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Imagem: Leo Fontes/Rede 98

Belo Horizonte completa dois anos de pandemia e criação do Comitê COVID

Período foi marcado por comércio fechado, CPI na Câmara e troca de farpas entre Kalil e Bolsonaro


Por Déborah Lima

Máscara, comércio fechado, e “fique em casa”. Tudo isso começou há dois anos. Em 16 de março de 2020, Belo Horizonte confirmou o primeiro caso de coronavírus.

No mesmo dia, médicos infectologistas se reuniram com o prefeito Alexandre Kalil e, no dia seguinte, houve a publicação do decreto que criou o Comitê de Enfrentamento à COVID-19.

Assim instituído, a primeira decisão da turma: o fechamento do comércio, publicado no dia 18. Desde então, houve troca de farpas, declarações polêmicas e abre-fecha da cidade.

Acompanhe abaixo como foi este período:

Grupo de orientação

A equipe que orienta as flexibilizações na capital é formada pelo secretário de Saúde, o médico Jackson Machado, e três médicos infectologistas com experiências como professores universitários: Unaí Tupinambás, Estevão Urbano e Carlos Starling.

O grupo já revelou que todas as decisões são tomadas por meio de votação na mesa com participação do prefeito que ouve as orientações e, na maioria das vezes, concorda com os especialistas.

Lockdown

Apesar de endurecer as medidas de combate ao coronavírus e anunciar o fechamento de atividades econômicas diversas vezes, o prefeito Alexandre Kalil (PSD) descartou adotar lockdown na capital.

“Não temos mais o que fechar. Só falta fechar supermercados, e ninguém comer, e farmácias, e ninguém comprar remédio. O fechamento acabou. Não temos mais o que fechar”, disse, em entrevista coletiva em 12 de março de 2021.

Gangorra

Desde o início da pandemia, BH viveu idas e vindas entre graduadas flexibilizações do isolamento social e restrições nas atividades econômicas.

Essa medida “gangorra” é apontada por especialistas como essencial para conter o vírus, desafogar o sistema de saúde e, ao mesmo tempo, dar um respiro à economia.

Um ano depois

Depois de um ano de pandemia, BH enfrentou seu pior momento, quando ficou próxima de um colapso total do sistema de saúde.

Em março de 2021, a capital teve ocupação de leitos de UTI acima de 90%, a taxa de uso das enfermarias e a transmissão do coronavírus, também alcançaram suas maiores marcas e ficaram na zona crítica da escala de risco.

Escolas

Desde o início das flexibilizações em BH que grupos de pais e alunos, entidades e colégios pedem a reabertura das escolas. Somente neste ano que a prefeitura autorizou e, mesmo assim, com embates. 

Em janeiro, a prefeitura chegou a anunciar o retorno das aulas presenciais, mas logo depois postergou em duas semanas o início das aulas para crianças entre 5 e 11 anos com justificativa da alta de casos da variante Ômicron e a vacinação pediátrica que ainda estava em seu início.

Máscaras liberadas

Somente depois de dois anos que a capital começa a voltar a respirar aliviada.

Na semana passada, a obrigatoriedade do uso de máscaras em locais abertos e sem aglomeração chegou ao fim. “Claro que vamos preservar transporte público e locais fechados”, comentou o prefeito no último dia 3 de março.

CPI da Covid

A pandemia também resultou um embate na Câmara Municipal, que instaurou uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI). Em relatório final, o relator do colegiado, vereador Irlan Melo (PSD), pediu indiciamento de dois dos três infectologistas voluntários do Comitê por conflito de interesses. No entanto, o texto não foi aprovado.

A CPI aprovou, na verdade, pedidos de indiciamentos de Kalil; os secretários André Reis (Planejamento, Orçamento e Gestão), João Fleury (Fazenda), Jackson Machado (Saúde); além do ex-presidente da BHTrans, Célio Bouzada e o ex-diretor da empresa, Daniel Marx Couto. Consórcios responsáveis pelo transporte público de BH também são citados no documento. 

Kalil e Bolsonaro

O prefeito e o presidente da República, Jair Bolsonaro, trocaram farpas ao longo da pandemia devido às diferenças de pensamentos sobre as medidas de restrição de mobilidade.

Em janeiro de 2021, por exemplo, Bolsonaro criticou Kalil e disse que ele estava fazendo “barbaridades” na condução da capital mineira na pandemia da covid-19.

“Eu pedi votos para o candidato a prefeito de ‘beagá’. Perdi. É natural. O cara lá agora tá fazendo barbaridades, fechando tudo, e já tinha fechado tudo anteriormente”, disse o presidente a apoiadores no Palácio da Alvorada.

RELEMBRE: Bolsonaro critica Kalil por restrições em BH: 'E o povo reelegeu esses caras'

Em junho de 2021, foi a vez de Kalil alfinetar o presidente. Na época, Bolsonaro cogitava promover uma motociata na capital mineira.

“Vir aqui numa cidade sacrificada, com comerciantes sacrificados, com donos de bares e restaurantes sacrificados, para disseminar negacionismo numa cidade que se cuidou tanto? Eu acho que, se ele fizer isso, vai perder muito voto aqui dentro”, afirmou o prefeito de Belo Horizonte, que continuou.

“Se não vier aqui é um grande favor que está prestando ao povo de Belo Horizonte. Se quiser vir como presidente da República será recebido aqui na prefeitura, se me chamar em qualquer lugar eu vou, porque eu respeito hierarquia, eu não tenho esse problema”, concluiu Kalil.

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