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Economia

Imagem: Ivan Ivazovsky / Wikiart / Reprodução

Tempestade à vista: é hora de navegar ou de abandonar o barco?

O mar do Brasil está para investidores? Veja a análise e tire as suas conclusões!

Notícias

Samuel Barbi

Especialista em economia, entra ao ar às segundas-feiras com a coluna MundoZFundos, no RádioCast 98


Você compra uma passagem de navio para fechar um belo negócio. Antes de embarcar, descobre que na rota vai acontecer uma grande tempestade com alto risco de afundar o barco. A tripulação está decidida, frente a toda situação desfavorável, que a viagem vai acontecer. Se não embarcar, perde o negócio e o valor da passagem. Embarcando pode se dar bem financeiramente, ou mesmo perder tudo. Decisões são sempre difíceis porque envolvem incerteza. A questão principal é: os benefícios esperados superam os riscos?

O navio é nosso país e a tempestade são as turbulências políticas que enfrentamos. Os investidores, nacionais e internacionais, observam uma nebulosa previsão de tempo: eleições polarizadas, falta de credibilidade nas instituições, alta inflação, juros subindo, desemprego e miséria. O resultado é: para topar embarcar é necessária uma grande rentabilidade, que supere os riscos dessa perigosa rota.

As tormentas da política têm efeitos diretos na economia. Isso é refletido em indicadores como o Risco-Brasil, índice que representa aos investidores o quão arriscado é aplicar dinheiro em nosso país. Em sua composição, o índice considera, dentre outros fatores, inseguranças quanto a medidas que sejam adversas aos investimentos realizados. Desequilíbrios que afetem negativamente o ambiente de negócios, tais como um desbalanceamento entre os poderes democráticos (Executivo, Legislativo e Judiciário), o risco de golpes de estado, bem como aqueles relacionados a nacionalização de ativos são observados.

Na semana passada observamos com muita clareza os efeitos políticos sobre a economia. Declarações de rispidez entre os poderes evidenciaram o clima de tensão nos rumos da política nacional. Foram eventos que imediatamente agravaram o risco-país, provocando fuga de capitais, elevação de juros futuros e perdas de R$200 bilhões na Bolsa em um tombo de aproximadamente 4% em apenas um dia. Quedas como essa representam investidores que estão optando não embarcar nessa perigosa viagem de negócios.

Em compensação, efeitos diametralmente opostos foram percebidos apenas um dia mais tarde, após a redução do tom dos embates políticos. Em apenas 15 minutos a bolsa chegou a subir 3,3% e o dólar cair consideravelmente. Sinais de calmaria? Acredito que não, mas ao menos de um alívio na chuva.

Independentemente de nomes ou partidos que que ocupam o governo, um fato é concreto: quando há instabilidade política, a sociedade paga o preço. Não é possível ter clareza sobre o futuro do país, o que dificulta a realização de negócios e a construção de prosperidade. É como navegar em um mar turbulento. Para reverter essa situação é essencial trazer de volta a bonança, reestabelecer a credibilidade das instituições democráticas e criar uma pacificação nacional. A previsão do tempo para os próximos 12 meses não é das melhores, portanto, quem quiser navegar, vai mesmo ter que enfrentar a tempestade.

* Esta coluna tem caráter opinativo e não reflete o posicionamento do grupo.
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