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Cultura

Imagem: Élcio Paraíso / Acervo Belotur

Sem folia, blocos do Carnaval de BH pedem ajuda à Prefeitura de BH

Manifesto assinado por 30 blocos critica ainda a falta de diálogo da Belotur

Por Lucas Rage

Os blocos de rua do Carnaval de BH lançaram um manifesto, pedindo ajuda à Prefeitura de Belo Horizonte, em face à ausência de cortejos em 2021.

No documento entregue Executivo Municipal na segunda-feira (8), os blocos reafirmam ser "a favor do distanciamento social, das vacinas e contra negacionismos em geral", mas alegam que estão sendo impactados financeiramente pela interrupção das atividades presenciais.

O grupo reitera que não é a favor da realização do Carnaval, neste momento, mas lista uma série de pedidos à Prefeitura da capital. Entre eles:

  • Pedido de auxilio financeiro mensal;
  • abertura de um edital para realização de lives durante o feriado de carnaval;
  • isenção ou diferimento de pagamento de tributos de espaços culturais vinculados ao setor do Carnaval;
  • reserva de cota para o setor em editais;
  • articulação do setor privado com os blocos de rua, escolas de samba e blocos caricatos com vistas à celebração de contratos de patrocínio ou apoio;
  • abertura de linhas de crédito com juros subsidiados para pessoa jurídica e física;
  • entrega de cestas básicas aos atingidos.

Lei Aldir Blanc não atende a categoria

No documento, os blocos alegam que os recursos da Lei Aldir Blanc — cujo objetivo é amparar a classe artística durante a pandemia — não tem alcançado parte expressiva do setor.

"(...) os recursos da Lei Aldir Blanc, além de terem alcançado parcela ínfima - 7,5% - dos trabalhadores da cadeia produtiva do Carnaval, ainda se prestaram a recompor o que foi perdido ao longo de 2020 não se destinando a compensar os prejuízos - de ordem da sobrevivência pessoal inclusive - com o cancelamento do Carnaval em 2021 e demais atividades presenciais ao longo do ano", escreve o documento.

Críticas à Belotur

No manifesto, os blocos tecem críticas à Belotur — responsável pelo turismo na capital. Segundo o grupo, a empresa não enviou "sequer um comunicado ao setor a respeito do cancelamento do Carnaval, quanto mais uma sinalização de que haverá algum edital de subvenção".  

Assinam o documento os blocos:

Chama o Síndico, Então Brilha, Havayanas Usadas, Me Beija Que Eu Sou Pagodeiro, Sagrada Profana, Samba Queixinho, Bloco Transborda, Como Te Lhama?, Bloco do Manjericāo, Filhos do TchaTcha, Bloco do Peixoto, Tico-tico Serra Copo, Bloco Miolo Mole, Mama Na Vaca, Tetê A Santa, Blocomum, Vira O Santo, Bloco Rebentão, Bloco Faraó, Bloco da Alcova Libertina, Bloco Oficina Tambolelê, Tchanzinho Zona Norte, Truck do Desejo, Funk you, Esperando o metrô, Raga mofe, Unidos do Barro Preto, I Wanna Love You, Pata de Leão, AloPrado.

Proposta pede R$ 3,7 milhões em auxílio

Em paralelo, um grupo auto intitulado "Liga Blocada" desenhou uma proposta de auxílio financeiro, com recursos devolvidos pela Câmara Municipal aos cofres públicos de BH.

A proposta prevê a distribução de R$ 3,75 milhões em recursos aos blocos, distribuídos por nível de senioridade aos cortejos. Ao todo, 100 blocos seriam contemplados, com as seguintes regras:

  • Blocos com pelo menos 7 anos - 30 blocos - R$ 50.000;
  • blocos com pelo menos 5 anos - 30 blocos - R$ 40.000;
  • blocos com pelo menos 3 anos - 30 blocos - R$ 30.000;
  • blocos com pelo menos 1 ano - 10 blocos - R$ 15.000.

A proposta foi apresentada na segunda-feira (8) a membros do secretariado do prefeito Alexandre Kalil. Assinam a proposta os blocos Chama o Síndico, Então Brilha, Havayanas Usadas, Me Beija Que Eu Sou Pagodeiro, Sagrada Profana e Samba Queixinho.

O outro lado

Em nota, a Belotur informou "que vem realizando diversas reuniões com representantes de Blocos de Rua, prática habitual e rotineira do órgão, mantendo sempre aberto o diálogo com a cadeia produtiva do Carnaval"

"A Prefeitura segue focada nas ações de combate à pandemia e, por meio da Belotur, tem acompanhado e participado de discussões sobre o Carnaval 2021 junto aos principais carnavais do país, como Salvador e Rio de Janeiro", continua. 

"Vale destacar que o Carnaval de Belo Horizonte, ao contrário de outras capitais brasileiras, é realizado com apoio e recursos da iniciativa privada, adquiridos por meio de editais de patrocínio. A pauta proposta pelos atores do carnaval é legítima, mas o setor não foi o único afetado pelas consequências da pandemia. Diante desse contexto, a Prefeitura de Belo Horizonte tem assumido o papel de olhar para a cidade como um todo e vem trabalhando no planejamento de ações e propostas para retomada da economia do município", completa a nota.

A Prefeitura cita ainda os benefícios da Lei de Emergência Cultural Aldir Blanc. Segundo o Executivo, "grupos ligados ao Carnaval de Belo Horizonte foram beneficiados com o total de R$ 657 mil, ainda em 2020"

"Entre os beneficiados pela Lei Aldir Blanc em Belo Horizonte, estão blocos e escolas de samba tradicionais, das diversas regiões da cidade, incluindo o Bloco Caricato Os Inocentes de Santa Tereza, o Grêmio Recreativo Escola de Samba Imperatriz de Venda Nova, a Fanfarra Feminina Sagrada Profana, o Bloco Afro Angola Janga e o Então Brilha, entre muitos outros. A relação com todos os contemplados na Lei Aldir Blanc pode ser acessada na página pbh.gov.br/leialdirblanc".

A Prefeitura também elencou recursos relacionados à Lei Municipal de Incentivo à Cultura, com editais destinados a projetos de blocos ou escolas de samba e grupos relacionados ao samba. Segundo o Executivo Municipal, quase R$ 800 mil foram destinados.



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