas pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa)

Por João Henrique do Vale, Carol Torres e Lucas Rage

Com a vacinação contra a Covid-19 em andamento em vários países, a ansiedade e as dúvidas aumentam na população brasileira. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) já iniciou a análise e o registro de algumas fases do processo para o uso das vacinas no Brasil.

Quatro laboratórios e empresas estão com processo em análise na Anvisa: Astrazeneca/Fiocruz, Sinovac/Butantan, Pfizer e Janssen. Os dois primeiros já conseguiram autorização para o uso emergencial. Porém, precisam ainda completar algumas etapas para terem autorização e serem liberadas para aplicar a dose em toda a população. As vacinas Sputnik V e Covaxin/Bharat/Biotech foram incluídas em outra categoria de análise, pois solicitaram, até agora, apenas as Boas Práticas de Fabricação.

A Pfizer foi a primeira a conseguir o registro definitivo da vacina contra a Covid-19. A autorização foi concedida pela Anvisa em 23 de fevereiro.

A Rádio 98 fez um levantamento para mostrar como estão as análises preliminares de registro de cada vacina. A cada mudança, esta reportagem será atualizada.

Fase 1

Nesta etapa, os testes são feitos em humanos para avaliar a segurança e possíveis reações no local da aplicação da vacina ou no organismo. É também nesta fase que pode ser avaliada a sua capacidade de gerar os anticorpos contra o novo coronavírus, a chamada imunogenicidade da vacina.

Situação das vacinas:

Astrazeneca/Fiocruz: Entregou os dados parciais resumidos em 4 de dezembro, e os dados completos em 22 de dezembro. As análises já foram concluídas.

Sinovac/Butantan: Entregou o resumo dos estudos de fase 1/2 em 30 de novembro. Análise já concluída pela Anvisa.

Pfizer: Entregou os dados interinos do estudo de fase 1/2 em 26 de novembro. Análise já concluída pela Anvisa.

Janssen: Entregou os dados parciais de segurança e imunogenicidade em 30 de novembro. Análise já concluída pela Anvisa.

Fase 2

As empresas avaliam a dose, a forma de vacinação e a capacidade de gerar anticorpos contra o novo coronavírus na população. Também é analisada a faixa etária que deverá ser indicada para receber a vacina. A segurança também é avaliada nesta fase.

Astrazeneca/Fiocruz: Entregou os dados parciais resumidos em 4 de dezembro, e os dados completos em 22 de dezembro. Estudos já concluídos pela Anvisa.

Sinovac/Butantan: Entregou o resumo dos estudos de fase 1/2 em 30 de novembro. Análise já concluída pela Anvisa.

Pfizer: Entregou os dados interinos do estudo de fase 1/2 em 26 de novembro. Análise já concluída pela Anvisa.

Janssen: Entregou os dados parciais de segurança e imunogenicidade em 30 de novembro. Análise já concluída pela Anvisa.

Fase 3

Testes são feitos em um grupo grande da população para avaliar a segurança e a eficácia da vacina. O intuito é provar se o imunizante é, de fato, capaz de proteger contra a doença.

Astrazeneca/Fiocruz: Entregou os dados sobre resultados-chave parciais, dados primários de eficácia e segurança, e documentos gerais complementares. Todos as análises foram concluídas pela Anvisa.

Sinovac/Butantan: Entregou os documentos e a análise foi concluída.

Pfizer: Entregou os dados primários de eficácia e segurança da fase 3 em 15 de dezembro. A análise já foi concluída.

Janssen: Documentos não apresentados.

Pedido de uso emergencial

A solicitação é realizada antes do registro final para aplicar a vacina em um grupo específico da população. Podem fazer o pedido, empresa fabricante ou importadora da vacina que esteja presente no território brasileiro. A solicitação pode acontecer com a fase 3 em andamento.

