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Imagem: Fernando Frazão/Agência Brasil

Petrobras pode anunciar novo aumento nos combustíveis a partir desta sexta-feira

Conselho de Administração da empresa já autorizou reajuste. Bolsonaro e Arthur Lira esbravejam contra decisão


Por Estadão Conteúdo

A Petrobras pode anunciar, a partir desta sexta-feira, mais um reajuste nos preços dos combustíveis. A autorização foi dada pelo Conselho de Administração da empresa em reunião realizada nessa quinta-feira. O reajuste a ser divulgado já provoca repercussões do Governo Federal e do presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL)

Por meio das redes sociais, Lira afirmou que vai convocar para a próxima segunda-feira, 20, uma reunião de líderes para discutir a política de preços da Petrobras. No Twitter, o deputado elevou o tom contra a estatal, chamou a empresa de "país independente" e disse que a empresa declarou guerra ao povo brasileiro.

"A República Federativa da Petrobras, um país independente e em declarado estado de guerra em relação ao Brasil e ao povo brasileiro, parece ter anunciado o bombardeio de um novo aumento nos combustíveis", escreveu o presidente da Câmara.

Lira tem elevado, constantemente, o tom das críticas à Petrobras. O presidente da Câmara passou a defender a privatização da empresa e já chegou a sugerir que o governo venda ações da estatal para que a União deixe de ser acionista majoritária. "Enquanto tentamos aliviar o drama dos mais vulneráveis nessa crise mundial sem precedentes, a estatal brasileira que possui função social age como amiga dos lucros bilionários e inimiga do Brasil", emendou Lira, no Twitter.

"Na segunda-feira, estarei convocando uma reunião de líderes para discutir a política de preços da Petrobras. Política da Petrobras, que pertence ao Brasil e não à diretoria da Petrobras", avisou o presidente da Câmara.

Críticas de Bolsonaro

Nessa quinta-feira, em transmissão ao vivo nas redes sociais, o presidente Jair Bolsonaro (PL), de quem Lira é aliado, disse esperar que a Petrobras não aumente os preços dos combustíveis. "Eu só posso entender que um reajuste da Petrobras agora seria um interesse político para atingir o governo federal", disse o chefe do Executivo.

O ministro-chefe da Casa Civil, Ciro Nogueira (PP) também atacou a Petrobras em meio a relatos de que a estatal deve aumentar os combustíveis, pesadelo do governo em ano eleitoral. "Basta! Chegou a hora. A Petrobras não é de seus diretores. É do Brasil", escreveu o ministro no Twitter, sem explicar sobre o que haveria chegado a hora.

Autorização para o aumento

Nessa quinta-feira, o presidente do Conselho de Administração da empresa, Márcio Weber, convocou uma reunião extraordinária, o que surpreendeu a alta cúpula da estatal. A diretoria da empresa deve decidir por um aumento nos preços dos combustíveis, após o entendimento de que o Conselho não pode interferir. Ainda não ficou claro se a diretoria levará à frente o plano de reajuste ainda esta semana ou na próxima.

O governo vinha tentando convencer o presidente demissionário da Petrobras, José Mauro Coelho, a segurar os preços para que o teto de ICMS, aprovado no Congresso com apoio do Palácio do Planalto, surta algum efeito nas bombas dos postos de abastecimento.

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