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Imagem: Unplash / Art Rachen

Bitcoin: como começar a investir no “ouro digital”

Criptoativos são a moeda do momento; entenda tudo sobre os ativos digitais e como entrar para este universo!


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Samuel Barbi

Especialista em economia, entra ao ar às segundas-feiras com a coluna MundoZFundos, no RádioCast 98


O que é Bitcoin?

Bitcoin é uma moeda digital, criada com o objetivo de facilitar trocas entre as pessoas na internet, sem a necessidade de um intermediário (como bancos) e garantindo a privacidade das negociações. É uma forma de dinheiro virtual que, por natureza, é privado e não depende de controle governamental, portanto, se torna um ativo à prova de confisco e inflação.

Para que serve o Bitcoin?

Riqueza é algo muito associado a exclusividade. Só é exclusivo aquilo que não está disponível para todas as pessoas, pois muitas querem, mas poucas tem condições de ter. Isso é o que chamamos de escassez.

Moedas tradicionais como o dólar tinham como referência metais preciosos, todos muito escassos. Durante a vigência do padrão-ouro, por exemplo, cada nota emitida pelas autoridades deveria ter um valor correspondente em ouro depositado em um banco. Até por isso, muitas moedas têm nomes associados a medidas de pesagem, como libra, lira, peso, rublo e etc. Ao longo do desenvolvimento do sistema financeiro e do crédito esse padrão foi abandonado e, atualmente, as moedas não têm nenhum vínculo com itens materiais. São fiduciárias, isto é, a gente acredita que o Estado vai garantir seu valor.

Entretanto, os Estados - via de regra - são maus gestores de recursos e acabam imprimindo moeda para cobrir seus gastos descontrolados, reduzindo a escassez do dinheiro, o que se constitui em uma importante fonte de inflação. As moedas virtuais foram desenvolvidas para não depender de governos, facilitar negociações realizadas pela internet e não sofrerem com a perda de valor. O Bitcoin (BTC) por exemplo, tem um número finito de moedas virtuais a serem mineradas, de cerca de 21 milhões.

Como assim mineradas?

As negociações de Bitcoin acontecem através de registros na Blockchain (corrente de blocos), uma rede segura que funciona com criptografia (por isso o nome criptomoeda, ou criptoativo). É como se as informações fossem embaralhadas para que, somente quem acesso a uma chave específica, consiga decifrar o conteúdo.

Para a criação dessas cadeias de blocos que serão utilizadas nas transações, a cada 10 minutos é liberado um problema matemático muito complexo pela rede. Pessoas e empresas usam supercomputadores para solucionar essas questões matemáticas, o que é chamado de mineração. Ao resolver os problemas no tempo determinado, criam-se novos blocos, o que garante aos mineradores um saldo em Bitcoin como prêmio. Esse processo garante uma considerável descentralização, algo que reforça a segurança do sistema.

A escassez do Bitcoin é garantida pelo seu código de criação e sua capacidade de mineração de cai ao longo do tempo, em um processo chamado halving, que reduz pela metade a recompensa de mineração a cada 4 anos, com expectativa de esgotamento por volta do ano de 2140, com o total máximo de 21 milhões de BTC criados. Pela lei da oferta e demanda, menos mineração significa maiores preços, o que sugere o aumento do poder de compra do ativo ao longo do tempo.

Para se ter um exemplo desse poder, a primeira transação em Bitcoin se deu em maio de 2010, quando foram trocados 10.000 BTC por duas pizzas. Estes mesmos BTCs valeriam hoje R$ 3,3 BILHÕES, apenas 11 anos mais tarde.

Como comprar Bitcoins?

Sabemos que rentabilidade passada não significa garantia de retorno no futuro. Entretanto, essa expressiva valorização tem chamado a atenção de investidores, dos mercados financeiros e dos Bancos Centrais de todo o mundo. Alguns tem chamado o Bitcoin de ouro digital (Digital Gold) por ter características próximas a esse metal precioso, tais como: escassez, não deterioração, aceitação global e valor intrínseco. Portanto, um mercado mais eficiente tem se desenhado para comercialização dessa moeda digital, democratizando seu acesso para além do público entusiasta da tecnologia de informação.

Atualmente existem, no mínimo, três formas de investir em Bitcoins e outros criptoativos:

Compra Direta:

É necessário abrir sua conta em uma corretora especializada (exchange). Você transfere o dinheiro em reais, por PIX, TED ou mesmo pagamentos em cartão de crédito, e já pode enviar ordens de compra para sua carteira digital. As moedas podem ficar armazenadas na corretora (hot wallet, gratuitas e conectadas à internet) ou em dispositivos externos (cold wallets, aparelhos físicos desconectados da internet). Ex. Binance, Coinbase Exchange, Biscoint, etc.

Fundos de Investimento ou Plataforma de Criptoativos:

Ter um fundo de investimento significa confiar em um profissional para gerir os seus recursos. As decisões de investimento cabem ao gestor, que escolhe os ativos que vão compor a carteira de maneira a refletir o que ele pensa sobre o mercado e respeitando as regras específicas do fundo. Nesse sentido, você não precisa se preocupar tanto em escolher o melhor momento de comprar e vender, afinal, há um profissional realizando essas escolhas por você. O ponto negativo é ter que pagar essa pessoa pra isso, o que se reflete em altas taxas de administração (por volta de 1 a 2% ao ano) e performance (em geral, 20% dos lucros). Ex: ByeBnk, BTG, Hashdex, Vitreo, etc.

ETFs (Exchange Traded Funds, ou fundo de índices):

Os ETFs são a forma mais simples de investimento em criptoativos, podendo ser comprados diretamente na sua corretora de costume e custodiados na B3 (bolsa de valores). Suas cotas são acessíveis, variando atualmente entre R$15 e R$80, além de que as taxas de administração costumam ser menores que as dos fundos de investimento. Sua gestão é passiva, isto é, tentam refletir o movimento do mercado de criptomoedas, portanto, sem uma escolha deliberada ou balanceamento ativo por gestores profissionais. Exemplos desses ETFs são: BITH11, HASH11, QBTC11 e QETH11.

É importante entender que criptoativos são extremamente voláteis (valor varia muito ao longo do tempo) e de altíssimo risco. Não é recomendável entrar nessa classe de ativos sem antes ter uma reserva de emergência formada, bem como não é indicado investir todos os seus recursos neles. O ideal, do meu ponto de vista, é ter uma exposição que não prejudique suas finanças caso haja algum contratempo. No meu time de investimentos, essa classe de ativos ocupa algo como 2 a 5% de toda a carteira. Se as moedas digitais derreterem, não doerá tanto, mas se houver a continuidade do processo de valorização, vou conseguir comprar muito mais que duas pizzas no futuro. E você, aposta nos criptoativos?

* Esta coluna tem caráter opinativo e não reflete o posicionamento do grupo.
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