As empresas têm que enviar os seguintes dados: de estudos não clínicos e clínicos, de qualidade, boas práticas de fabricação, estratégias de monitoramento e controle, resultados provisórios de ensaios clínicos, entre outras evidências científicas. Terão que apresentar, ainda, informações que comprovem que a fabricação e a estabilidade são adequadas para garantir a qualidade da vacina.

A autorização de uso emergencial e temporária é restrita a um público previamente definido. Ela não substitui o registro sanitário.

Astrazeneca/Fiocruz: Fez a solicitação em 8 de dezembro. A Diretoria Colegiada da Anvisa (Dicol) aprovou em 17 de janeiro, por unanimidade, a autorização temporária de uso emergencial da vacina.  

Sinovac/Butantan: Pedido foi feito em 8 de dezembro. A Diretoria Colegiada da Anvisa (Dicol) aprovou em 17 de janeiro, por unanimidade, a autorização temporária de uso emergencial da vacina.  

A autorização foi condicionada à assinatura de um Termo de Compromisso. Esse Termo de Compromisso determina que, até 28 de fevereiro, seja realizada e apresentada à Anvisa a complementação dos estudos de imunogenicidade, conforme aprovado no desenho de estudo clínico fase III da vacina. A chamada imunogenicidade é a capacidade, por exemplo, de uma vacina incentivar o organismo a produzir anticorpos contra o agente causador da doença. 

Pfizer: A empresa informou que não irá submeter sua vacina para o uso emergencial no Brasil. A Pfizer afirmou, em nota, que as condições estabelecidas pela Anvisa requerem análises específicas para o Brasil, o que leva mais tempo de preparação. Um exemplo é a solicitação de uma análise dos dados levantados exclusivamente na população brasileira, o que demanda tempo e avaliações estatísticas específicas. Outras agências regulatórias que possuem o processo de uso emergencial analisam os dados dos estudos em sua totalidade, sem pedir um recorte para avaliação de populações específicas.

A submissão de uso emergencial também pede detalhes do quantitativo de doses e cronograma que será utilizado no país, pontos que só poderão ser definidos na celebração do contrato definitivo. Por isso, com base na regulamentação atual definida para uso emergencial, a companhia entende que o processo de submissão contínua é o mais célere neste momento. A Pfizer já submeteu à Anvisa, pelo processo de submissão contínua, os resultados de estudos da Fase 3. 

Janssen: Não solicitado

Pedido de registro

Os profissionais da Anvisa revisam todos os documentos técnicos e regulatórios para verificar os dados de segurança e eficácia, bem como avaliar a qualidade da vacina. O registro concedido pela Anvisa é o sinal verde para que a vacina seja comercializada e disponibilizada no país. A análise, desta etapa, é de aproximadamente 60 dias. Porém, uma força-tarefa será montada na agência para agilizar essa análise.

Astrazeneca/Fiocruz: Solicitado em 29 de janeiro. Ainda em análise.

Sinovac/Butantan: Não solicitado.

Pfizer: Autorização foi concedida pela Anvisa em 23 de fevereiro. A empresa é a primeira a obter o registro definitivo no Brasil.

Janssen: Não solicitado.

Certificação de Boas Práticas de Fabricação

Essa aprovação é realizada por inspetores qualificados. A ação é para garantir que uma fábrica, em qualquer lugar do mundo, cumpra com os requisitos determinados pela legislação brasileira. São avaliadas as estruturas físicas das áreas de produção, armazenamento e laboratórios de controle de qualidade, além de toda a documentação do sistema de garantia de qualidade da empresa. 

Astrazeneca/Fiocruz: Inspeção realizada de 7 a 11 de dezembro. A certificação foi publicada em 23 de dezembro.

Sinovac/Butantan: Inspeção realizada de 30 de novembro a 4 de dezembro. A certificação foi publicada em 21 de dezembro.

