Carregando...

Cidades

Imagem: Cláudio Rabelo/CMBH

CPI da Covid pede indiciamento de infectologistas, secretário e ex-funcionários da PBH

O relatório final sugere, ainda, a investigação do prefeito Alexandre Kalil (PSD) por crime de responsabilidade

Por João Henrique do Vale

A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Covid-19, que investigou os gastos da Prefeitura de Belo Horizonte durante a pandemia, pediu o indiciamento de infectologistas que compõem o Comitê Extraordinário de combate a doença da administração municipal, de um secretário e também de ex-funcionários da BHTtrans. O relatório final, produzido pelo relator Irlan Melo (PSD), solicita ao Ministério Público de Minas Gerais a investigação do prefeito Alexandre Kalil (PSD) por crime de responsabilidade. Os documentos foram protocolados nesta quarta-feira e serão analisados pela CPI nesta quinta-feira.

A CPI da Covid foi criada em junho deste ano. O relatório final possui 393 páginas com seis anexos que somam mais de mil páginas. Se for aprovado pela Comissão, em reunião marcada para às 9h desta quinta-feira, os documentos serão entregues ao Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) para dar prosseguimento às investigações.

No relatório final, o vereador Irlan Melo sugere o indiciamento do ex-presidente da BHTrans, Célio Bouzada, do Secretário de Fazenda, João Fleury, do diretor de transporte público da BHTrans, Daniel Marx, e dos infectologistas Carlos Starling e Estevão Urbano, do Comitê Extraordinário de Combate à Covid-19 da prefeitura.

Em relação ao prefeito Alexandre Kalil, o relator indicou, ao Ministério Público, que seja investigado o crime de responsabilidade

Pedidos de indiciamento 

O pedido de indiciamento de Célio Bouzada, João Fleury e Daniel Marx, tem relação com o repasse de R$ 221 milhões por parte da prefeitura de Belo Horizonte para os consórcios de ônibus da capital. O recurso foi para a compra antecipada do vale-transporte. “Pedimos o indiciamento por toda narrativa que foi construída, e depois também pela utilização do MPMG e do Judiciário em relação a este acordo”, afirmou o vereador Irlan Melo. 

Em relação aos infectologistas, o relator afirma que o pedido de indiciamento é devido a conflito de interesses. “Há também o pedido de indiciamento dos infectologistas, pois há um nítido conflito de interesses entre a atuação deles no comitê Covid deliberativo e, ao mesmo tempo, em consultoria para escolas particulares”, comentou o vereador. 

O relatório final também sugere investigações ao MPMG. Como no contrato feito entre a prefeitura com uma empresa ambulâncias, na doação de respiradores por parte de empresários de um shopping popular de BH. Os vereadores suspeitam que o repasse foi feito em troca de abertura do centro comercial. 

O que dizem os citados?

Por meio de nota, o infectologista Carlos Starling rebateu as acusações feitas pela CPI. “Trata-se de acusação absurda e de caráter político. Jamais aferimos lucro algum com o trabalho realizado de forma absolutamente voluntária a convite da prefeitura. Quem acusa, tem que provar, se não, trata-se de calúnia e difamação, que é crime”, afirmou. 

O infectologista Estêvão Urbano afirmou que a acusação tem motivação política. “Fiquei surpreso de receber este comunicado. Isso se explica por uma situação simples, que acho ridícula, que é uma motivação política. A associação mineira de controle de infecções atua há décadas para fomentar eventos científicos, congressos na are ade controle de infecções. Nenhum dos diretores, ninguém é remunerado. E todo o recurso que entra é para fomentar pesquisa e congressos”, disse. 

A PBH também se posicionou sobre os pedidos de indiciamento. Por meio de nota, afirmou que a Câmara Municipal cumpriu o papel de investigar, cabendo ao Ministério Público avaliar os pedidos da CPI. Já o prefeito Alexandre Kalil disse que se sentiu envergonhado com os pedidos de indiciamentos.

“Estou absolutamente envergonhado, não por mim, porque isso é politicagem e coisa requentada; mas pelos dois infectologistas, brilhantes, competentes, responsáveis por salvar tantas vidas, sendo tratados dessa maneira por causa de política", disse.

Enquete

Carregando...

Colunistas

Carregando...

Podcasts

Carregando...

Saiba mais