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Opinião

Imagem: Ricardo Bufolin / Divulgação

As atletas de ouro. Que venha Paris!

A maré feminina é uma realidade no esporte brasileiro. Nove das 21 medalhas conquistadas pelo Brasil em Tóquio vieram de mulheres ou equipes com mulheres

Notícias

Nely Aquino

Vereadora pelo Podemos, presidente da Câmara Municipal de BH em seu 2º mandato. Fundadora do Projeto Rumo Certo.


“Uma Olimpíada com mulheres seria impraticável, desinteressante, inestética e imprópria” - Atenas, 1896.

A citação é do historiador francês Pierre de Coubertin, criador dos jogos olímpicos da era moderna, iniciados em Atenas há 125 anos. Nessa época, as mulheres não podiam competir, pois acreditava-se que elas não tinham preparo físico adequado e competir poderia ser prejudicial à saúde delas, principalmente para a fertilização em razão do contato físico intenso e o excesso de esforço.

Foi com protestos que as mulheres conquistaram o direito de participar nas olimpíadas. Em 1900, 22 mulheres competiram em Paris nas modalidades Tênis e Golfe, conferindo-lhes apenas certificado de participação, já que não poderiam ganhar medalhas pelo Comitê Olímpico.

No Brasil, em 1941, um Decreto-Lei determinou: “Às mulheres não se permitirá a prática de desportos incompatíveis com as condições de sua natureza, devendo, para este efeito, o Conselho Nacional de Desportos baixar as necessárias instruções às entidades desportivas do país” (art.54 – Decreto-Lei nº 3.199), e foi assim que o futebol, esporte mais popular do nosso país, foi proibido para as mulheres por ser “agressivo e violento”, assim como diversas modalidades esportivas que diziam se assemelhar. E essa proibição, pasmem, durou até 1979, com a revogação deste decreto.

Na verdade, a história das mulheres brasileiras nas Olimpíadas começou em 1932, em Los Angeles, 12 anos depois da estreia do Brasil nos Jogos. Com a participação única da nadadora paulista Maria Lenk, de 17 anos, que desconsiderou o Decreto-lei e foi a primeira mulher do continente sul-americano a disputar uma edição dos Jogos.

Mas foi só em 1996, em Atlanta, quando 66 mulheres brasileiras foram disputar os Jogos, que elas subiram ao pódio pela primeira vez. Na época, representavam 29% do total de atletas. E levaram 4 das 15 medalhas conquistadas pelo nosso país. Em 2004, as mulheres já eram quase a metade da equipe nacional.

É nítido e notório que são profundas as mudanças da sociedade no último século quanto a igualdade de gênero. Em todos os continentes, as mulheres não só se igualaram ao gênero masculino em talento esportivo, como transformaram as arenas em espaços de superação. Esses avanços ao espaço conquistado por elas devem ser creditados também às conquistas em outras frentes na sociedade, que permitiram o respeito e o acesso a melhores condições de treinamento.

Essa maré feminina é uma realidade também no esporte brasileiro. Das 21 medalhas com as quais o Brasil voltou para casa dos jogos olímpicos de Tóquio deste ano, 9 foram conquistadas por mulheres ou equipes de mulheres. Esse número representa 41% do total. O Brasil vibrou nas piruetas, na água, no ringue, na pista, com a bola nos pés ou nas mãos. O Brasil vibrou extremamente interessado!

Pois bem, todo o esforço realizado pelas atletas femininas ao longo da história não foi em vão. O pódio da superação é das mulheres e todas elas são atletas de ouro. Viva o esporte feminino! Viva as mulheres! Que venha Paris!

* Esta coluna tem caráter opinativo e não reflete o posicionamento do grupo.
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