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Internacional

Imagem: NSW Police

De Sydney a Paris: vacinação e passaporte sanitário geram protestos

Na maior cidade da Austrália, manifestação contra medidas sanitárias coincidiu com morte de brasileira por covid-19 e na França, a aprovação de um passaporte de imunização levou pessoas às ruas

Por Marcello Oliveira

Com a vacinação ganhando ritmo em várias partes do mundo, alguns países já ensaiam uma possível volta ao normal, tanto para viagens quanto para acessos a eventos públicos e privados aos moradores das cidades.

A França aprovou o passaporte sanitário que atesta que o cidadão está livre da covid-19. O documento é obrigatório para quem quiser acessar bares e restaurantes, além de outros ambientes fechados. O objetivo da lei é aumentar a vacinação entre os resistentes à vacina. O passe também será obrigatório para profissionais de saúde e cuidadores de idosos desempenharem suas funções. O documento será digital e obtido em um aplicativo oficial, que concentrará os testes de covid-19, que deverão ser negativos para validar o documento. Haverá também um campo para os comprovantes de vacinação e certificado de recuperação da doença. Funcionários de bares, restaurantes e profissionais de saúde que não apresentarem o documento poderão sofrer uma suspensão do contrato de trabalho.

Protestos contra o passaporte de imunização

A fiscalização dos infectados isolados ficarão sob responsabilidade de assistentes sociais, mas a polícia poderá ser acionada se for verificado que uma regra tenha sido descumprida. O passaporte sanitário levou cerca de 11 mil pessoas às ruas de Paris para manifestar contra a medida. Nove pessoas foram presas.

Protestos de grupos anti-vacina, anti-lockdown e anti-passaporte sanitário aconteceram em diversos lugares. Em Sydney, na Austrália, 15 mil pessoas desobedeceram ao lockdown obrigatório e se aglomeraram no centro da cidade. Mais de 500 pessoas foram presas e a polícia trabalha nas redes sociais e com denúncias para conseguir identificar os participantes, que deverão responder na justiça. Estrangeiros, como brasileiros que participaram, estão sujeitos às regras da política de imigração do país. A polícia já recebeu mais de cinco mil denúncias, inclusive de brasileiros. O mesmo ocorreu em Melbourne e em Brisbane.

O protesto na Austrália ocorreu na mesma semana em que a estudante brasileira Adriana Midori Takara, de 38 anos, morreu em um hospital de Sydney, onde estava internada após contrair covid-19. A coincidência das datas entre a morte da brasileira com a doença e a aglomeração feita pelos negacionistas contra a vacina e contra as medidas necessária para tentar conter a variante Delta, que se espalha pelo país, despertou a revolta da comunidade brasileira, inclusive com outros brasileiros que participaram do movimento, que pede a liberdade individual quanto às medidas sanitárias e de vacinação. A polícia do estado de Nova Gales do Sul, pediu para que a população ajudasse a identificar os participantes que violaram as regras sanitárias ao participarem da violenta manifestação. Segundo a Polícia local, mais de 10 mil denúncias foram feitas e cerca de 3,5 mil pessoas que estariam no protestos serão investigadas.

O advogado brasileiro especializado em direito internacional, Valmor Morais, que vive na Austrália, disse que em situações que colocam a comunidade em risco, os envolvidos são punidos com multas, prisões e, no caso de estrangeiros, o cancelamento do visto. "Os protestos eram ilegais pelo simples fato de não terem a aprovação da polícia, o que é uma regra aqui na Austrália e a situação fica mais grave pelo fato de as pessoas terem desrespeitado o lockdown e de vários policiais terem sido agredidos fisicamente, certamente a polícia vai chegar nessas pessoas que estiveram lá", disse o advogado que já foi cônsul honorário do Brasil em Brisbane. Segundo Morais, a multa para quem participa de atos que violem as regras sanitárias da Austrália variam de $1.500 dólares australianos a $10 mil, além das penas administrativas de acordo com a política de imigração da Austrália. "Geralmente estrangeiros que se envolvem neste tipo de movimento são punidos com o cancelamento do visto, se não na ocasião, no momento de apresentar os antecedentes criminais para renovação ou quando solicitado pela imigração". Tanto o valor da multa aplicada quanto as penas aplicadas ao manifestantes variam de acordo com a quantidade de crimes praticados, como por exemplo ferir um policial, atacar um cavalo da polícia, quebrar uma viatura ou vandalismo. No caso de um dos brasileiros que teriam participado do protesto, o advogado enxergou ao menos dois crimes. "O primeiro crime foi a participação num protesto que já era ilegal e contribuiu para um ambiente propício à proliferação do vírus e o segundo foi a manifestação de símbolos supremacistas em local público e divulgado em foto". A polícia de Nova Gales do Sul já recebeu informações consistentes para localizar os brasileiros envolvidos.

Em janeiro, um francês de 29 anos teve o visto cancelado e obrigado a deixar o país por quebrar intencionalmente as restrições impostas por causa da pandemia de coronavírus. Na ocasião, o comandante da Força de Fronteira Australiana Steven Darby, deu uma entrevista ao jornal The Australian dizendo que a remoção do francês mostra como as autoridades australianas estão levando a sério as ameaças feitas à comunidade por pessoas que quebraram intencionalmente as restrições ao coronavírus. "A Austrália não tolerará não-cidadãos que optem por se envolver em atividades criminosas ou comportamento preocupante, particularmente com respeito às restrições do covid-19, que podem ter um efeito devastador em nossa comunidade ”, disse ele.

A Rádio 98 procurou os brasileiros envolvidos em protestos anti-lockdown, anti-vacinação e anti-passaporte sanitário, mas eles não foram mais encontrados nas redes sociais até o momento da publicação desta reportagem.

Outro caso público é o da jornalista britânica Katie Hopkins, que havia chegado na Austrália para participar do Big Brother no país da Oceania. A jornalista, que também é ativista de extrema-direita, ficou confinada em um hotel de quarentena, como é obrigado a todo o estrangeiro que chega ao país. Mas ela foi 'eliminada' antes do reality show começar. Durante a quarentena, a comunicadora gravou vídeos dizendo que iria quebrar as regras, que abriria a porta para os funcionários que entregam a comida pelada e sem máscara e também que o lockdown era uma grande farsa. A jornalista foi multada em $ 1 mil e a polícia a escoltou de volta ao aeroporto para ser deportada. A ministra do interior, Karen Andrews chamou os comentários de Hopkins de "terríveis" e de um "tapa na cara para os australianos em confinamento".

Outros protestos com confusões e prisões também aconteceram na Grécia, na Inglaterra e na Irlanda. Enquanto uma pequena parte da população se revolta contra medidas sanitárias, vários países se preparam para exigir a imunização completa para quem quiser atravessar suas fronteiras.

 

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