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Imagem: Pixabay / Reprodução

Ganancioso, eu?

Encontre seu ponto de saciedade financeira


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Samuel Barbi

Especialista em economia, entra ao ar às segundas-feiras com a coluna MundoZFundos, no RádioCast 98


Até que ponto você aguenta comer? Provavelmente até passar mal e vomitar. Há um limite físico para isso. Já para o dinheiro tal barreira não existe, então como saber quanto é o suficiente? Qual o limiar entre liberdade financeira e ganância?

Ganância e Ironia

“Nenhum de nós é ganancioso, sempre o outro que é.”Milton Friedman

A definição de ganância passa pela cobiça, um desejo intenso por bens e riquezas. A busca incessante por lucros, uma vontade intensa e permanente de possuir ou de ganhar mais do que os outros.

Há quem comente que a ganância é exclusiva do capitalismo, para eles enfermidade que acomete - em especial - quem apoia e entende o sistema. É fato, dos negócios aos investimentos, muitos só param de correr atrás de mais quando são impedidos. Mesmo pessoas muito ricas se expõem a riscos desnecessários, seja com investimentos extremamente arriscados ou, até mesmo, agindo de forma ilícita,colocando em perigo suas condições financeiras e reputações.Afinal, no jogo da ganância,importam resultados, não consequências.

Mas essa argumentação carrega muita inocência. Existiria alguma sociedade que não esteja sujeita a ganância? Eu vejo a ganância muito mais como uma característica humana do que do próprio sistema em que estamos imersos. Não importa se o que está em jogo é dinheiro, prestígio ou poder. O mundo é movido por indivíduos perseguindo seus interesses distintos.

Partilho da ideia de Friedman que não há alternativa até agora descoberta que seja melhor que o capitalismo para melhorar a vida das pessoas comuns. Ou que possa minimamente se comparar às atividades produtivas que são liberadas pelo sistema da livre iniciativa. Perceba que as grandes conquistas da civilização vieram de iniciativas individuais ou coletivas, mas sempre motivadas pela linha tênue entre ambição e ganância. É a presença da ética que diferencia um conceito do outro.

Em uma festa oferecida por um bilionário americano, um amigo comenta com o escritor Joseph Heller que o anfitrião havia ganhado mais dinheiro em um único dia do que Heller havia conquistado em toda a sua vida com seu livro de maior sucesso. O escritor respondeu: “Certo, mas eu tenho uma coisa que ele nunca vai ter … o suficiente.”

Ter um apetite insaciável por mais é o que leva muitas pessoas a ruína, seja no trabalho, no cassino ou nos investimentos. Isso conduz ao sofrimento diário e a um ponto de arrependimento no futuro. É como correr atrás do vento. Por isso é tão importante ter em vista um ponto de saciedade, de equilíbrio, para sua vida financeira.

Quanto é o suficiente?

Compreenda que suficiente não é pouco e pode variar muito de pessoa pra pessoa. Para encontrar o quanto é suficiente para você, pense o seguinte: Quanto seria sua renda ideal, aquele valor que atenderia às suas principais necessidades e com uma pequena folga?

Suponha que sejam R$5.000 por mês. Entre na calculadora de seu celular e divida esse valor por 0,5% (ou multiplique por 200, dá no mesmo!). Em nosso exemplo, o resultado seria R$ 1 milhão. Simples assim, esse é o valor do investimento mínimo que você precisa construir ao longo de sua vida para ter segurança financeira, uma renda mensal permanente, que pode mantê-lo bem nos mais diversos cenários.

E como construir o suficiente ao longo da vida?

A resposta é planejamento. Tempo é a parte mais relevante da equação de juros compostos, é o fator exponencial. Quanto mais tempo se tem, menos esforço é necessário. Para acumular o primeiro milhão, ganhando R$5.000 por mês, em 15 anos seria necessário investir mensalmente quase 70% da renda, em 30 anos cerca de 20%, em 40 anos apenas 10%.

Tabela: Quanto preciso investir por mês para chegar ao primeiro milhão?

No livro Psicologia Financeira, de Morgan Housel, há um dado muito interessante. Em 2021 o patrimônio líquido de Warren Buffett era de 84,5 bilhões de dólares. Desse total, 84,2 bilhões (99,7%) foram ganhos depois de ele completar 50 anos. E 81,5 bilhões (96,4%)vieram na casa dos 60. Hoje ele tem 91 anos de idade e, em consulta recente à Forbes seu patrimônio já acumula 114 bilhões de dólares. É muito além do suficiente.

Você não precisa ser ganancioso, apenas ambicioso. Com ambição, livre iniciativa,ética e planejamento,é totalmente possível alcançar seu ponto de equilíbrio. O que prego é que com pouco esforço, ao longo de bastante tempo,você chegue no ponto de saciedade e desfrute de uma vida repleta de paz ao longo do caminho. Sem stress, sem desespero, sem pressa.

* Esta coluna tem caráter opinativo e não reflete o posicionamento do grupo.
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