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Imagem: 20th Century Studios / Divulgação

Amor, Sublime Amor: com direção de Spielberg, musical é entretenimento de primeira

Refilmagem do clássico dos cinemas é deslumbrante — e um dos melhores musicais dos últimos tempos


Entretenimento

Rodrigo James

Publicitário, especialista em marketing digital e produção audiovisual. Crítico de música e cinema e DJ. Colunista do RadioCast e da Rádio CDLFM.


Em primeiro lugar, uma ressalva: “Amor Sublime Amor” é um musical. Daqueles baseados em musicais da Broadway. Portanto, todo mundo canta no filme e os personagens saem cantando do nada pela rua afora. Se você não gosta deste tipo de filme, então nem perca seu tempo apertando o play. Mas saiba que você estará perdendo um dos melhores musicais dos últimos tempos.

Quando li a notícia que Steven Spielberg estava refilmando “Amor Sublime Amor”, fiquei com um pé atrás. Spielberg nunca tinha feito um musical (sem contar a abertura de “Indiana Jones e o Templo da Perdição”) e eu não consegui enxergá-lo como tal. Acontece que um cara como ele não se torna um dos maiores diretores da história em vão. Uma das características que melhor definem Spielberg é sua versatilidade.

E uma história já contada e recontada nos palcos da Broadway e na primeira versão para o cinema, de 1936, dirigida por Robert Wise e Jerome Robbins, só conseguiria mostrar algo de novo nas mãos de um grande diretor. Assim, “Amor Sublime Amor” é um deslumbrante exercício de direção, em que as sequências musicais são reinventadas e traduzidas para os nossos tempos sem que a essência da história e das canções originais fiquem perdidas.

A trama do filme gira em torno de um amor à primeira vista, entre o jovem Tony (Ansel Elgort) e Maria (Rachel Zegler), que se encontram pela primeira vez em um baile do ensino médio em 1957, na cidade de Nova York. Seu romance florescente ajuda a alimentar o fogo entre duas gangues rivais que disputam o controle das ruas: os Jets e os Sharks.

No “Amor Sublime Amor” de Spielberg existem duas diferenças primordiais em relação ao anterior: em primeiro lugar, o elenco coeso. Não existe um ou outro atores que se destacam. Talvez Ariana DeBose tenha conseguido furar este “bloqueio" e ser indicada ao Oscar de Melhor Atriz Coadjuvante deste ano, mas esta não é a intenção do diretor. Para que as sequências musicais magistralmente dirigidas por ele funcionem, é preciso que nossos olhares estejam à disposição de todo o elenco, e não somente de uma ou outra pessoas.

Além disso, a questão racial ganhou um contorno ainda maior nesta versão e acredito que este tema tenha sido o que motivou Spielberg a fazer esta refilmagem. Ao atualizar esta questão para os nossos tempos, o diretor não só mostra que ela já estava presente no original como era uma questão importante na década de 1930 e ainda é nos nossos dias. Infelizmente, o mundo mudou muito pouco neste sentido. Vide o final da história, um tanto quanto pessimista.

Ainda assim, “Amor Sublime Amor” é entretenimento de primeira, mas que também nos faz pensar em que mundo estamos e queremos para o futuro.

Ficha técnica

Filme: Amor, Sublime Amor (2021)

Direção: Steven Spielberg

Duração: 156 minutos

Distribuição: 20th Century Studios

* Esta coluna tem caráter opinativo e não reflete o posicionamento do grupo.
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