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Imagem: BH Airport/Divulgação

Apreensão de drogas no Aeroporto de Confins é a maior dos últimos três anos

Em quatro meses, a Polícia Federal (PF) encontrou 352% a mais de cocaína do que todo o ano passado


Por João Henrique do Vale

Belo Horizonte está na rota do tráfico internacional de drogas. Em apenas quatro meses, a Polícia Federal (PF) apreendeu no Aeroporto Internacional em Confins, na região metropolitana, 352% a mais de cocaína em comparação com todo o ano passado. Em números absolutos, foram 77,68 quilos do entorpecente encontrados com os passageiros, valor mais alto desde 2019. 

O mesmo acontece com a apreensão de maconha. Os agentes encontraram 18,3 quilos da droga com os passageiros de janeiro a abril deste ano. Nos dois últimos anos, durante a pandemia de Covid-19, nenhum dos usuários do terminal foi encontrado com este tipo de entorpecente. 

Para o delegado de Polícia Federal, Marcelo Xavier, o retorno da movimentação no aeroporto após o fim das medidas restritivas impostas durante a pandemia fez o número de apreensões ter alta. “Com o gradual retorno dos voos no aeroporto internacional de Confins em razão do arrefecimento da pandemia também retornam os traficantes tentando fazer o embarque de drogas para o exterior. Isso é muito nítido. E com isso, o aumento de apreensões de drogas nos últimos três meses”, explicou. 

Dados da BH Airport, concessionária responsável pelo terminal, mostram que a movimentação está voltando aos parâmetros pré pandemia. Para se ter uma ideia, a expectativa é que 10 milhões de passageiros passem pelo aeroporto neste ano. Somente em maio, devem ser cerca de 25 mil pessoas por dia.

Em 2020, por exemplo, o número de passageiros chegou a 4,8 milhões no ano. Em 2019, o terminal teve o recorde de movimentação desde o início da operação da concessionária em 2014, alcançando 11,3 milhões de passageiros no ano. Nesse período, eram 300 voos voos diários, entre pousos e decolagens, e cinco voos internacionais. Atualmente, são realizados em torno de 220 voos diários entre pousos e decolagens. Também são oferecidos dois voos internacionais, sendo da Copa Airlines para o Panamá e da Tap para Portugal. 

BH na rota do tráfico internacional 

O delegado Marcelo Xavier ressalta que Belo Horizonte sempre esteve na rota do tráfico internacional, principalmente, com a atuação de mulas, pessoas contratadas por traficantes para o transporte de drogas. “Belo Horizonte sempre esteve na rota do tráfico internacional pelo modal aéreo e voos comerciais por meio de mulas. A PF realiza constantemente operações especiais na capital para identificar e reprimir as quadrilhas que atuam na região. O que se tem, na verdade, não é o estabelecimento de uma nova rota. Mas, sim, com o retorno de voo para o exterior, retorna também a atuação dos traficantes”, explicou. 

Entre as ‘mulas’ identificadas pelos agentes da Polícia Federal, estão estrangeiros. Segundo as investigações, essa é uma estratégia das quadrilhas para tentar enganar a fiscalização. “É comum nesta modalidade de tráfico internacional, por meio de mulas nos voos comerciais, a apresentação de todo tipo de gente embarcando com droga. Os traficantes tentam burlar as fiscalizações variando as nacionalidades das ‘mulas’ e as regiões de onde iniciam os seus voos. Mas, a PF está sempre atenta a essa tentativa dos traficantes de se desvencilhar da repressão ao tráfico”, finalizou. 

Série de apreensões 

Somente em abril, quatro ocorrências foram registradas no terminal. As últimas delas aconteceram no dia 23. Um brasileiro, que viajava para Gana, na África, foi flagrado transportando 11,8 quilos de cocaína. A droga estava escondida em peças de prumo. Os policiais tiveram que serrar os objetos. 

No mesmo dia, um nicaraguense, de 54 anos, que seguia para a Europa, também acabou preso. De acordo com a PF, o homem escondia 12 quilos de cocaína em fundos falsos de suas malas. Ele estava com três mochilas. Os dois foram levados para a delegacia que fica dentro do terminal. Eles vão responder por tráfico internacional de drogas. Se condenados, podem pegar de 5 a 10 anos de prisão. 

Três dias antes, outros flagrantes foram realizados pela PF em conjunto com a Receita Federal. Um nigeriano foi detido quando transportava nove quilos de cocaína. Para tentar enganar as autoridades, ele escondeu os entorpecentes em cobertores. 

Os agentes também chegaram até um suíço que também tentava embarcar no Aeroporto Internacional de Belo Horizonte com drogas. Ele foi flagrado com três quilos de cocaína escondidos em um fundo falso de uma mala. O homem pretendia seguir viagem para Genebra. 

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