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Guerra da Ucrânia deve agravar o mercado automotivo, inflacionando os seminovos

Setor de revendas continua trabalhando com alta demanda e estoques reduzidos; guerra da Ucrânia deve agravar o mercado de veículos novos, que dava sinais de início de estabilidade


Por Da Redação

A procura por veículos seminovos e usados segue movimentando o setor e superando a venda dos zero quilômetro, impulsionada em parte pela escassez dos microchips, apesar do mercado começar a sentir uma estabilidade nas últimas semanas. Em Minas foram comercializados, em fevereiro 104.437 unidades, totalizando um aumento de 3,4% em comparação ao mês de janeiro. Apesar do aumento, os dados representam queda de  25% no acumulado do ano em relação a 2021. 

“Tivemos um 2021 com recordes de venda desde o começo da série histórica. Realmente era previsto uma diminuição nestes números, que a meu ver, representam uma estabilização no mercado. Agravado em parte pelo novo contexto da pandemia, pela falta de insumos nas montadoras e pelo feriado, que mesmo cancelado em algumas capitais, acabou acontecendo”, conta Glênio Junior, presidente da Associação de Revendedores do Estado de Minas Gerais (Assovemg). 

No panorama anual em comparação ao acumulado do ano passado, houve uma diminuição de 4,1% nas vendas do mês anterior. Um fator que colaborou com a diminuição na curva de crescimento de 2022 pode estar relacionada não só ao feriado, mas ao retorno das férias e eventuais despesas como impostos e materiais escolares.

Os veículos mais vendidos na capital continuam se revezando há meses no pódio. São eles: Fiat Palio, encerrando o mês em primeiro lugar, com 1.367 unidades, seguidos do Volkswagen Gol, com 1.233 e Fiat Uno, com 1.138 em segundo e terceiros lugares respectivamente. No estado ordem invertida com o Gol em primeiro, Uno em segundo e Palio em terceiro lugar. 

Falta de componentes deve continuar afetando o mercado 

Os seminovos e usados devem continuar sendo uma solução para o mercado automotivo já que a crise no fornecimento dos microchips, prevista por alguns especialistas para durar até meados de 2022, deve seguir complicando toda a cadeia produtiva da indústria automobilística. O que não estava nos cálculos é a invasão da Ucrânia pela Rússia que apresenta ainda mais riscos de fornecimento de matéria prima dos semicondutores. 

Os dois países são as principais fontes dos gases químicos C4F6 e neon, vitais para a produção dos semicondutores. Além disso, a Rússia é fonte importante de metais usados em toda a indústria fabril como níquel, alumínio, titânio e paládio, sendo responsável por grande parte do fornecimento de petróleo mundial. 

Já a Ucrânia é responsável por abrigar não só fábricas de peças para automóveis, conectadas com cadeias de suprimentos da indústria Russa e europeia, mas algumas das principais montadoras do mundo. 

E os impactos na indústria não param por aí. A alta no contágio da variante Ômicron e as mudanças na legislação ambiental causaram uma necessidade de aceleração na produção em dezembro de 2021, prazo final para produção de veículos sem levar em conta a conformidade estipulada pela sétima etapa do Proconve (Programa de Controle de Emissões Veiculares), montadoras acabaram acumulando desafios para os primeiros meses de 2022.

A norma que previa que os automóveis leves fabricados a partir do dia 1 de janeiro deveriam emitir menos poluentes que os fabricados em 2021 esbarrou em férias coletivas de funcionários e aumento no afastamento de trabalhadores contaminados pela Covid. As chuvas, que se estenderam volumosas até meados de fevereiro, provocaram prejuízos e atrasos na produção. 

A alta de 3,9% no PIB registrada em 2021 comparada ao lento 2020 não deve se repetir neste ano, a expectativa segundo a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) é de alta de 0,5%. Outro fator importante é a alta da Selic (Taxa Básica de Juros) que subiu 1,5% no mês passado e deve seguir impactando o crescimento do mercado pressionando o setor de financiamentos. 

Com vencimento adiado para iniciar em março, o Imposto sobre a Propriedade de Veículos Automotores (IPVA) é uma das despesas que vão sair do bolso do consumidor. A medida sancionada pelo governador Romeu Zema, prevê o início do pagamento de 21 de março até 21 de maio. 

Mesmo com algumas dificuldades enfrentadas pelo setor, os seminovos e usados continuam sendo uma alternativa interessante para o consumidor que encontram na pronta-entrega, preços mais acessíveis e na variedade de modelos possibilidades de comprar um veículo adequado às expectativas. 


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