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Imagem: Marcello Oliveira / Rede 98

Montadoras de veículos estrangeiras deixam o mercado russo

Grandes marcas anunciaram a paralisação de suas operações e fechamento de concessionárias no país após ofensiva da Rússia contra a Ucrânia


Por Marcello Oliveira

Seguindo os passos de empresas de diversos setores, as montadoras de veículos e fabricantes de peças estão suspendendo seus trabalhos na Rússia em protesto contra a invasão do país na Ucrânia ou como parte da sanção imposta.

Volkswagen disse, na quinta-feira (03), que está parando a produção de veículos na Rússia e vai suspender as exportações para o mercado russo.

A BMW, que produz carros na Rússia em parceria com a Avtotor, na cidade de Kalingrado, interrompeu a produção por tempor indeterminado e disse que a volta a produção ao normal depende de "atitudes da Rússia".

Nesta terça-feira (08), a Ford anunciou a suspensão de suas operações na Rússia, com efeito imediato. A montadora tem uma participação de 50% na Ford Sollers, uma joint venture entre a montadora americana e a russa Sollers e produzem o modelo Transit, que é a segunda van mais vendida da Rússia.

Também nesta terça-feira, a Harley-Davidson disse que suspendeu seus negócios e remessas de suas motos para a Rússia, mas destacou que enquanto em toda a União Europeia mantém 369 concessionárias, na Rússia tem cerca de 10.

A inglesa Jaguar Land Rover também anunciou nesta terça a interrupção das entregas de carros para o país devido ao conflito.

A montadora alemã Daimler Trucks disse que congelaria suas atividades comerciais na Rússia com efeito imediato, incluindo sua parceria com a fabricante de caminhões russa Kamaz. Não serão construídos mais caminhões sob a parceria conjunta da Daimler com a Kamaz e não serão fornecidos mais componentes.

Já a montadora sueca Volvo disse que suspenderá as remessas de carros para o mercado russo até novo aviso. A Volvo disse que a montadora exporta veículos para a Rússia a partir de fábricas na Suécia, China e Estados Unidos. A Volvo vendeu cerca de 9.000 carros na Rússia em 2021, com base em dados do setor.

A americana General Motors, com sede em Detroit, anunciou na sexta-feira (25) que está interrompendo todas as exportações para o país. Cortar as exportações para a Rússia não será muito caro para a GM, no entanto. A GM vende apenas cerca de 3.000 veículos por ano na Rússia através de 16 revendedores locais. A GM atualmente não tem fábricas na Rússia, então a maioria dos veículos que vende lá é importada de fábricas dos EUA, enquanto alguns são trazidos da Coreia do Sul.

No mesmo dia, a montadora francesa Renault informou que vai suspender temporariamente as operações de sua fábrica de montagem de automóveis em Moscou na próxima semana, devido à “mudança forçada nas rotas logísticas existentes” que estão causando escassez de componentes.

A interrupção valerá entre 28 de fevereiro a 5 de março, segundo a empresas, que acrescentou que está analisando opções para retomar as operações o mais rápido possível. A Renault também mantém uma parceria com a montadora russa Lada e utiliza as instalações da Lada em Togliatti, cidade próximo a Samara. 

A japonesa Honda interrompeu indefinidamente a importação de carros e motos do Japão para a Rússia.

Até mesmo marca chinesa está boicotando a Rússia. A Chery decidiu não apenas interromper a importação de modelos como proibiu a venda das unidades que já estão nas concessionárias, inclusive. As revendas da marca aguardam uma autorização da matriz para retomar as vendas dos veículos que já estão no estoque, mas a marca disse que podem esperar por preços mais salgados, quando as vendas retornarem.

A fábrica da Hyundai na Rússia produz modelos com características exclusivas para o mercado local, como o SUV urbano Creta. A linha de montagem está desativada por falta de componentes ocasionada por problemas logísticos.

A maior montadora do mundo, a Toyota, decidiu paralisar totalmente não apenas as vendas, mas a produção em sua planta russa e a importação de veículos. A decisão atinge também sua divisão de luxo, a Lexus.

Montadora russa também é afetada

A Lada, marca genuinamente russa, precisou interromper a produção do sedã Granta, o modelo mais popular do país atualmente. O problema neste caso está na falta de fornecimento de peças de fabricantes como a Bosch e também pela parceira Renault que, como dito antes, compartilha a linha de montagem da Lada para produzir alguns de seus modelos.


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