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Gastronomia

Imagem: Victor Schwaner / Reprodução

Os 60 anos do Bolão e a valorização da nossa história

Aniversário do tradicional bar do Santa Tereza levanta a questão: estamos valorizando nossas antigas (e celebradas) casas de comestíveis?

Entretenimento

Nenel Neto

Entusiasta dos botecos, apresentador do Buteco 98 e jornalista do perfil Baixa Gastronomia no Instagram


O assunto mais comentado da última semana foi o aniversário de 60 anos de fundação do Bolão, icônico bar e restaurante belo-horizontino localizado desde sempre no boêmio bairro Santa Tereza, na região Leste da cidade. Esta justa e necessária homenagem da comunidade e dos meios de comunicação locais me fez pensar a respeito de outros baluartes da capital mineira.

Quantas são as casas de comestíveis que perduram há pelo menos meio século?

Pensando rapidamente posso citar algumas: Café Palhares, Bar do Orlando, Cantina do Lucas, Sorveteria Universal, Café Nice e o próprio Bolão.

(Café Palhares e seu Kaol: há 83 anos servindo iguarias no Centro de BH | Foto: Nenel Neto)

Se não é fácil para um comércio durar cinco anos, imagine 50!

Nas grandes metrópoles da Europa e dos Estados Unidos, ícones locais são tão valorizados que se tornaram roteiros turísticos.

Nova Iorque tem, desde 1888, o Katz’s Deli com o seu mítico sanduíche de pastrami. Há mais de 90 anos, os berlinenses se orgulham do currywurst mit pommes fries (linguiça de porco frita servida com batatas fritas e um bom molho de curry e ketchup) do Konnopke’s Imbiss. E a pizza fugazzetta (com queijo e cebola) do quase nonagenário El Cuartito, em Buenos Aires

(Sanduíche de Pastrami do Katz Deli, em Nova Iorque | Foto: indulgenteats.com)

Pessoas do mundo inteiro viajam a estes lugares em busca de uma experiência gastronômica única. Os nossos clássicos locais não ficam atrás, seja em sabor ou em história.

Nos últimos anos, Belo Horizonte vem trabalhando muito bem na área da gastronomia, e esperamos que continue assim nesta década que está só começando.

Mas o que mais podemos fazer por estes lugares que atravessaram guerras mundiais, crises econômicas e agora uma pandemia?

Primeiramente, devemos fortalecer estes comércios, seja visitando-os ou, neste momento de insegurança, pedindo em casa as suas apetitosas especialidades.

Num segundo momento, podemos gritar aos quatro cantos, orgulhosamente, que temos, sim, clássicos que nos orgulham!

Em terceiro, deixo minha sugestão às autoridades locais. Que tal fazermos um selo oficial de “patrimônio imaterial da cidade” para colarmos nas portas destes locais? Pode não parecer muita coisa. Mas já seria uma grande vitória para estes estabelecimentos.

Quem é que não gostaria de um carimbo oficial do município atestando a legitimidade de tais comércios?

E que continuemos festejando a longa vida do Bolão e de outros grandes clássicos de Belo Horizonte.

* Esta coluna tem caráter opinativo e não reflete o posicionamento do grupo.
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