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Imagem: Marcello Oliveira / Rede 98

Viajar: Despesa ou Investimento?


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Samuel Barbi

Especialista em economia, entra ao ar às segundas-feiras com a coluna MundoZFundos, no RádioCast 98


Um estudo realizado ao longo de 15 anos sobre o comportamento dos ursos-pardos descobriu que aqueles que mais brincavam viviam por mais tempo. Uma possível interpretação dos pesquisadores foi que brincar leva a comportamentos mais flexíveis e criativos, os quais influenciam a busca por soluções de problemas conhecidos por caminhos alternativos (Jaak Panksepp, 1998).

 O conceito de “tempo é dinheiro” é levado ao pé da letra e muitos se perdem em trabalhos que roubam a energia e, aos poucos, minam a motivação. A rotina aprisiona e perde-se a capacidade de enxergar aquilo que esteja além do alcance da própria vista: trabalhar duro não significa trabalhar de forma inteligente. Nesse sentido, momentos de lazer ou férias acabam se tornando tão somente uma válvula de escape da vida real.

“Antes do desenvolvimento do turismo, viajar era concebido como um estudo, e seus frutos eram a ornamentação da mente e a formação do julgamento”. (Paul Fussel, Abroad)

 Com 25 anos de idade consegui fazer minha primeira grande viagem. Eu era louco para conhecer o mundo e até então não havia tido oportunidade ou mesmo dinheiro para fazê-lo. Minha mente explodiu! Observar o funcionamento das coisas em um país diferente colocou em xeque todas as minhas crenças e comportamentos. Essa viagem foi o grande divisor de águas em minha vida pessoal e profissional. Surgiram melhores oportunidades de trabalho, evoluíram meus relacionamentos, encontrei melhor equilíbrio espiritual. Desde então decidi que viajaria sempre, pois entendi o poder que as viagens carregam em relação ao aprimoramento pessoal.

Nada melhor que viajar para unir novas experiências, descanso e um reexame das rotinas à luz de novas culturas e percepções do mundo. Descobri ao ler um livro de Tim Ferriss - Trabalhe 4 horas por Semana - que essas longas viagens que fazia tinham um nome: miniaposentadorias.

Enquanto a aposentadoria tradicional propõe que você pare de trabalhar nos últimos anos de sua vida, as miniaposentadorias invertem integralmente esse raciocínio. Propõem trocar 20~30 anos de uma pausa no final da vida por várias distribuídas ao longo de toda a vida.

Atualmente, separo entre 10 e 20% da renda para essas pausas. E não é necessário ganhar rios de dinheiro para ter invejáveis experiências, o mais importante é saber gastar conscientemente. Alguns mochilões que fiz ao longo da vida me ensinaram que é possível viver MUITO bem com poucas coisas e, até mesmo, com menos dinheiro do que você possa imaginar:


●    Praia em Dubai por R$0;

●    Noite num flat em Paris com vista pra Torre Eiffel por R$250;

●    Pôr-do-sol em Hoboken, com vista para Nova York por R$0;

●    Indonésia: R$56 na diária de um bom hotel com café da manhã (para o casal);

●    Turquia: Passeio de barco no Bósforo por R$3;


As pessoas acham que viajar é muito caro porque não viajam como viveriam suas vidas em suas próprias cidades. Querem descontar as tristezas do trabalho em 5 ou 7 dias de luxos irrestritos. As miniaposentadorias estão associadas a um estilo de vida mais suave, lento, leve e sustentável.

Inclusive, viajar para outros países pode sair mais barato que ficar em sua própria residência, especialmente se você observar o custo de vida em seus destinos (lembram-se da nossa conversa sobre A Economia do Hambúrguer?). O grande segredo é construir renda em moeda forte e viver ou visitar lugares com moedas mais fracas, assim seu dinheiro vai muito mais longe. Você passa a ser um milionário sem milhões!

O que pretendo dizer com a coluna dessa semana é: para melhorar seu desempenho, pause sua rotina com alguma frequência. Viaje e viva novas experiências. É um investimento que constrói em você um repertório que ninguém pode roubar. Promove um certo desconforto que motiva a criar soluções diferentes para os problemas. Assim como com os ursos-pardos, quem sabe brincar, pode se adaptar melhor às mudanças. De fato, a imaginação sempre foi a fonte de toda a realização humana e o “ócio criativo” fundamental para inventar formas alternativas de ganhar dinheiro e viver uma vida melhor.



* Esta coluna tem caráter opinativo e não reflete o posicionamento do grupo.
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