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Rússia vs Ucrânia: como a guerra afeta seu dinheiro

Entenda como o Brasil é afetado pelo conflito que coloca o leste europeu em alerta


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Samuel Barbi

Especialista em economia, entra ao ar às segundas-feiras com a coluna MundoZFundos, no RádioCast 98


Guerras são a pior forma de alocação de recursos na humanidade. Bilhões de dólares investidos em destruição e derramamento de sangue, enquanto deveríamos nos entender como irmãos e colaborar uns com o desenvolvimento dos outros. Há enormes sinergias na paz, na liberdade e na criação de prosperidade por meio do respeito, do trabalho e comércio. A humanidade parece nunca aprender e prossegue tentando resolver seus dilemas com o uso da brutalidade. Perdemos todos. E como nós, no Brasil, somos afetados por esse conflito?

1 –Inflação de alimentos

O Brasil importa muitos fertilizantes da Rússia, que é nossa maior fornecedora do insumo. Quase 30% de nossa produção nacional decorre do agronegócio e, sanções econômicas à Rússia, podem afetar de maneira considerável nossos custos e produtividade.

A Ucrânia produz 17% do milho do mundo, insumo essencial para rações de animais. Em guerra, o país terá dificuldadesde manter sua oferta, o que deve elevar os preços no mercado internacional, em última instância, aumentar os preços das carnes no Brasil.

Além disso, Ucrânia e Rússia representam 30% das exportações de trigo o que, pela mesma lógica, pode afetaros preços dos pães, farinhas, bolos, macarrão e até mesmo da cerveja (diversas usam trigo e/ou milho em sua composição).

2 – Combustíveis – Petróleo mais caro

A Rússia é o terceiro maior produtor e o segundo maior exportador de petróleo do mundo. Sanções econômicas ao país podem afetar a oferta internacional do produto e fazer o seu preço subir ainda mais, sendo que a cotação já está nos valores mais elevados dos últimos 5 anos. O barril de petróleo bruto (Brent) está cotado a cerca de 100 dólares.

A logística brasileira é muito dependente de petróleo, dessa forma, o aumento dos preços internacionais desse insumo afeta os fretes nacionais, passagens de avião e os combustíveis em nossos postos.

3 – Bolsa de Valores e dólar

Em momentos de tensão internacional, o esperado é que haja fuga de capitais, com queda na bolsa e o dólar se elevando consideravelmente.

No princípio da semana passada, quando o dólar estava caminhando para R$5,00, comentamos sobre uma janela de oportunidade de compra dessa moeda e de realização de investimentos no exterior. Naquele momento eu citei o risco do dólar voltar a subir em função das tensões no leste europeu... não deu outra, ele retomou movimento de alta assim que ocorreu a invasão da Ucrânia.

A bolsa brasileiratomou um pequeno susto, mas conseguiu recuperar seu fôlego no fim da semana passada. Muitas empresas nacionaislistadas produzem commodities, e a alta de seus preços,em função dacrescente demanda internacional, além da possível limitação na oferta decorrente da guerra, tendem a impulsionar sua lucratividade. Nesse sentido, nossas empresas nacionais parecem continuar atrativas, mesmo considerando os riscos relacionados a guerra, nossas inseguranças políticas e de ambiente de negócios.Entretanto, não podemos pensar que o caminho será sem oscilações, a cada declaração política ou escalada do conflito, os investidores internacionais podem reavaliar o apetite pelo Brasil e esse rumo se alterar.

Concluindo

A guerra traz cenas de crueldade, morte, destruição e sofrimento no leste europeu. Enquanto isso, reverbera em inflação e efeitos negativos sobre a economia, patrimônio eno padrão de vida nos demais países. Os homens impõem a si mesmos brutalidades sem fim, buscando justificar ideais tão fúteis como nacionalismos e divisões étnicas. Se houvesse respeito e real humanidade entre as pessoas, guerras jamais seriam consideradas uma opção viável. Finalizo com uma reflexão sintetizada na musicalidade mineira de Bequadros (We won the war):

“Alguém, alguma vez, já realmente venceu uma guerra?”

* Esta coluna tem caráter opinativo e não reflete o posicionamento do grupo.
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