Pfizer:  Quatro empresas participam do processo de fabricação da vacina desenvolvida pela Pfizer/BioNTech contra a covid-19. De acordo com a Anvisa, a verificação do cumprimento das boas práticas de fabricação dessas empresas está sendo feita de diferentes formas. Uma empresa já conta com inspeção feita diretamente pela agência, duas foram inspecionadas por autoridade reguladora equivalente e a quarta ainda enviará informações requeridas pelo órgão após a análise técnica inicial. 

Janssen:  Certificados publicados em 28 de dezembro, 19 de janeiro e 11 de fevereiro.

Dados de tecnologia farmacêutica

Informações que têm como objetivo demonstrar que o produto será fabricado com qualidade e de forma consistente, dentro das especificações de uso. Esses dados também determinam o prazo de validade do produto. 

Astrazeneca/Fiocruz: Entregou os dados preliminares de tecnologia farmacêutica, como produção, controle de qualidade, e estabilidade, em 10 de dezembro. Enviou, ainda, dados complementares. Análises foram concluídas pela Anvisa

Sinovac/Butantan: Entregou os dados preliminares de tecnologia farmacêutica, como produção, controle de qualidade, e estabilidade, em 10 de dezembro. Análise já foi concluída.

Pfizer: Entregou os dados preliminares de tecnologia farmacêutica, como produção, controle de qualidade, e estabilidade, em 3 de dezembro. Estudo concluído.  

Janssen: Entregou os dados preliminares de tecnologia farmacêutica, como produção, controle de qualidade, e estabilidade, em 27 de novembro. A primeira análise já foi concluída. Um pacote com dados complementares foram entregues. Este estudo segue em análise.  

Informações complementares

As vacinas Sputnik V e Covaxin/Bharat/Biotech foram incluídas em outra categoria de análise, pois solicitaram, até agora, apenas as Boas Práticas de Fabricação.

A Sputnik solicitou autorização de uso emergencial, mas esse pedido foi devolvido para a empresa solicitante em 16 de janeiro, devido à necessidade de complementação de dados.

Já a empresa responsável pela vacina Covaxin no Brasil reafirmou que considera importante e que deseja realizar o estudo clínico de fase 3 no país.  

Eficácia global

A eficácia geral é medida, durante os testes da vacina, comparando-se a quantidade de todos os casos (leves, moderados ou graves) que foram registrados de covid-19 entre os voluntários que foram vacinados e os voluntários que receberam placebo.

Astrazeneca/Fiocruz: Artigo científico divulgado em dezembro na revista The Lancet, indica eficácia de 70% em adultos com menos de 55 anos, com base em dados de três países: Brasil, Reino Unido e África do Sul. O número supera a eficácia mínima de 50% estabelecida pela Anvisa para dar aprovação a um imunizante contra a Covid-19. Um dado muito importante evidenciado neste estudo foi a confirmação da capacidade da vacina na prevenção de 100% das hospitalizações e formas graves da doença. 

Sinovac/Butantan: A vacina Coronavac teve 50,38% de eficácia global nos testes realizados no Brasil. O índice aponta a capacidade da vacina de proteger em todos os casos – sejam eles leves, moderados ou graves. O número mínimo recomendado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) é de 50%.

Ao longo do estudo de eficácia no Brasil, 252 voluntários tiveram covid-19 de forma leve (sem necessidade de ajuda médica ), sendo que 85 deles haviam tomado vacina e 167, placebo (uma substância inócua). Dentre os voluntários no Brasil, 4.653 tomaram essa vacina e 4.599 tomaram placebo. 

Já o resultado de eficácia dos casos leves, em pacientes que precisaram receber alguma assistência médica, foi de 77,96%, sendo que sete pessoas haviam recebido a vacina, e outras 31, placebo.

Pfizer: A farmacêutica Pfizer anunciou que sua vacina contra a covid-19, elaborada em parceria com a empresa alemã BioNTech, é segura e tem 95% de eficácia.

Janssen: Não informado.

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