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Educação

Sem PBH, audiência para discutir volta às aulas tem perguntas sem respostas

Secretária de Educação Ângela Dalben não compareceu à reunião na Câmara Municipal. Vereadores e entidades querem saber se retorno às aulas presenciais está condicionada à vacinação dos profissionais da educação

Por Fernando Motta

A Comissão de Educação da Câmara Municipal de BH (CMBH) realizou na tarde desta quinta-feira (18) a primeira audiência pública para discutir a reabertura segura das escolas na capital mineira.

Além dos vereadores, médicos e representantes da comunidade escolar, estava prevista a presença da Secretária Municipal de Educação, Ângela Dalben, que acabou não comparecendo.

Sem a presença da secretária, muitos questionamentos elaborados pelos participantes ficaram sem resposta. "Eu tinha muitas perguntas, mas muitas estavam focadas para aquela que representa nossa educação. Quem tinha que estar aqui era ela. O que eu vou fazer com esse monte de perguntas?", disse a vereadora Professora Marli (PP).

A relatora da audiência, vereadora Marcela Trópia (Novo), avaliou que 11 meses seria tempo suficiente para implementação de políticas públicas eficientes para reabertura das escolas. "Gostaria muito de perguntar à secretária: BH, em especial rede pública, está preparada para receber nossos alunos presencialmente? A exigência de vacinação de todos os profissionais envolvidos no sistema de educação não é consenso entre os especialistas. BH vai aguardar a vacinação de todos?", questionou.

Escolas públicas

A vereadora Macaé Evaristo (PT) destacou que crianças e jovens das escolas públicas são a maioria e desde março estão sem acesso à educação por conta da falta de acesso à internet e computadores. Ela avalia que essa situação aumentou o abismo entre alunos da rede pública e particular.

"Tivemos distribuição de Cestas Básicas, mas não há uma Cesta Básica educacional", avaliou.

Ela considerou ainda que além da vacinação, as políticas devem ser pensadas para aumentar o número de testes. "Não existe testagem na nossa cidade e esse é um fator fundamental para se estabeler os cercos sanitários", disse.

Escolas particulares

A presidente do Sindicato das Escolas Particulares de Minas Gerais (Sinep), Zuleica Reis Ávila, lembrou que todos os serviços retornaram à atividade - incluindo bares com música ao vivo. "Dizer que somos favoráveis ao fechamento do comércio para abertura das escolas é o que muitos países fizeram", considerou.

Segundo ela, "os mesmos professores que arregaçaram as mangas para trabalhar desde o dia 15 de março, hoje estão perdendo os empregos porque as escolas estão fechando".

A vereadora Flávia Borja (Avante), também lembrou que outros setores já estão funcionando e disse que não se pode condicionar a volta às aulas presenciais à vacinação.

"Os professores precisam ser vacinados, mas nós temos urgência. Essas crianças das escolas que fecharam, onde elas vão estudar? Se não voltar urgentemente, as escolas não vão sobreviver. Qual o plano para as escolas de educação infantil? Essa seria minha pergunta para a secretária"

Saúde

O neuropediatra e presidente eleito da sociedade Brasileira de Neurologia e Psiquiatria Infantil, Dr. Rodrigo Carneiro, participou da audiência e considerou o déficit cognitivo que as crianças podem sofrer por estarem longe das escolas. "Um ano, dependendo da idade, pode representar uma capacidade cognitiva irrecuperável", avaliou.

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