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“Sucessão de erros”, diz S.O.S. Estradas sobre tragédia na BR-381, em Monlevade

O Central 98 conversou sobre o acidente que deixou ao menos 19 mortes com Rodolfo Rizzotto, do S.O.S Estradas

Por Lucas Rage

As manchetes do noticiário nacional foram impactadas, na última sexta-feira (04), com mais uma história que se repete nas rodovias mineiras: um ônibus coletivo, que realizava transporte irregular de passageiros, acabou caindo de uma ponte na BR-381, em João Monlevade. A queda de 15 metros deixou um cenário de devastação e uma triste estatística — ao menos 19 mortos.

O Central 98 conversou sobre a Tragédia de Monlevade com Rodolfo Rizzotto, da Organização Não Governamental S.O.S. Estradas. Segundo ele, não se trata de um caso isolado, mas uma sucessão de erros. Nas palavras de Rizzotto, a ocorrência pode sequer ser tratada como um acidente.

“Esse é um problema nacional, não é apenas da BR-381 e nem de rodovias federais. O que chamamos de acidente é um somatório de situações que vão contribuir para essa tragédia”, afirmou Rizzotto, que elencou os elementos por trás da tragédia.

Série de irregularidades

Em primeiro, Rodolfo Rizzotto listou a série de irregularidades que permeiam as empresas responsáveis pelo trajeto Alagoas - São Paulo. “As duas empresas que operam essa viagem: uma delas não está registrada na ANTT, a outra tem uma liminar que foi concedida por um juiz. Que juiz é esse? Baseada em que critérios?”, questionou.

“Essa empresa tem 14 multas, somente neste ônibus. E outras 3 multas somente da ANTT, de mais de 5 mil reais, explicou.

Conivência da população

Ainda conforme o especialista do S.O.S. Estradas, os próprios passageiros carregam sua parcela de culpa com a tragédia. “A população sabe que o transporte é clandestino. Você coloca uma motocicleta no bagageiro, dentro de uma rodoviária? Os próprios passageiros sabiam da irregularidade deste ônibus”, desabafou.

Estrutura defasada, fiscalização ausente

Rizzotto acrescenta ainda outros dois elementos à tragédia: a precariedade da Ponte Torta e a falta de ações de fiscalização no local.

“A ponte está em condições precárias há anos. Ela não tem condições de conter nenhum veículo. Isso é de responsabilidade do DNIT”, afirmou. “Os veículos deveriam andar a 40 km/h ali. Se você instala um radar ali, vem gente falar que é a indústria da multa, e vai tentar tirar, completou.

Problema nacional

Para Rizzotto, tragédias como a de João Monlevade vão continuar se repetindo por outras rodovias brasileiras, caso a população não trate o problema como algo mais amplo.É uma série de fatores: não é um problema político, quem morreu votou em diversos candidatos. É um problema nacional. De falta de estrutura, de segurança. E o que nós fazemos é nós colhermos mortos, recolhemos estatísticas como se as pessoas fossem números”, finalizou.

Veja a entrevista completa com Rodolfo Rizzotto



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