Carregando...

Internacional

Imagem: Arquivo Pessoal / Masood Habibi

Em entrevista à 98, afegão relata caos em Cabul e fala em esperança em deixar o país

Masood Habibi tenta insistentemente há duas semanas deixar o Afeganistão com sua família para viver no Brasil.Em entrevista à 98, ele relata a difícil realidade da vida sob domínio do Talibã e da esperança de tentar a vida no Brasil

Por Marcello Oliveira

A cada amanhecer em Cabul, as esperanças na casa da família Habibi se renovam. Há duas semanas eles aguardam ansiosamente o email com os vistos solicitados à Embaixada do Brasil na capital paquistanesa, Islamabad, responsável pelos serviços consulares de quem está no Afeganistão. Com o tempo, a esperança vai sendo substituída pelo medo de não conseguir deixar o país e ficar a mercê das forças do Talibã.

“Temos até o dia 31 para deixar o Afeganistão em um voo de evacuação e se a gente não conseguir, não sei o que poderá acontecer com a gente, estou correndo um sério risco aqui em Cabul, a cidade está um caos”, disse o jovem afegão Masood Habib, de 29 anos.

No início do ano passado, Masood realizou o sonho de conhecer o Brasil e se estabeleceu em São Paulo, com um pequeno negócio de tapetes exóticos. A boa comunicação em português, aprendido em poucos meses, permitiu ao jovem afegão conhecer vários estados brasileiros, como Minas Gerais, onde visitou Belo Horizonte e Uberlândia. Com o comércio indo bem, em maio deste ano, ele voltou para Cabul para buscar a esposa, o filho pequeno, o irmão e a cunhada, mas os planos mudaram pela negativa do visto aos familiares por causa da pandemia de covid-19. Eles ficaram presos na capital afegã com a tomada do Talibã. Na iminência da ocupação da cidade, houve tempo apenas de abastecer a casa com mantimentos para 23 dias. Desde então, nenhum membro da família deixou a residência – de boa estrutura e algum luxo para os padrões locais – "por questões de segurança", informou o rapaz em entrevista à Rede 98.

Fizemos contato com Masood pelo whatsapp por três dias, quando finalmente gravamos a entrevista pela internet, que você confere na íntegra ao final deste texto.

A reportagem questionou o Itamaraty sobre o visto brasileiro para a família Habib. O órgão enviou uma nota informando que, através da Embaixada em Islamabad está tratando de forma emergencial a evacuação de cidadãos brasileiros que desejem deixar o Afeganistão através de auxílio de países que tenham estrutura militar no país asiático, como os Estados Unidos e Alemanha, por exemplo, mas que ainda estuda uma maneira de atender o pedido de vistos humanitários de afegãos, assim como já ocorre com haitianos, por exemplo. O tempo, porém, é algo que preocupa a família Habibi. Os militares americanos são os administradores e operadores temporários do Aeroporto Internacional de Cabul, a principal porta de saída do Afeganistão, mas eles devem entregar o aeroporto ao Talibã nesta terça-feira (31), a data combinada de retirada total das tropas americanas do país. Quando isso ocorrer, os voos humanitários deverão ser suspensos e os afegãos não poderão deixar o país.

O Ministério das Relações Exteriores confirmou a retirada de dois brasileiros de Cabul em voos organizados pela Espanha e pela Alemanha, mas disse que não comenta casos individuais, deixando uma incerteza no caso do afegão que pede exílio humanitário no Brasil.

Masood se recusa a sair de casa com medo de ataques do talibã ou conflitos do grupo com o braço afegão do Estado Islâmico, que assumiu a autoria de um atentado a bomba no Aeroporto de Cabul na última semana, matando mais de 170 pessoas, entre elas, 13 militares americanos. Nesse mesmo dia, Masood disse ter ouvido várias explosões, inclusive próximo à casa dele, distante cerca de sete quilômetros do aeroporto. "Está uma situação bem complicada, ninguém sabe o que pode acontecer, o que vai acontecer, nem quando poderemos sair de casa com certa segurança", disse. Neste domingo (29) , o presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, disse que um novo ataque ao aeroporto de Cabul é “altamente provável” nas próximas 24 ou 36 horas e pediu para que os cidadãos americanos que estejam em Cabul não se aproximem do aeroporto e sugeriu aos que estão nos portões tentando entrar no aeroporto, que saiam de lá.

Confira abaixo a entrevista completa com Masood Habib, direto de Cabul.



Enquete

Carregando...

Colunistas

Carregando...

Podcasts

Carregando...

Saiba mais