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Cidades

Imagem: Amira Hissa / PBH

“Abusiva”, diz prefeito Alexandre Kalil sobre greve dos ônibus em BH

Prefeito participou de audiência remota, intermediada pelo Tribunal Regional do Trabalho, que discute a paralisação

Por Lucas Rage

O prefeito de Belo Horizonte, Alexandre Kalil, classificou como “abusiva” a paralisação de funcionários de empresas de ônibus, que acontece desde segunda-feira na capital.

Kalil participou de audiência de conciliação entre empregados e empresas de ônibus, intermediada de forma remota pelo Tribunal Regional do Trabalho (TRT/MG). Além do prefeito, participaram do encontro o presidente da BHTrans, Diogo Prosdoscimi, e o Procurador-Geral do Município, Castellar Guimarães Filho.

“A greve é abusiva, ela desobedece frontalmente a decisão de vossa excelência ontem. Temos linha com 0%, temos piquetes, estamos descobertos, com uma desobediência à justiça flagrante” afirmou Kalil, em fala ao desembargador Dr Fernando Luiz Gonçalves Rios Neto, 1º vice-presidente do TRT. 

“Temos como mensurar cada carro, cada ônibus que sai. A cada minuto, a cada ponto que para, por sistema de GPS. Nós temos prova de que a greve tem a intenção de levar o caos, por que não há porque levar o caos para a população. Se tivesse sido cumprida a ordem desse tribunal, estaríamos discutindo o tema com mais calma. Tivemos no máximo o número de 30 e poucos por cento de linhas [circulando]”, completou.

Reajustes de passagens

Em sua fala, Kalil ainda descartou um eventual reajuste de passagens de ônibus na capital. “Vamos lembrar que ela está na justiça, em uma ação que o Setra impetrou. Precisamos aguardar a decisão judicial para avaliar se podemos estudar ou não o reajuste em 26 de dezembro, que é a previsão contratual”, afirmou Kalil.

“Precisamos esperar a decisão da justiça, de uma ação que o próprio Setra impetrou, para que esse estudo seja feito”, completou.

Em resposta à declaração, o advogado Dênio Moreira, representante do Setra-BH, sugeriu que a Prefeitura celebre o contrato firmado entre concessionárias e BHTrans. Segundo o sindicato, o reajuste não precisa ser repassado para os passageiros, e sim com recursos oriundos de outras arrecadações do município.

“Estamos imbuídos, sim, para que haja o retorno imediato da prestação do serviço. Precisamos prestar um serviço público eficiente e contínuo nas ruas. Mas também precisamos de respeito aos contratos. Ajuizamos sim, duas ações, para que ela [PBH] cumpra o contrato. Simplesmente que ela faça o que está no contrato. Ela pode fazer sem a decisão judicial, inclusive ela perde o seu sentido”.

“Gostaria de deixar claro para a população que, o fato de estarmos pedindo o cumprimento do contrato não quer dizer, sobre hipótese alguma, que estamos exigindo um aumento da tarifa para o usuário catracado, pagante. A tarifa pode permanecer no mesmo valor, bastando que a BHTrans — o poder concedente — apure a tarifa contratual, que será maior que a tarifa paga pelo usuário na catraca, e que a BHTrans faça a complementação tarifária com receitas extra-tarifárias. [Com receitas] provenientes, talvez, de mídias, propagandas nos ônibus, multas de trânsito, estacionamento rotativo, e a criação até mesmo de uma taxa de mobilidade sob apartamentos que possuem garagem — pois são esses, obviamente, que influenciam prejudicialmente no trânsito”

O Setra-BH voltou a descartar a correlação entre o reajuste de passagens e a negociação coletiva entre empresas de ônibus e funcionários.

Trabalhadores pedem proposta

Representantes do Sindicato dos Trabalhadores do Transporte Rodoviário (STTR/BH) voltaram a exigir uma proposta, por parte das empresas de ônibus. A categoria rebateu as declarações do prefeito, e pediram que uma negociação seja colocada à mesa pelos patronais.

“Entendo que há uma preocupação com a população geral, mas o trabalhador rodoviário também faz parte dessa população”

É muito fácil a gente criminalizar o trabalhador, enquanto eu — que estou à frente do sindicato — recebo ligações de trabalhadores que estão passando necessidade, não estão cumprindo nem o seu dever social. E esse é um caos social”, afirmou o presidente do STTR/BH, Paulo César Silva. “Temos trabalhadores que não estão em condições de arcar com seu orçamento mensal”, completou.

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